High School Musical - The Series: 1ª Temporada - CRÍTICA

E. J. (Matt Cornett), Nini (Olivia Rodrigo), Ricky (Joshua Basset) e Gina (Sofia Wylie) são os protagonistas da série.
A junção de adolescentes colegiais vivendo seus dramas pessoais através de um espetáculo musical certamente é uma fórmula de sucesso para qualquer produção midiática. Glee, Rebelde e a trilogia High School Musical da Disney, marcaram gerações e tiveram grande impacto, seja entregando performances memoráveis, como influenciando jovens de todo o mundo e arrastando multidões em suas turnês.

Ao anunciar o catálogo de lançamento de sua nova plataforma de streaming, Disney+, a Disney atendeu aos clamores nostálgicos que há tempos eram feitos pelos fãs órfãos de High School Musical. De fato, a produção original atingiu um patamar de sucesso mundial inimaginável para algo que foi inicialmente pensada apenas para o Disney Channel, então já era hora de trazer o fenômeno para as novas gerações.

Eu me chamo Srta. Jenn, e quando soube que a escola onde High School Musical foi filmado nunca encenou uma produção de High School Musical, o musical, fiquei chocada como atriz, inspirada como diretora, e animada como uma milennial.
A história se passa na escola East High onde a produção original foi gravada. Na nova trama a professora de teatro Srta. Jenn (Kate Reinders), convida seus alunos a recriarem o primeiro filme através de uma peça musical. Na tentativa de dar uma repaginada e fazer com que a história se comunique com o público atual, Tim Federle (O Touro Ferdinando) foi convocado para assumir o controle da criação e escrever a série.

Benjamin (Mark St. Cyr), Kourtney (Dara Reneé), Big Red (Larry Saperstein), Ricky (Joshua Basset), Carlos (Frankie A. Rodriguez), Nini (Olivia Rodrigo), Ashlyn (Julia Lester), E. J. (Matt Cornett), Srta Jenn (Kate Reinders) e Gina (Sofia Wylie).
Nini (Olivia Rodrigo) encontra E. J. (Matt Cornett) no acampamento de verão e logo se apaixona pelo garoto e ao retornar para um novo ano na escola encontra Ricky (Joshua Basset), seu ex-namorado que quebrou seu coração de forma bem fria, mas que agora quer se redimir e voltar com o relacionamento. Com a chegada da nova professora de teatro e a proposta de encenar High School Musical, todos enxergam ali uma oportunidade de atingir seus objetivos pessoais. 

Nini que adora cantar faz o teste para o papel de Gabriela (a protagonista da versão original), E. J. tenta a vaga para Troy (o par romântico de Gabriela) para assim estar ao lado de sua amada e Ricky também faz o teste para interpretar Troy na tentativa de se reaproximar de Nini. Quando divulgada a lista do elenco selecionado, E. J. descobre que Ricky ganhou o papel de Troy e é em meio a essa e outras confusões que o drama da série se desenvolve enquanto os alunos se preparam e ensaiam para a apresentação do musical.

Ricky, Nini e E. J. em meio a uma das várias cenas de trocas de farpas e ciúmes.
A história é majoritariamente conduzida por muitos conflitos. 
Divórcio de pais, superação de relacionamento, problemas de família, etc; dão à série um tom dramático muito maior do que deveria para uma produção do gênero e para o público a que se destina. A proposta é incomparável com o filme original, já que aqui retrata-se uma narrativa paralela em que High School Musical é algo secundário, que está inserido à parte de tudo o que acontece. Porém, alguns elementos da produção original poderiam ser resgatados como forma de cativar a quem assiste, afinal os confrontos de Sharpay davam um tom de comédia necessário e faziam dela uma personagem marcante. Esse e outros aditivos que aqui estão ausentes deixam a trama um pouco sem identidade.

Cena da encenação de High School Musical feita pelos alunos da escola East High.
Uma marca memorável da Disney é entregar atos musicais incríveis e de encher os olhos. Quando vi o anúncio da série fiquei ansioso na expectativa de ouvir músicas que viraram clássicos no filme original como We’re All in This Together ou a baladinha Breaking Free, entretanto, foi aqui onde a produção mais pecou. O elenco tem um talento vocal excelente, a execução das cenas musicais foi bem elaborada, mas faltaram músicas que grudassem na nossa cabeça e pudessem se eternizar. Com exceção de Born to Be Brave que tem uma mensagem linda e forte, a trilha sonora ficou bem abaixo da média.

Kourtney (Dara Reneé) e Nini (Olivia Rodrigo) protagonizam as melhores cenas Girl Power da série.
Desde que descobriu garotos, você passa muito tempo tentando se ver pelos olhos deles.
Kourtney (Dara Reneé) é a melhor amiga de Nini e vai ser a responsável por clarear a mente de sua parceira e lhe tirar do emaranhado de conflitos a que se submete com seus ex-namorados. Esse é um ponto incrível da séria por sair do clichê da garotinha submissa ao garanhão jogador de futebol e popular da escola. Kourtney é uma personagem forte e desempenha uma função empoderadora ao mostrar para a amiga que ela tem muito mais dentro de si do que imagina e pode ser forte independentemente de quem esteja ao seu lado.

Não só empoderamento, mas a série também traz representatividade LGBTQI+ em sua narrativa. Carlos (Frankie A. Rodriguez), que é o responsável pela coreografia da produção do musical da escola, convida Seb (Joe Serafini), seu crush, para ser seu par no baile de abertura do ano. A cena dos dois na festa é apresentada de forma bem sutil e natural e mostra algo comum que pode acontecer entre adolescentes, inclusive daqueles do mesmo gênero. 

Seb (Joe Serafini) e Carlos (Frankie A. Rodriguez) em uma das cenas mais sensíveis da série.
Essa é uma história que teria mudado minha vida se eu tivesse visto quando era criança. E a razão pela qual teria mudado minha vida é porque isso não é nada de demais. É na verdade a vida real. 
-Tim Federle, criador da série em entrevista ao Los Angeles Times.

Apresentada num formato de série musical e documentário, a produção se torna um pouco confusa ao mesmo tempo que causa um certo incômodo para o espectador. Em várias cenas temos uma câmera trêmula (como se tivesse sendo gravado de um celular) assim como os personagens saindo de sua atuação para falar com a câmera numa espécie de comentário em reality show, o que bagunçou tudo mais ainda. A tentativa de se inspirar no formato série/documentário de The Office da BBC certamente não funcionou aqui.


High School Musical: The Musical: The Series acerta ao entregar uma série musical razoável, apresentando adolescentes, mas sem se prender muito aos clichês com os quais esse grupo costuma ser representado em outras produções. 
Seu enredo é consistente e a atuação do seu elenco vai ser o ponto forte para você querer ver a produção até o final e conferir o resultado do remake do clássico High School Musical. Antes mesmo de sua estreia a série foi renovada para 2ª temporada e está atualmente disponível no Disney+. 

A plataforma de streaming do grupo de Walt Disney está prevista para desembarcar no Brasil em agosto desse ano.
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