Noite Adentro: 1ª Temporada – CRÍTICA

Into The Night é o título original da produção da Netflix.

Apocalipse é um dos termos favoritos dos produtores de séries e filmes quando se pensa em um projeto de alto teor apelativo. Talvez por conta de um certo sadismo intrínseco a quem assiste ou até mesmo pelas produções de cenários reais pelo mundo que não poderiam ser possíveis de vislumbrar que não seja em uma situação como essa. 

Ficção científica com cenário apocalíptico é certamente um gênero que possui uma crescente lista de produções e por mais clichê que a maioria delas possa parecer é notável que sempre haverá público para consumi-las. A mais nova produção da Netflix criada por Jason George baseada no livro The Old Axolotl de Jacek Dukaj, apela para isso: o mundo é devastado e um grupo de sobreviventes inicia uma corrida pela vida. Como? De avião, voando sem destino em direção ao oeste fugindo de um inimigo mortal natural. O sol.

O alvorecer fatal

A história começa numa madrugada no aeroporto de Bruxelas na Bélgica quando um grupo de passageiros está em uma fila para embarcar em um voo para Moscou na Rússia. É quando um homem em trajes militares e aparentemente atormentado invade o avião e começa um sequestro. Sua exigência é apenas uma: que o piloto voe para o Oeste pois se o dia amanhecer todos estarão mortos.
A luz do sol agora significa morte.
Major Terenzio é o epicentro da maior parte dos conflitos dentro do avião.

O sequestrador é o Major Terenzio (Stefano Cassetti), um oficial veterano da Otam que após ouvir em reuniões privadas da cúpula sobre o desastre que estava por vir, tomou a louca atitude de sequestrar um avião. Nesse mesmo cenário as comunicações estão falhas, e ainda no aeroporto é possível ver noticiários nas televisões mostrando as pessoas mortas no chão nos lugares do mundo onde já amanheceu.

Adrenalina em forma de trilha sonora

A série já começa com um clima de tensão retumbando e quando vemos um simples figurante com problemas ao fazer uma ligação telefônica sabemos de cara que tem algo de muito errado acontecendo, a trilha sonora é aqui a responsável pra dar esse toque tenso. E se tem uma coisa que Noite Adentro tem é tensão, mais precisamente do início ao final da série. Se você é daqueles que gosta de série que te deixa alerta e sem sossego por um minuto, então essa é a escolha ideal.

A maior parte dos conflitos são baseados em armas apontadas e disputas de interesses.

Arrisco dizer que um dos grandes destaques da produção é a sua trilha sonora forte, imponente e invasiva. O produtor Photek (Blade – 1998) foi o responsável pela criação e conseguiu canalizar toda a angústia aterrorizante do enredo ao espectador com instrumentais convincentes ao estilo Ramin Djawadi (Prision Break, Game of Thrones).

Não bastasse o terror do evento que está rodando pelo mundo, existe muitos problemas dentro do avião. Os conflitos entre os passageiros tornam a situação muito mais difícil. Existem muitas problematizações geradas por um senso comum ou até mesmo por preconceitos e que confrontam decisões sensatas e necessárias do piloto Mathieu (Laurent Capelluto), se eu fosse o piloto expulsava essa galera chata pra deixarem de ser burros kkkk.

Passageiros incomuns

Um ponto interessante aqui é a história pessoal de cada personagem. Quando entramos num voo não imaginamos o universo que habita dentro de cada passageiro que de cara pensamos ser apenas pessoas normais. Cada episódio leva o nome de um dos personagens principais e inicia mostrando um pouco de sua vida pra apresentar seu background. Essa é uma apresentação que nos possibilita enxergar um pouco do seu mundo fora do clima de discórdia que sobrevoa no avião.

Sylvie e Mathieu são os responsáveis por pilotar o avião.

Sylvie (Pauline Etienne) é a primeira a enfrentar um grande desafio após o piloto Mathieu ter sua mão baleada por um furioso Terenzio, ela que tinha alguma noção de pilotagem de helicóptero agora tem um grande avião comercial para controlar. Na cabine de passageiros brigas baseadas em preconceitos raciais e desconfianças instauram o caos que a série procura transmitir.

Alguns diálogos soam um pouco superficiais em uma situação que deixa os personagens abertos e vulneráveis, isso poderia propiciar conversas profundas e até mesmo reflexões inteligentes, porém a trama se prende majoritariamente às ânsias externas e internas entre os personagens.

A corrida para sobrevivência

É só um bando de brancos se lamentando que não conseguem controlar as coisas.

Aparentemente a causa do fenômeno que devastou o mundo é a inversão da polarização do sol que causa uma emissão de bombas de nêutron e queima as pessoas vivas como se estivessem dentro de um micro-ondas. No meio da corrida contra o sol, noite adentro, os passageiros encontram inúmeros obstáculos enquanto procuram por respostas para o que está acontecendo.

Ayaz (Mehmet Kurtulus) é um dos heróis do grupo embora seja mau visto por muitos por conta do seu passado.

Na cabine de passageiros, outro problema se faz presente quando uma das passageiras descobre na internet que 3 soldados britânicos que entraram no voo quando pousaram na Escócia são na verdade terroristas assassinos. Em um dos pousos os soldados são deixados pra trás, porém agora temos um piloto inconsciente e ferido pela bala em sua mão. Somado a isso, temos Terenzio com nervos a flor da pele a toda hora, Rik (Jan Bijvoet) sendo racista com os mulçumanos do voo e outros arcos que fazem a sobrevivência do grupo parecer algo cada vez mais difícil.

O grupo finalmente descobre a existência de um abrigo na Bulgária e encontram outros sobreviventes ao chegar lá. A conclusão da temporada põe um fim à corrida pela sobrevivência, mas agora os personagens vão em busca de respostas para o que está se passando no mundo. Uma coisa é certa, Noite Adentro não vai te deixar respirar com calma em nenhum momento, é uma série que nos deixa tenso, nervosos e horrorizados por todos os seus 6 episódios numa certeza de que algo terrível está bem próximo de acontecer. 

A primeira temporada de Noite Adentro está disponível no Netflix. 
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