Sergio - CRÍTICA

Um herói quase esquecido, em um filme esquecível



Todos nós gostamos de cinebiografia! 
Principalmente quando a obra se dedica a mostrar os feitos de quem a história quer enaltecer e nesse pensamento, chegamos a história do diplomata brasileiro Sergio Vieira de Mello, falecido em 2003 após um atentado ao hotel onde estava. Suas realizações e trabalhos pela ONU ganham a tela demonstrando a capacidade do ser humano de possuir empatia pelo próximo, ainda que o ambiente onde estejam diga completamente ao contrário. Contudo, nem sempre a produção em questão consegue o feito de fazer algo a altura da figura principal.
E este é caso!

Sergio Vieira de Mello, um diplomata brasileiro que trabalha pela ONU, viaja por diferentes lugares para cumprir a missão de ajudar países a se reconstruírem em maio a conflitos. Um dia, algo dá errado e um ataque terrorista o deixa soterrado, isso faz com que venhamos a percorrer sua vida, entendendo como tudo aquilo aconteceu.

Greg Barker dirige a nova produção da Netflix, sendo que em 2009 já havia conduzido um documentário sobre a vida do diplomata brasileiro. E aqui, emprega toda sua capacidade cinematográfica para contextualizar os acontecimentos da vida e da morte do seu protagonista.
Para isso usa dos recursos de cena para ir e voltar na história, criando blocos narrativos para dar mais peso aos seus acontecimentos. Ora estamos no passado, vendo o personagem principal indo à encontros com outras autoridades, o romance, sua vida familiar e suas lutas, ora vemos o ataque a Bagdá, o resgate e como as pessoas estão lidando com isso.
Nessa estrutura, o diretor escolhe uma câmera que brinca de subjetivo diversas vezes, dando a possibilidade de percorrer os cenários, locações, se aproximando dos personagens e se afastando quando devido. Contudo ao iniciar o filme de maneira quase que apressada e com inúmeros acontecimentos, aos poucos o ritmo vai perdendo força, adentrando situações que carecem de maior emoção e se perdem dentro do contexto proposto.
Tudo isso quer nos fazer adentrar ainda mais a história que está sendo transmitida e por conhecer a figura central, Barker dá possibilidades para que Wagner Moura ganhe espaço.
O ator é a movimentação da trama em pessoa, dando uma interpretação introspectiva, até calma em alguns momentos, porém carregada de expressões cativantes. Além de demonstrar uma postura e trejeitos que lembram Sergio, Moura faz além, mesmo que não tendo suas emoções exploradas de maneira mais enérgica, entrega uma presença que agregada muito mais ao protagonista!


Já sei o título da sua biografia: Criminosos de Guerra, meus amigos.
A frase acima é uma brincadeira feita ao diplomata quando após se encontrar com um general. 
Nesse ponto da história já entendemos o que Sergio defende, o que pretende e o que carrega também como fardo que ainda não conseguiu encontrar solução.
A narrativa, ao escolher contar passado e presente do personagem, acaba perdendo força, principalmente quando voltamos aos acontecimentos anteriores da trama. 
Há um foco quase que desnecessário no romance, ocupando um grande bloco da segunda metade do filme, deixando com que os fatos que realmente importam e fazem a diferença para o ritmo da trama, se desenvolvam quase que de maneira imediata, acabando totalmente com qualquer proposta de emocionar que o filme possa transmitir.
Por mais que o uso do recurso em mostrar o resgate, os diálogos que acontecem nos escombros em que está, que nos dão a visão do passado, seja interessante, não consegue também provocar a tensão desejada, tornando então o roteiro um dos grandes defeitos desta que se torna uma cinebiografia quase que esquecível!

Sergio é uma cinebiografia que possui um peso na atuação de seu protagonista que não se aplica a direção ou ao roteiro desenvolvido.
Com uma direção esforçada em criar um ritmo interessante e peculiar, acaba por se perder em não ter fôlego para dar emoção quando se precisa, muito menos impactar quando pretende fazer tal ato. Grande parte disso se deve a um roteiro que se dedica mais em criar um romance, do que uma história relevante de verdade.
Ao final, a figura de Sergio Vieira de Mello transcende as obras midiáticas para nos lembrar da luta por aqueles que vivem em zonas de conflitos intermináveis, pela democracia e por uma vida mais digna àqueles que ainda possuem esperança pelo melhor!
Um herói quase esquecido por muitos, em um filme que pouco representa os seus feitos.


3/5 (Bom)

Sergio está disponível na Netflix!
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