Cannon Busters: 1ª Temporada - CRÍTICA

Duas robôs, um bandido, magia e um cadillac rosa



O universo dos animes é um dos poucos que consegue mesclar inúmeros elementos da cultura pop para contar uma história coesa, fazendo com o espectador fique cativo esperando um novo episódio. Indo de tecnologia à magia, Cannon Busters une elementos do cyberpunk e do steampunk para contar uma história sobre amizade, escolhas da vida e perigos que podem crescer a cada novo local que se encontra. Juntando a isso encontramos humor, referências, em uma aventura que certamente vai nos fazer questionar até Isaac Asimov!
Está pronto? Então vem ser da amigo de S.A.M, Casey e de Philly The Kid!

S.A.M é uma robô amiga que veio da cidade de Botica, ao lado da robô conserta-tudo Casey, atrás de Philly The Kid, que é o único que poderá ajuda-la a encontrar o príncipe do seu reino que está desaparecido depois de um ataque. Porém Philly não é um herói e sim um bandido altamente habilidoso que tem o dom da imortalidade. Assim, o trio se une nessa jornada que vai apresentar perigos cada vez maiores.

Takahiro Natori dirige a série, contando com o apoio do próprio criador da história, LeSean Thomas, já os desenhos dos personagens foram tratados por Tetsuya Kumagi e a produção contou com músicas compostas por Bradley Denniston e Kevin Begg.
Essa equipe faz com que venhamos a mergulhar em várias peculiaridades do universo, além de referências da cultura pop que passam por Cowboy Bebop, Naruto, Guerreiras Mágicas de Rayearth e Transformers. 
Toda mistura de elementos elevam ainda mais a construção da narrativa e dão um tom de aventura cômica a cada novo episódio. E assim, nesse apuro técnico em apresentar cada ponto que enaltece o traço, as cores e o design de cada personagem, mergulhamos também em uma dinâmica assertiva apresentada a cada batalha.
A mistura entre a animação clássica, anime e o 3D fazem de cenários, objetos, armas e movimentação corpórea algo que ganha ainda mais presença em tela, conquistando o espectador a continuar no próximo episódio. Já as piadas e os easter eggs ganham ainda mais peso quando conseguimos encontrar um ou outro ponto que nos lembra algum anime que já assistimos! Principalmente pelo fato da história vagar por lugares diferentes, saímos então do "velho oeste", passando por desertos, florestas, cidades altamente tecnológicas, cidades com características medievais, cidades fantasmas, grandes palácios, enfim, cada um desses apresentado com uma riqueza de detalhes minuciosa.


E em sua narrativa, Cannon Busters tem muito pra nos fazer ficar interessados.
Desde o momento em que conhecemos S.A.M e Casey entendemos que não são apenas máquinas com uma missão aleatória, existe muito mais na construção dessa relação, principalmente quando Philly adentra a aventura.
A dinâmica do trio é o que mais cresce conforme a história avança. Pois o bandido, que a primeira vista é relutante e grosseiro, vai deixando de lado certos comportamentos para dar mais espaço a amizade com as duas robôs, que demonstram inocência e empolgação em meio a situações em que essas reações não seriam nada adequada.
De igual modo tanto S.A.M quanto Casey são colocadas em questionamento acerca de sua própria natureza como máquinas, da sua servidão aos humanos e do conceito de amizade com as pessoas.
E essas dúvidas impulsionam sua decisões e escolhas, fazendo com que suas programações principais sejam completamente alteradas, para surpresa dos que estão próximos, revelando também os poderes ocultos de uma Cannon Buster.
Ao mesmo tempo. a magia é inserida nesse cenário como algo que há muito tempo foi esquecido, contudo ainda assim pode ser uma ameaça capaz de alterar a jornada de todos, neste caso na figura do vilão, que logo de cara entendemos sua motivação, o que pretende e quais as consequências de seus atos.
Tudo isso acompanhado de bons momentos de humor, que vão ganhando mais proporção quando conhecemos personagens como o 9ine que se torna um contraponto do protagonista em vários aspectos, deixando tudo muito mais engraçado. E nesse jogo cômico, quando S.A.M e Casey aprendem como encontrar graça em situações (até nas ofensas), somos presenteados com sequências cada vez mais cativantes.

Cannon Busters mergulha nos universo dos animes e da cultura pop para nos trazer uma aventura repleta de referências, ao mesmo tempo que trilha seu próprio caminho em uma jornada pela magia e a tecnologia. Sem deixar de lado as amizades feitas pelo caminho.
Assim, todo apuro técnico eleva ainda mais os elementos da produção, construindo um universo coeso e coerente dentro de suas particularidades, além de entregar personagens com camadas que vamos descobrindo ao longo dos episódios.
Desta forma, S.A.M, Casey e Philly se tornam um trio improvável dentro de uma narrativa sobre ir além do que se espera de si mesmo, sobre os laços que construímos na vida e como tudo pode mudar quando passamos a olhar para o que está a nossa volta por um novo ângulo.
Então, coloque uma moeda no Cadillac rosa e aproveite a viagem!

Cannon Busters está disponível na Netflix!
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