Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca - Evolução - CRÍTICA

Evolui, mas...


Nos anos 2000, Pokémon se tornou uma das maiores franquias dos animes.
No Brasil, no mês de janeiro daquele ano chegava aos cinemas o primeiro filme da obra, que na verdade estreava com um atraso de dois anos em comparação ao oriente. E com certeza uma das grandes bilheterias para Ash, Pikachu e todos os demais amigos dessa aventura.
20 anos depois, chega à Netflix a evolução dessa jornada, desta vez, a história é recontada com os recursos da computação gráfica, mas sem a mesma capacidade de encantar como o longa original.
Ou seja, por mais que haja mudança estética, a essência se perde dentro do conhecido Vale da Estranheza fazendo com que nem a memória afetiva consiga resgatar o que há de bom ali.

Ash, Misty e Brock continuam sua viagem em busca de encontrar os Pokémon pelo mundo. Porém quando recebem um convite para encontrar o Maior Treinador Pokémon do Mundo, eles precisam enfrentar diversos desafios, como uma grande tempestade e até outros treinadores para chegar até o local. Mas quem os espera na verdade é Mewtwo, clone de um Pokémon lendário, que irá desafiá-los para a maior batalha de suas vidas.

Kunihiko Yuyama(Diretor do longa original), Tetsuo Yajima e Motonori Sakakibara são os diretores desse remake do primeiro filme da franquia.
O emprego da computação gráfica auxilia na criação e na ampliação daquele mundo, aprofundando detalhes e texturas que não se poderia enxergar com uma produção realizada no estilo clássico das animações japonesas. 
Logo, Pokémons ganham detalhes, beleza e até uma forma mais próxima do desenho original, tentando trazer à tona aquele sentimento nostálgico necessário capaz de convencer o espectador de que essa nova versão é importante.
Contudo, por mais que haja beleza estética não podemos dizer o mesmo do comando em si. Como temos uma dedicação maior na parte técnica isso fica distante do que encontramos na condução da narrativa, onde pouquíssimas coisas são alteradas, mas não há encantamento no produto final. É como se todo espírito de aventura tivesse sido removido e ficado apenas personagens renderizados com um olhar vago e expressões que não acompanham falas originais, tão pouco a dublagem!
Calma, ninguém aqui falou em estragar sua infância!


Humanos e Pokémon não podem viver em harmonia
Por mais que o apelo técnico seja o principal atrativo desta produção, o cerne de Pokémon, principalmente do longa que este adapta, não é encontrado. 
Falta emoção, humor e o tal recurso nostálgico pode até funcionar nos primeiros minutos, mas se perde totalmente quando as cenas, que são idênticas as do original, não possuem a mesma carga dramática! Até mesmo quando Ash fica entre os poderes de Mew e Mewtwo, o auge da obra, acaba parecendo algo descartável, que você deseja que passe logo pois não há sentimento, deixando espaço para tudo ser piegas ao extremo.
Infelizmente, a narrativa que usa todo o material textual da obra de origem, não se coloca como uma homenagem, e sim como um "copia e cola" realizado num programa que recebeu a última atualização e possui recursos melhores!

Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca - Evolução é uma homenagem interessante e competente se olharmos para os quesitos técnicos. O emprego do CGI e a forma como as criaturas ganham vida, honrando o desenho clássico é certamente o ponto alto, contudo ao adentrarmos a sua narrativa, nada aqui comprova que sua existência é importante. Deixando de lado a emoção e o senso de aventura.
Certamente esta produção irá encantar uma geração de novos "treinadores" que não assistiram o clássico de 2000 e, aos mais velhos, ficam a memória afetiva e a capacidade de encontrar pela internet a obra que inspira diretamente essa nova versão!
E ao final deste filme e, deste texto, nenhuma infância foi estragada!

Nota: 2/5 (Regular)
Tecnologia do Blogger.