Freak Review: Exit the Gungeon


Enter the Gungeon: esse nome me deixa feliz. É um espetáculo entre os jogos roguelike e não me desaponta nenhuma vez que separo um tempo para revisitá-lo. O humor e a jogabilidade caótica cativaram a mim e a uma comunidade inteira de fãs do gênero, e depois de termos nos aventurado por horas e horas dentro do Balabirinto, o pensamento coletivo era “e agora? Eu quero mais”. 

Quase 4 anos depois do lançamento de Enter, a Dodge Roll e a Devolver nos deram Exit the Gungeon, um spin-off que, dessa vez, nos desafia a sair das masmorras que entramos anteriormente. Eu tive a oportunidade de experimentar o jogo no Nintendo Switch e quero compartilhar algumas das minhas impressões com vocês. 

POR QUE EU DEVERIA JOGAR EXIT THE GUNGEON?


Primeiro, o que é Exit the Gungeon? 
Antes vamos começar com um pouco de contexto. Exit the Gungeon é primeiramente um jogo mobile e mais simples, e eu acredito que muita gente chegou com as expectativas desalinhadas esperando um Enter the Gungeon 2 quando ele nunca prometeu ser. Para o que ele se propõe, para mim Exit acertou em cheio.  


 Dá para sentir claramente que o novo game foi feito para ser portátil. Ele tem cara do tipo de jogo que você aproveitaria nas horas vagas, e em momentos se assemelhou muito a outros mobile como Jetpack Joyride: um ciclo de tentativa e erro com dificuldade exponencial, onde você se dedica intensamente por períodos mais curtos de tempo. Foi uma adição que se casou perfeitamente com a vibe do Nintendo Switch, e eu gostaria que você fosse para o jogo com esse conceito na cabeça. Isso não é uma sequência, e sim uma parada no caminho que eventualmente vai nos levar até lá. 

Enter the Gungeon, mas diferente.
Exit the Gungeon conseguiu com sucesso trazer de volta a maioria dos elementos que fizeram Enter the Gungeon tão especial e adaptá-los muito bem para esse novo modelo. As batalhas agora acontecem em um ambiente fixo, diferentemente do estilo dungeon crawler de seu antecessor, mas o caos instaurado continua o mesmo. É bala para todos os lados e salve-se quem puder! E para os entusiastas das clássicas armas malucas, Exit também oferece um arsenal variado com uma modificação crucial.


No spin-off, as armas do jogador são selecionadas automaticamente e de forma aleatória - é o resultado de uma bênção que o seu personagem recebe no início do jogo. Em um momento você pode estar explodindo seus inimigos com um lança granadas, e 30 segundos depois ter que se virar com um soprador de bolhas. Essa nova mecânica foi uma solução esperta para não prejudicar o ritmo do jogo e deixá-lo descomplicado. Mesmo sendo emocionante o suspense de qual vai ser a sua próxima arma, em alguns momentos me senti um pouco frustrada. Mais sobre isso em breve. 

Diversão, diversão, diversão! 
Sem dúvidas, o ponto mais importante do jogo inteiro é que ele continua divertidíssimo. O humor está mais ácido que nunca e os cenários, ainda que reduzidos em escala, são bonitos e detalhados. Temos o nosso tradicional quarteto de exploradores e as runs de Exit the Gungeon são personalizadas para cada um deles, uma sacada que eu não esperava e que deu uma vida nova para o jogo. 

Apesar de Exit ser menos “procedural” do que Enter the Gungeon, os personagens percorrem caminhos diferentes depois da primeira arena: a primeira fase é sempre um elevador desgovernado subindo, mas depois O Soldado, por exemplo, tem que limpar 5 salas de um castelo enquanto A Condenada precisa fugir de um verme gigante enquanto atira em hordas de inimigos. Foi um jeito interessante de driblar a rigidez do game e é o fator de maior peso na hora de decidir o seu estilo de jogo. 



E O QUE NÃO FOI TÃO LEGAL?

Random até demais.
Exit the Gungeon pecou em poucos lugares, mas alguns aspectos da randomização do jogo me pareceram um pouco sem lógica. Falando de armas, você tem pouco mais de 70 opções no seu arsenal contando com as que você pode comprar usando o dinheiro que coleta no Balabirinto. É esperado que algumas sejam poderosas e outras inúteis, e teoricamente a escolha das armas seria influenciada por um contador que fica no canto superior da tela indicando o seu combo: quanto maior o número, melhor a arma. 


Na prática, não percebi quase nenhuma diferença. Eu podia estar com um streak ótimo que isso nunca me impediu de receber um cotoco para estragar a minha jogada inteira. E acredite, comparado com algumas armas você tinha mais chances se fosse no soco. 

Onde foram parar os meus amigos?
A subida no elevador para a saída do Balabirinto é caótica, mas algumas vezes piedosa. A cada dois ou três níveis o seu personagem pode fazer uma pausa na loja e comprar alguns itens, inclusive uma chave vendida pelo famoso Resourceful Rat. Essa chave te permite liberar alguns velhos amigos aprisionados e, em troca, eles te ajudarão como podem para te dar uma vantagem nas escapadas futuras. Alguns deles abrem lojas no acampamento dos Gungeoneers enquanto outros aparecerão aleatoriamente entre andares do elevador. 
Quando eu digo aleatoriamente, quero dizer raríssimas vezes. 

Mesmo tendo liberado a maioria dos NPCs, nossos encontros aconteceram com muito menos frequência do que eu esperava – alguns não encontrei até hoje! Me enganaram só para eu tirar vocês da prisão? Menos 10 pontos para a Grifinória pelo bless RNG. 


AFINAL, VALE A PENA?

Sim, sem dúvidas! Principalmente se você está procurando uma diversão rápida e mais descompromissada. Exit the Gungeon é dinâmico, explosivo e trouxe uma virada legal para o modelo do jogo anterior. Mesmo não sendo Enter the Gungeon 2, o jogo foi mais que suficiente para satisfazer a sede dos fãs da série, trazendo outros desafios, muitas balas e o mesmo nível de entretenimento. É uma adição obrigatória para um Nintendo Switch e de quebra ainda vai te render boas risadas.
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