Bloodshot - CRÍTICA

Nem só de Marvel e DC o cinema dos quadrinhos sobrevive



Os anos foram passando e a histórias em quadrinhos foram ganhando cada vez mais espaço na sétima arte!
Permeando as aventuras mais caricatas, indo até às que se consideram sombrias, realistas, adultas, os últimos dez anos de cinema foi um campo muito frutífero para produtores, diretores e atores que se embrenharam por esse meio. Logicamente, ainda tem gente querendo sua parte nessa fartura!
Desta forma, usando das histórias publicadas pela Valiant Comics, a Sony nos apresenta Bloodshot, estrelado por Vin Diesel. Esta trama não está querendo um espaço simplesmente para mostrar que sabe fazer bilheteria e com uma aventura repleta de clichês, efeitos visuais e um roteiro saído direto dos anos 80, há charme e potencial no que está por vir!
Pois nem só de Marvel e DC o cinema dos quadrinhos sobrevive!

Ray Garrison é um soldado de elite que acaba morrendo após uma emboscada.
Porém, ele desperta em um local chamado RST e descobre que foi trazido à vida graças ao projeto Bloodshot, onde vários microrobôs foram implantados em seu corpo, lhe dando força, resistência e habilidades sobre-humanas. Só que o desejo de vingança por quem acabou tirando a pessoa que amava existe, assim Ray sai em uma jornada para encontrar o assassino, mas nem tudo nessa história é tão real quanto parece!

David S. F. Wilson dirige a produção baseada nos quadrinhos da Valiant Comics, publicados originalmente em 1993!
O diretor demonstra um conhecimento elevado de outras obras da cultura pop, não fazendo referências diretas, contudo nos dando pequenos relances de filmes que tinham uma temática futurista interessante como O Vingador do Futuro e Robocop.
Aqui na verdade, o que importa é colocar o protagonista em ação. Para isso, há uma ênfase nos momentos de combate, justamente para deixar claro em tela a força, a resistência e as capacidades que Bloodshot possui. Mesmo que em alguns momentos o cuidado com essas cenas não seja igual! Quando o personagem de Vin Diesel está em missão, tudo é nítido e acompanha os seus movimentos, gerando sequências coreografadas de forma assertiva, porém o mesmo não pode se dizer dos demais. Um exemplo, a personagem KT de Eiza González, ao entrar em conflito, a câmera se distancia, treme, principalmente para "maquiar" a presença da dublê, sendo que seus movimentos lembram muito outra heroína dos quadrinhos que irá estrear seu primeiro filme solo em breve (Um beijo Viúva Negra). Pancadaria à parte, temos um design de produção bem empregado que cria cenários, figurinos e objetos de cena com cuidado, inventividade, ao mesmo tempo que evoca elementos da páginas dos quadrinhos para dar mais sustentação ao quer ser mostrado em tela.
E por isso, encontramos um dos problemas desta aventura! Por mais que exista um esforço em colocar o herói numa constante catarse de golpes e lutas, os poderes nunca são entregues de maneira plena. Não vemos até onde aquilo vai chegar, simplesmente é comentado, dito e as habilidades de Bloodshot se tornam resumidas a ser mais forte e resistente (E o visual de Bloodshot aparece rapidamente para desgosto de muitos)!
Responsabilidade então do roteiro? Sim, mas precisamos pensar em alguns pontos!




Você fez de mim uma arma e agora ela tá apontada para você
A narrativa trata de vingança, amor e redenção, formando uma tríade de elementos que conduzem o protagonista do seu status de arma tecnologicamente desenvolvida para matar à herói que entende o que precisa ser feito.
Mesmo que para isso o texto não aprofunde em questões importantes como a a real motivação do vilão, o porquê daquele programa existir e quais as funções do demais "aprimorados" quando não estão ao lado de Bloodshot. Tais questionamentos surgem, vão e vem durante toda a trama, entretanto é desta forma que uma história em quadrinhos procede.
Se formos abrir as páginas, o ato de trabalhar com o absurdo, a canastrice e a falta de respostas estão presentes desde a criação das aventuras que envolvem pessoas com habilidades incríveis. Normalmente o gancho fica para o próximo volume, fazendo com que o leitor aguarde e queira adquirir mais daquele produto. Logicamente, existe uma gama de arcos onde tudo é explicado, elaborado e contado com extremo detalhe, mas é justamente esse caminho oposto que Bloodshot demonstra seguir.
Não há uma preocupação em acontecimentos que tratem do equilíbrio entre o bem e o mal, certo e errado, homem e máquina, o importante neste caso é entregar algo que podemos ler visualmente durante a exibição na sala de cinema. Ninguém está ali para discutir o papel da sociedade na formação do herói ou do vilão e muito menos se preocupar com a situação de milhões desaparecidos, queriam um filme sobre uma HQ, eis um filme que abraça todo clichê, ação e absurdos que estamos acostumados a fazer leitura! E isso é bom!

Bloodshot é um clichê repleto de ação saído direto das páginas dos quadrinhos, literalmente!
E isso funciona!
Com uma direção que explora bem a ação do seu protagonista, atrelada a um design de produção que consegue criar toda atmosfera que encontramos da história original, além dos elementos que a cerca, temos uma adaptação que entrega muito mais do que é ser uma HQ, do que outras já conhecidas e estabelecidas no mercado.
Se este é um início de uma nova franquia, somente os produtores e executivos poderão dizer. Existe vontade, existe empenho e existe um personagem que já abraçou todos os absurdos necessários para fazer que isso dê certo.
E de situações absurdas o ator principal entende há muito tempo, lá na sua franquia milionária motorizada! 


Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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