RuPaul's Secret Celebrity Drag Race e o Poder da Empatia - ARTIGO

Se você nunca viu Drag Race seria uma boa oportunidade de começar


Ru Paul's Drag Race já se tornou um ícone entre os reality shows! 
A competição que reúne drag queens em busca do título da próxima drag super star dos Estados Unidos já fez inúmeros fãs e possui cada vez mais novos espectadores em suas temporadas. Mas agora a disputa muda completamente de cenário. 
Ao juntar celebridades norte-americanas, Ru Paul traz a dinâmica para aqueles que não conhecem nada deste meio e tão pouco tem contato com a vivência LGBTQ, por isso, esta é uma oportunidade para que você, que nunca assistiu, possa abrir os olhos não apenas para universo drag e sim para todo o contexto que cerca esta cultura!
Então, linguem seus motores e vamos falar sobre empatia, drag queens e muita extravaganza!

Agora o babado é diferente. Saem as drags profissionais, entram aqueles que nunca tiveram contato algum com esse tipo de "montação"!
Em Ru Paul's Secret Celebrity Drag Race, celebridades e figuras conhecidas norte-americanas irão disputar o título de Drag Celebrity Super Star, mas não é só isso, os vencedores poderão ainda ajudar uma instituição de caridade com o prêmio que ganharem. Ou seja a chance de viver novas experiências e auxiliar quem realmente precisa. E tudo isso contando com mentoras como Trixie Mattel, Bob the Drag Queen, Monet X Change, Trinity The Tuck, Miss Vanjie, e muitas outras!

Ru Paul ao centro,  junto dos jurados: Ross Mathews, à esquerda, Michelle Visage e Carson Kressley à direta.


Quando vivenciar é essencial

Há quem diga que Drag Race está datado e a forma como lida com determinadas situações da comunidade LGBTQ+ ainda está longe de ser o ideal. Em alguns quesitos até possível concordar com essa afirmação, mas se tratando de um programa feito por pessoas que não são as que atualmente deveriam aparecer na televisão com grande audiência, a produção consegue quebrar o paradigma do preconceito e da homofobia. É interessante ressaltar que as edições foram ganhando cada vez mais cara de programa com uma narrativa, ainda que se tratava de reality show, tanto que na última temporada, em seu episódio final, RuPaul fez questão de lembrar dos movimentos sociais em favor dos direitos da comunidade LGBTQ+, além de ressaltar que esta é uma série feita pelas mãos de pessoas que estão inseridas na comunidade.
Dito isso, com esse programa especial, a narrativa ganha novas nuances de uma maneira inesperada. Já que os participantes são pessoas que não tiveram ou sequer sabem como se dá o universo Drag. Os três participantes da vez, o comediante Jeremy Folwer e os atores Nico Tortorella, da série Younger, e Jordan Connor, de Riverdale, se tornaram então alvo de todo um "turbilhão" de informações, mas principalmente demonstraram uma capacidade ímpar de se identificarem com cada momento e, principalmente, com suas mentoras da vez: Trixie Mattel, Bob the Drag Queen e Monet X Change. 

À medida que o episódio vai acontecendo podemos perceber que aos poucos conceitos e ideias passam a ser estabelecidas e modificadas por aqueles que não estiverem próximos de uma cultura que hoje se tornou tão conhecida. 
Isso faz com que bandeiras sejam levantadas, pensamentos acerca de família surjam e o contato com sua feminilidade possa acontecer. Por sua vez, quebrando com os estereótipos ou "caixas" onde somos colocados pela sociedade. 
E isso trouxe uma verdadeira lição sobre empatia.
Pela primeira vez em Drag Race, esse sentimento nunca esteve tão palpável, seja através dos competidores, ou pelas próprias Drags profissionais pois foi possível tocar em pontos que talvez no programa regular fosse apenas mais uma pauta.
Para Nico, foi um momento onde pode expressar o não-binarismo de muitos através de um desfile emblemático. Para Jeremy foi um reencontro e se ver na figura de alguém extremamente importante, sua mãe. Já Jordan, foi a quebra da estrutura do "homem atleta", rústico, que sequer pode falar de sentimentos ou se aproximar de algo que seja do universo feminino. Isso tudo gerou empatia!
Sentir, ver, conversar e entender o que aqueles "homens de peruca" fazem, vai além de um simples show de dublagem ou modelitos extravagantes, há todo um discurso político e representativo presente!

Jeremy Folwer, Jordan Connor e Nico Tortorella, montadas em suas drags: Miss Mimi Teapot, Babykins La Roux e Olivette Isyou


Category is... Empatia

Então, eis uma oportunidade para mostrar não apenas o que é Ru Paul's Drag Race, mas o que a cultura queer representa e pode realizar na vida de muitas pessoas. 
Para muitos, tornar-se Drag Queen é um ato de sair de uma persona estabelecida e se tornar realmente quem é de verdade, sem os medos e os receios que tanto cercam no dia a dia. Para outros, é um forma de representar, dar voz e ocupar espaços que não se consegue corriqueiramente, mostrando arte, conhecimento e cultura, além de carregar a histórias de muitas e muitos que lutaram pelo movimento LGBTQ+
E num todo, é importante perceber que sempre há uma lição a ser aprendida, seja por uma drag vencedora que entendeu que há possibilidade de alcançar aqueles que não aparentam ser tão amigáveis, ou por aquele que ignorou possíveis comentários para fazer algo não só por si próprio, mas para outros que precisavam ainda mais do prêmio em questão.
Empatia, empatia é a palavra da vez! 
Assim, para aqueles que duvidam do poder que um reality show possa ter, lhes apresento aquele que tem a capacidade de fazer com que as pessoas se amem um pouco mais, se descubram e possam revelar a outras um universo tratado com preconceito.

A cultura Queer está aí pra isso, unir pessoas, famílias, quebrar estereótipos e principalmente, tornar as pessoas livres de qualquer barreira! 
Eu posso ouvir um amém?

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