Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion - CRÍTICA

Uma animação digna de Mortal Kombat


Na década de noventa, Mortal Kombat se tornou um dos grandes jogos de luta da época, principalmente por apresentar uma violência gráfica peculiar e proporcionar ao jogador a possibilidade de realizar Fatalitys ao final dos combates, um momento onde um golpe especial era dado com muita raiva empregada! Ao longo dos anos, o sucesso da franquia se estendeu à 11 edições do game, fora inúmeros spin-off em diferentes consoles, e lógico que uma hora isso se tornaria produto para outras mídias. Entre filmes e uma série fracassada, o que poderia vir de bom das adaptações?
A resposta vem através das animações, Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion entrega algo digno ao jogo que dá título ao longa, que vai da violência aos personagens tão queridos, tudo dentro de cenários que conhecemos!
Bem-vindos ao Mortal Kombat!

Hanzo Hasashi retorna a sua cidade e descobre que todos foram mortos pelo clã de Sub-Zero, porém após uma luta ele acaba sendo morto pelo guerreiro de gelo. O tempo passa e novos guerreiros escolhidos por Raiden precisam vencer o Mortal Kombat antes que as forças do mal conquistem o planeta inteiro. Contudo, Hanzo, agora retornando como Scorpion, adentra o torneio com uma missão específica, ao mesmo tempo que planeja sua vingança!

Ethan Spaulding é quem comanda a animação criado pelos estúdios Warner, o que vai nos causar certa semelhança com os desenhos da Liga da Justiça que conhecemos. 
O diretor, que já realizou outras animações da casa, traz todos os elementos de Mortal Kombat para esse longa e aproveita para inserir um estilo cheio de personalidade de contar a história. Isso se dá por conta do traço empregado. Há muito do clássico dos desenhos aqui, mas ao mesmo tempo as inserções em 2D e 3D dão uma movimentação muito fluida aos personagens, que ganha maior evidência nas sequências de luta.
Tais momentos são um presente aos fãs da franquia de jogos, pois os golpes, poderes e até mesmo os sons que os personagens emitem durante o combate estão lá. Por isso, se você em algum momento jogou Mortal Kombat, vai reconher os chutes de Johnny Cage, os ataques de Sonya e as sequências de Liu Kang. Sem contar no clássico "Get Over Here", que já aparece no início da produção, antes dos créditos iniciais fazendo uma brincadeira sensacional. Aliás, os dez primeiros minutos deste longa são tudo o que um filme baseado no game deve ser, já que o diretor emprega bem todos os elementos técnicos, criando texturas diferentes, traços entre sombra e luz, além da dinâmica das lutas potencializada pela carnificina que só esses guerreiros podem proporcionar.
E tudo isso abre espaço também para algo que saiu direto dos games, o "X-Ray" (ou Raio-X), onde vemos os danos causados por dentro do oponente, sendo empregado aqui com maior intensidade a animação em tela, atestando ainda mais a fidelidade da obra.


Já a história se assemelha muito ao roteiro escrito para o filme de 1995, porém aqui já vai nos dando um vislumbre de outros vilões e personagens que estão de olho no controle da Terra. 
Em meio a tudo isso, Raiden surge escolhendo os seus combatentes, o que nos proporciona ótimos momentos que fazem referência ao jogo clássico. Contudo, o foco da história é Scorpion e talvez este seja o único problema da animação.
Quando o roteiro decide inserir outras figuras conhecidas, o que dá o subtítulo do longa fica de lado, acontecendo apenas em situações pontuais e ganhando maior intensidade no clímax da produção. Só que para chegarmos até isso, precisamos percorrer vários momentos e em vários deles Scorpion nem aparece! Certamente esta é uma tentativa de iniciar um universo através dos desenhos baseado em Mortal Kombat, justamente por seu desfecho, mas já que estão tentando centralizar a história em um personagem, por que não fazer isso da maneira como deve ser? Com ele sendo o protagonista de fato!
Porque, verdade seja dita, os demais personagens são tão sem graça quanto no game: Johnny Cage fala sempre a mesma coisa, Sonya quer sempre arrumar uma briga e Liu Kang é o monge da paz, só! O que faz o espectador desejar pelos momentos de Scorpion pois aí sim, temos maior intensidade e material a ser explorado!

Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion é um início satisfatório da franquia no universo dos longas de animação, pois consegue entregar história e cuidado técnico de uma maneira assertiva.
Com uma direção que sabe como criar momentos para enaltecer os elementos que fazem dos games um sucesso até hoje, os fã certamente irão gostar muito de ver seus personagens em combate mais uma vez, sem contar na violência gráfica empregada ao lado dos golpes que conhecemos.
E se tem uma coisa que sabemos bem é que games e cinema nem sempre se ajustam da melhor forma, gerando então situações constrangedoras em tela, porém desta vez tudo funcionou do jeito mais competente possível, como numa luta onde todos os movimentos foram desferidos com perfeição dando então a vitória. Essa que no caso é justamente do espectador!

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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