A Maldição do Espelho - CRÍTICA

Terror russo não sabe que caminho seguir: o de sua lenda local ou do enlatado norte-americano?



Chega a ser engraçado o quanto o gênero do terror gosta de trabalhar com as lendas que permeiam as culturas e tradições presentes na sociedade. 
De entidades que vagam por casas à aquelas que se prendem a objetos, há sempre uma manifestação sobrenatural prestes a acontecer quando pessoas são curiosas demais. E partir disso, essa produção russa procura trazer de sua terra um conto que tinha tudo para ser altamente assustador, mas por não saber qual caminho narrativo pretendia seguir, se perde totalmente, esquecendo o item principal:
O medo!

Olga e seu irmão perderam a mãe em um trágico acidente de carro. Logo, os irmãos são enviados para um colégio interno, onde aos poucos vão conhecendo as pessoas e as regras do local. Assim, em uma noite, o pequeno sai vagando pelos corredores após ver sua mãe, isso faz com que Olga e os amigos o procurem, chegando a um local que estava escondido, a câmara da Rainha de Espadas. Lá, eles invocarão a entidade em busca de ter seus desejos realizados, mas isso lhes custará mais do que pensam!

Aleksandr Domogarov Jr. é o diretor da produção que procura criar uma atmosfera de mistério e terror, mesmo que desconhecendo todos os elementos que levem a esta construção.
Logo de início percebemos que tanto em comando da câmera quanto em orçamento sofre esta história, já que sequência que abre o filme acontece de uma forma tão previsível quanto mal gravada. E isso vai se repetindo ao longo das sequências que deveriam assustar!
Cortes são feitos de maneira abrupta, dificultando que entendamos o que aconteceu, objetos de cena mudam de posicionamento, a montagem não auxilia no ritmo (ora vários fatos ocorrem, ora temos que ter uma pausa para o drama familiar) e sem contar que no momento de clímax, é perceptível uma pessoa da produção parada perto de onde tudo acontece. A edição é ágil para esconder o defeito, porém é fácil de achar estranho aquela outra figura sendo que havia um número específico de atores no momento.
E a história? Ao menos isso contribui? 

Tudo isso serve para invocar a rainha de espadas
Respondendo as perguntas do parágrafo acima, não!
Por mais que haja uma base em uma lenda, toda uma mitologia e formas de como aquilo acontecer nada justifica as reais aparições da entidade, principalmente e somente, naquele período!
Ao mesmo tempo, a narrativa se apoia em um amontado de clichês "norte-americanos".
Temos a garota popular, a amiga considerada feia, o rapaz também popular aspirante a cafajeste, o nerd e a protagonista solitária, introspectiva, que precisa entender tudo o que está acontecendo. Um grupo de personas que já vimos em outras histórias e sabemos como tudo termina.
E ainda que as explicações surjam, as inserções aleatórias de novas informações fazem com que o texto se perca ainda mais resultando em situações que não assustam, repletas de atuações caricatas e mal dirigidas.

A Maldição do Espelho certamente é a produção de terror que menos sabe como fazer jus ao gênero em que se encaixa e provavelmente, a pior de 2020!
Com uma direção que não sabe o que faz, nem com a história. tão pouco com o elenco, o que era para ser uma versão aterrorizante de uma lenda, se torna uma caricatura da mesma, estranha e às vezes cômica!
O interessante aqui é que a Rainha de Espadas parece carregar uma mitologia capaz de causar pesadelos em quem ouvir de sua história, mas para que isso aconteça, precisa cair nas mãos de quem sabe contar um conto de terror da maneira correta!
Ou seja, causando muito medo!

Nota: 1/5 (Foi triste madrinha)
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