Troco em Dobro - CRÍTICA

A ação desenfreada que já assistimos



É interessante que em algum momento na sétima arte o gênero de ação procura nos apresentar uma nova dupla improvável que se coloca em determinada missão para salvar alguém, limpar suas fichas ou proteger um grupo de pessoas. 
Aqui Mark WahlbergWinston Duke (Nós), são os "parceiros" da vez a fim de fazer justiça em meio a uma amaranhada trama sobre corrupção dentro da polícia. 
E nesse ir e vir de ambos pela cidade, apanhando, batendo, fugindo e dirigindo, não sobra espaço para construções interessantes que possam dar sustentação para que essa história venha acontecer, a não ser aquela da ação pela ação!
Não que isso seja ruim, mas em vários momentos você vai pensar que já viu esse filme!

Spenser, um policial que foi preso após agredir um superior é solto depois cumprir cinco anos na prisão. Contudo, estar livre não quer dizer viver longe dos problemas. Logo, ele irá embarcar em uma investigação por conta própria envolvendo ex-colegas mortos e a corrupção dentro do sistema da polícia, porém isso colocará pessoas próximas como alvo dos criminosos da cidade!

Peter Berg (Horizonte Profundo) comanda a produção, que é a quinta parceria do diretor com Mark Wahlberg. Desta forma, fica nítido o conforto do ator, tanto no papel quanto na forma como a trama vai sendo conduzida. 
Aqui se escolhe por dar ênfase a ação e isso é um dos acertos já que um embate dentro de um restaurante, quanto um caminhão passando por cima de outros veículos, se tornam empolgantes de acompanhar. Isso faz com que o diretor não exija muito de seus atores e, aparentemente, eles entenderam o recado. Já que o foco está na ação e não na história que cerca as sequências de pancadaria e tiroteio. 
E quando a produção procura "aprofundar o texto", construir elementos e até mesmo dar camadas aos personagens, se perde completamente. Fica perceptível a falta de domínio nesses quesitos quando não há uma interação real entre a dupla de "heróis" que encabeçam o longa. Nem Spenser (Mark Wahlberg), nem Falcão (Winston Duke), querem interagir, não por falta de esforço dos atores, mas pelo o que o roteiro apresenta. Fazendo com que o espectador peça que a ação volte mais alucinada do que antes, só pra nos livrarmos desses momentos!


Vai fazer o certo com seu sólido código de moral
Assim, quando adentramos mais no roteiro e entendemos que existe uma rede de outras figuras, situações e esquemas, a primeira vista se espera que tudo funcione de maneira adequada, porém o que encontramos é uma obra que abraça a ação! E só isso!
Para aqueles que gostam do estilo "brucutu" do cinema, esse é um prato cheio com muitas escoriações, machucados e um protagonista que apanha demais, virando piada para os demais pelo tanto de hematomas que possui. Ao mesmo tempo, quando a narrativa procura criar situações onde a trama permeia questões políticas e sociais, se perde completamente, tanto em ritmo quanto no tom do filme. 
Ora quer ser altamente engraçado, mas as piadas não encaixam. 
Ora quer ser sentimental quando adentra o passado do protagonista, contudo não convence de que aquilo realmente possui um peso!
Nos resta então apreciar quando Spenser precisa colocar sua moral em prática, bolando planos, arquitetando, entrando em combate e aí sim, a interação com seu parceiro de cena ocorre e as demais nuances se tornam meros enfeites num todo cada vez mais descontrolado de acontecimentos!

Troco em Dobro é uma produção que se faz presente pela ação!
E este é o elemento que irá conduzir tudo do início ao fim, satisfazendo muitos e deixando alguns pensando em já ter visto Mark Wahlberg neste mesmo filme, mas em outro momento, em outra ocasião e não na Netflix. Aliás, por alguns estantes parece ser uma continuação daquele filme que possui o Dwayne Johnson, "Sem Dor, Sem Ganho"!
Porém não é continuação, não é remake e o que tudo indica, deve ser início de uma possível franquia! Uma franquia que certamente daria muito certo na década de noventa!

Nota: 2/5 (Regular)
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