Code 8: Renegados - CRÍTICA

X-Men do Distrito 9


Existe sempre um momento em que histórias conhecidas ganham um tom mais realista, sombrio e pé no chão, como se fosse uma chance de demonstrar que conseguem ir da fantasia ao mais próximo da vida como é de verdade.
Em Code8: Renegados, encontramos uma narrativa que certamente funciona mais como um episódio piloto de série, do que como longa-metragem e isso desperdiça a chance de aprofundar mais em um universo aparentemente tão vasto, interessante e peculiar onde pessoas com poderes são aceitas até certo ponto.
E com certeza há muita semelhança com a realidade!

Connor vive em um mundo onde 4% da população possui poderes. No seu caso, o seu dom é através da energia elétrica, porém, a pedido de sua mãe, precisa manter escondido. 
Até que um dia surge a oportunidade de um trabalho que irá pagar muito dinheiro e ao aceitar, o jovem se vê envolvido em uma trama com aqueles que controlam o consumo de uma droga ligada diretamente àqueles que tem poderes, mas sair desse caminho não será tão fácil quanto parece.

Jeff Chan é quem dirige a produção que possui no elenco Stephen Amell (Arrow) e Robbie Amell, que são primos na vida real, dentro deste universo onde pessoas com dons sobre-humanos não são aceitas da maneira correta.
O diretor consegue emular muito bem os feitos de outros filmes de super-herói ao mesmo tempo que vai dando sua personalidade cada novo elemento que é apresentado. Isso fica evidente quando ouvimos as nomenclaturas daqueles que possuem poderes, como são os ambientes que vivem, os trabalhos que possuem e até como as autoridades lidam com tudo isso. 
Já na ação, o comando se perde um pouco e às vezes faz com que as movimentações saiam do foco durante combates, perseguições e utilização dos poderes, talvez essa escolha deva ser por conta do orçamento, mesmo assim em alguns momentos incomoda não ver com precisão o que ocorre. 
Contudo, um dos grandes acertos da obra é o seu universo! A contextualização de como tudo chegou até aquele ponto é sensacional e o design de produção entra assertivamente para criar desde as ambientações aos aparatos tecnológicos, numa compreensão de como seres com dons foram de auxiliadores da sociedade à rejeitados por todos.


Você quer viver pelas regras deles?
Se em X-Men a luta pela aceitação e igualdade é evidente, aqui o que os "aprimorados" querem é apenas ter como se sustentar, continuar vivendo de forma digna, sem ninguém apontando armas para eles na rua. 
Quando descobrimos que Linconl City, onde tudo ocorre, foi construída graças à pessoas com poderes, entendemos ainda mais o quanto cada um deles se sente rejeitado por um lugar que primeiramente os acolheu, usou de seus talentos e os dispensou. E agora os caça constantemente. 
O preconceito, a discriminação e a violência são elementos que o texto deixa em evidência, e usa deles graficamente em várias sequências, mesmo que não se aprofunde nas discussões que surgem. 
Esse talvez seja um dos grandes problemas de Code 8, a falta de profundidade dos personagens, de seus dilemas e do quanto o que os cerca é prejudicial. Tornando as soluções óbvias e infelizmente perdendo força dentro de um universo vasto de possibilidades para criarem conflitos diferenciados, dinâmicos, atrativos ao público. Pois o que se tem se assemelha a um episódio piloto de série de televisão, que certamente daria certo, podendo ganhar muito mais espaço e reconhecimento. Ou seja, seria um Heroes melhorado!
Entretanto, por mais que se esforce, tudo fica na superficialidade de algo que já vimos em outras mídias!

Code 8: Renegados é uma produção que sabe como emular o que foi feito de outras histórias para dar seu próprio ponto de vista sobre pessoas com poderes e como essas são tratadas pela sociedade. Fazendo um paralelo acerca de discriminação e preconceito.
Ainda que o texto não se aprofunde em certos conflitos, a direção compensa no esforço em criar situações que coloquem seus personagens no centro da ação, ora confusa, mas que não estraga a experiência.
Há sempre um momento dentro da cultura pop que uma obra precisa nos lembrar de algumas ações do dia a dia, da sociedade e o quanto elas ainda são prejudiciais para algumas pessoas. 
Fazendo esse paralelo, essa referência, o peso narrativo se torna muito maior, mais próximo, deixando então as semelhanças conduzirem o espectador, pois mesmo sem poderes existem muitos que ainda ao andarem na rua sofrem com as armas apontadas. 
E isso sem ao menos ter feito qualquer ação!

Nota: 3/5 (Bom)

Code 8: Renegados está disponível na Netflix!
Tecnologia do Blogger.