The Midnight Gospel: 1ª Temporada - CRÍTICA


Do mesmo criador de A Hora da Aventura, Pendleton Ward, The Midnight Gospel é uma colaboração surreal entre o animador e o podcaster Duncan Trussel, hoster do The Duncan Trussel Family Hour. A série animada consegue transcender qualquer expectativa do telespectador, mesclando bizarrices com conversas reflexivas interessantíssimas.

Um Podcast Nada Convencional

Clancy (no original dublado por Trussell) é um spacecast, ele possui um simulador que consegue o projetar em diversos planetas no universo e em cada uma de suas aventuras ele entrevista uma pessoa aleatória (ou nem tanto) que ele encontra nesse planeta. 
As entrevistas são registros reais realizados no podcast do próprio Duncan Trussel. Todos os episódios seguem essa dinâmica permeando entre a entrevista e os personagens percorrendo um planeta completamente bizarro que sempre vai fazer uma alegoria muito pertinente a conversa que está sendo estabelecida.

O traço da animação tem uma característica bem peculiar, como já é de se esperar de uma obra de Ward. Não tem muito refinamento, as cores são bem estranha, mas tudo isso em conjunto consegue trazer uma sintonia incrível para o que estamos assistindo. 
Em cada universo/planeta que Clancy visita segue um conjunto de elementos visuais diferentes, até o próprio avatar que ele usa muda de acordo com esse lugar, o que significa a mais pura essência da liberdade criativa.


Os Extremos dos Sentimentos

A loucura vai aos níveis mais extremos! 
Imagine uma conversa com um ex-detento sobre misticismo e magia (Que a propósito foi condenado por formar uma seita satânica e matar três crianças ) e quanto os dois viajam num mundo meio oceânico onde os peixes são os seres dominantes, vestem roupas humanos e comanda um navio com uma tripulação de gatos? Pois é, mas a loucura não para por aí.

Vamos ter muitas reflexões sobre a morte, a legalização das drogas, a indústria carnívora e é claro o episódio mais incrível da temporada, quando o Clancy/Duncan conversa com a própria mãe sobre a relação entre mãe e filho e família. É sem dúvidas uma das conversas mais emocionantes que eu já ouvi, principalmente quando descobrimos a história por trás dessa conversa (não vou contar para deixar vocês curiosos).

Não existe nenhuma tentativa de explicar como funciona a mitologia do mundo onde Clancy vive, como funciona o simulador, os planetas. Na verdade parece até que tudo o que vemos na verdade funciona apenas como uma alegoria para aprofundar ainda mais as conversas incríveis com os convidados, e olha funciona muito bem.


É inegável a personalidade própria que essa série tem, algo que é quase impossível encontrar em qualquer outra produção. A animação consegue desconstruir e reconstruir todas as expectativas em cada episódio, é surpreendente do início ao fim, A jornada de Clancy e do podcaster Duncan deveria ser parada obrigatória para qualquer pessoa que tem interesse em ouvir uma boa conversa, rever seus conceitos sobre alguns assuntos e preconceitos.

The Midnight Gospel está disponível na Netflix!
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