Elite: 3ª Temporada - CRÍTICA


O “quem matou?” é um dos recursos de narrativa mais usado na ficção. 
Tentar descobrir quem é o assassino, pode levar uma obra a se tornar muito popular, ao mesmo tempo que pode fazer com que ela seja detestável. Em Elite, até agora esse recurso foi utilizado de forma satisfatória. 
A série chega em seu terceiro ano com um novo mistério (ou talvez nem tanto assim), bem cronometrado em oito episódios.

No último ano dos jovens de Las Encinas, depois de Carla (Ester Expósito) ter revelado a todos que foi Polo (Álvaro Rico) quem matou Marina (María Pedraza), o clima fica bem tenso entre eles. Ao passo que Gusman (Miguel Bernardeau) e Samuel (Itzan Escamilla) tentam a todo custo provar judicialmente que Polo de fato matou a garota, todos os outros tentam seguir a sua vida com seus próprios dilemas.

Nessa temporada, a linha narrativa traz novamente o que nós vimos na primeira temporada
Temos uma morte e toda a investigação por traz dela, os depoimentos dramáticos, a construção dos personagens até o momento do assassinato. A única diferença é que começamos já sabendo quem foi que morreu e, talvez por ser quem é, o fechamento dessa história tenha sido bem rápido. Deixando a impressão novamente que a polícia da Espanha é completamente ineficiente, três temporadas sendo enganada por um grupo de adolescentes ricos do ensino médio.


Samuel continua perdendo o protagonismo gradativamente, nessa temporada, o que é muito bom para o conjunto, visto que ele sempre foi um dos personagens mais intragáveis de todos. Ele e Gusman passam o 90% dos episódios falando do Polo e tramando contra ele e nos outros 10% ficam torcendo para que outra pessoa fale e assim eles continuem esse assunto. (Meninas Malvadas, um beijo!)
Um dos personagens de destaque novamente é a Carla, que agora fica dividida entre estar apaixonada por Samuel, ou ter que ficar com outro para salvar a fortuna de sua família, essa que nem ao menos se preocupa com a saúde mental da mesma.

É mais fácil aprender a amar alguém que não ama, do que se acostumar a ser pobre
Beatriz Caleruega (Mãe da Carla)


Já Lucretia (Danna Paola) e Nadia (Mina El Hammini) apresentam a maior evolução como personagens nessa temporada. As duas que eram como água e vinho, transformaram a grande rivalidade em uma amizade muito interessante, com um plano de fundo da disputa de uma bolsa de estudos.

A estética glamourizada de Elite continua ainda muito presente, as mansões enormes e festas milionárias. Porém, ainda falta muita representatividade. A inserção de um personagem negro, novo interesse amoroso de Nádia (e de um outro personagem, surpreenda-se com isso), por um momento ajudou a acabar com essa impressão, porém por mais rico que ele diga ser, nunca aparece esbanjando ou compartilhando a estética elitista da série, não serviu pra muita coisa, a não ser dizer que tem um personagem negro na série.



Ainda que a produção não deixe de lado o fato ser uma série teen, consegue entregar uma trama bem amarrada e um mistério interessante. Conseguimos enxergar o fim de uma geração, personagens se despedindo e uma a trama principal que finalmente foi encerrada. Com a confirmação de duas novas temporadas, o gancho que foi deixado consegue ser bastante interessante.
Elite é uma série que consegue juntar muita coisa e criar sua identidade, mas o que o futuro reserva pra ela?
Tecnologia do Blogger.