Para Todos os Garotos: P.S. Ainda amo você - CRÍTICA

A personalidade que se perde para os clichês



O interessante da história de Lara Jean era justamente o quanto ela lidava com os acontecimentos de uma maneira racional, carinhosa e ao mesmo tempo espontânea. O roteiro do primeiro longa, adaptado do livro homônimo, trazia não mais da fórmula de comédias românticas, onde a garota nada popular se apaixonava pelo bonitão descolado e juntos modificam o status quo da escola. 
Os caminhos da protagonistas até o amor eram bem diferentes.
Contudo, nesta continuação, deixamos de lado a originalidade para abraçar os clichês de maneira descarada, o que desfaz ideias estabelecidas, justamente para que houvesse uma parte dois!
E o pior de tudo, é que o longa chega num ponto que o original até se distanciou: o irritante conflito de namoro adolescente! Rende bons momentos? Sim, mas....

Lara Jean e Peter estão indo muito bem!
Encontros, passeios e muito carinho em sua relação.
Porém uma das cartas de Lara Jean encontrou o seu destinatário e ele surge no caminho da jovem justamente em um momento inesperado. Assim, as dúvidas com relação aos sentimentos do passado e do presente irão se confundir, fazendo com que a garota pense bem nas escolhes que fez e irá fazer!

Michael Fimognari é quem comanda a continuação, mas desta vez sem saber como usar os elementos que sua antecessora (Susan Johnson) fez de referência.
A construção cênica criada pelo diretor é interessante, principalmente quando temos os pensamentos de Lara Jean que se tornam as figuras de outros personagens em conversas que rendem momentos engraçados. Ao mesmo, ao se apoiar na comédia de um jeito mais exagerado, até mesmo constrangedor, algumas situações parecem não se encaixar com a protagonista. Tornando a piada um mero adereço mal colocado que não faz jus ao todo que a história quer demonstrar. 
Logicamente, existem algumas referências a outros clássicos das comédias adolescentes, porém nem mesmo estes elementos conseguem deixar a direção com mais personalidade. Ou seja, tudo o que a gente não queria para a história de Lara era que se tornasse genérica, e foi justamente o que o diretor conseguiu construir.
Contudo, graças a Lana Condor, essas discrepâncias não afetam a sua construção de personagem, nem ao mesmo o fato de novamente conduzir a narrativa a sua maneira. Sua protagonista é doce e forte de igual modo, apesar de algumas nuances do roteiro ainda insistirem em atrapalhar a jornada que já havia fechado certos ciclos de Lara Jean. E junto a ela, temos Noah Centineo, que não apresenta nada de formidável ao reviver o papel de Peter, continua sendo o mesmo Noah que é em toda e qualquer comédia romântica. E ainda bem que existe química entre ele e a protagonista.


Você precisa beijar o homem errado para saber o que é certo.
O problema do segundo filme da saga (teremos um terceiro) da jovem que escreveu cartas para suas paixões está justamente em sua narrativa.
Se na produção original, tínhamos a atmosfera do colegial de uma maneira sem se apegar aos estereótipos, aqui há um mergulho completo nos clichês e nas formas mais caricatas de acontecimentos. Por mais que haja momentos engraçados, inusitados e que arranquem do público um sorriso, se tornam esquecíveis poucos segundos depois.
A protagonista cai quando reencontra alguém, a amiga começa namorar alguém popular, o namorado popular da personagem principal demonstra ainda mais o quanto é assediado por todos, a garota vilã ainda se empenha para continuar como antagonista, o núcleo familiar que ganha um adendo com um romance envolvendo o pai. Todos os elementos que já foram usados anteriormente em qualquer outra obra aleatória! O problema não está em sua utilização, mas na forma como é executado. 
O roteiro do primeiro longa conseguia criar situações com personalidade, inteligência a criatividade, aqui tudo soa como mais um "filme romântico adolescente", com dilemas aumentados e diálogos que se tornam sofríveis de assistir. 
O fato que mais causa incômodo é o modo que a protagonista se encontra, em uma jornada que estava pré-estabelecida, o acréscimo de um terceiro elemento ao romance não gera o conflito esperado. 
Esse possível "triângulo amoroso" é disfuncional, sem carisma suficiente para sustentar cenas que poderiam realmente criar uma situação maior, como no momento da casa da árvore. E novamente, Lana Condor opera um "milagre" com o texto, fazendo então Lara Jean carregar a atmosfera de cada sequência sozinha, pois tanto John quanto Peter, se mostram insuficientes para emoção que era necessária.

Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você não consegue o mesmo feito do original, que usou as outras obras do gênero apenas como referências. 
Desta vez, ao assumir o clichê, o exagero, a produção perde personalidade e se torna um filme completamente genérico, com situações e um desfecho completamente previsível. 
Felizmente, graças ao carisma e talento de sua protagonista, a história ainda se torna atrativa e divertida, pois Lana Condor consegue cativar o espectador para ir até o final desta nova aventura romântica. 
Se para Lara Jean foi necessário beijar alguém errado para entender o que era certo, até chegar neste ponto há toda uma narrativa que cancela e reafirma questões que não precisavam existir, pois essa jornada de descobertas já havia sido vivenciada, se tornado aquela famosa "parte dois" igual ao primeiro, só que com situações maiores!
P.S: Esse filme não é ruim, só está longe de fazer jus a sua protagonista!

Nota: 2,5/5 (Quase Lá)
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