O K- Pop e o Empoderamento Feminino - ARTIGO


Annyeonghaseyo pessoas!

Há algum tempo atrás,eu fiz um post sobre a comunidade LGBTQ+ e o K-Pop, hoje eu decidi voltar a falar de um outro tema bem polêmico para a sociedade e para indústria de entretenimento coreana: o empoderamento feminino.

A Coreia do Sul é um país que ainda convive com uma discriminação sexual profunda e constante em sua sociedade. Ideais feministas ou políticas que abordam questões raciais, de gênero ou sexuais ainda são tabu no país.

Mas antes mesmo que questões ligadas ao feminismo e ao empoderamento feminino se tornassem assuntos recorrentes no diversos veículos de comunicação, como televisão e internet, alguns grupos femininos sul-coreanos já demonstraram certa empatia pelo tema, mostrando todo o poder feminino em conceitos confiantes e que exaltavam a força e independência das mulheres.

Um passo “pequeno”, porém de grande relevância, considerando uma sociedade onde o  patriarcado e o machismo ainda mostram-se bastante recorrentes (nada muito diferente do que acontece em terras brasileiras, não é mexmo!?)

Assim como fiz no post sobre a comunidade LGBTQ+ e o K-Pop, para hoje eu separei alguns MV’s que trazem essa representatividade e o empoderamento feminino de forma bem aberta em sua temática – tanto no quesito conceito, quanto na própria letra -.
Prontos para conferir os meus escolhidos? Let’s GO!




MISS A • I Don't Need A Man - “I Don’t Need a Man” foi um single precursor para o empoderamento feminino na Coreia do Sul. Sabemos que, até hoje, a figura masculina ainda é fortemente associada a imagem de provedor financeiro. Caberia ao homem o papel de trabalhar e sustentar a casa, enquanto a figura feminina estaria restrita ao trabalho doméstico e ao cuidado com os filhos. A letra de “I Don’t Need a Man” quebra com essa ideologia machista e ultrapassada ao apresentar um eu-lírico feminino totalmente independente, que não vê necessidade em encontrar um parceiro para ajudar no seu sustento, ela é completa por si só. E estamos falando de uma música de 2013, época em que o feminismo ainda não era uma pauta abordada frequentemente nas redes sociais!





GIRLS DAY • Female President - Outro single lançado durante um período em que pautas relacionadas ao feminismo e ao empoderamento feminino ainda não costumavam ser assunto recorrente nas redes sociais. A letra de “Female President” coloca a figura feminina no comando, rompendo com a ultrapassada ideologia de que as mulheres devem apenas aguardar pela iniciativa dos homens em um relacionamento amoroso. O eu-lírico se mostra uma figura confiante e ousada, que não se importa com os julgamentos da sociedade machista e está determinada a confessar seus sentimentos pelo seu amado. E ainda estimula que todas as mulheres façam o mesmo! Coincidentemente, o single foi lançado no mesmo ano em que a presidente Dilma Roussef foi eleita para o seu segundo mandato. Vale lembrar que Dilma foi a primeira mulher na história do Brasil e se tornar presidente.





MAMAMOO • AHH OOP! & Yes I Am - Mamamoo é um grupo repleto de mulheres empoderadas. Bem humoradas, independentes e donas de um estilo único, as integrantes do Mamamoo fogem aos padrões estéticos coreanos, principalmente a mais nova do grupo, Hwasa, que caiu nas graças dos brasileiros e estrangeiros pela sua pele bronzeada e suas curvas. Mas a aparência e a personalidade não são os únicos aspectos que tornam as integrantes do Mamamoo uma representação do feminismo e do empoderamento feminino da Coreia do Sul. Em algumas de suas músicas, as meninas deixam claro que não aceitarão comportamentos inadequados por parte dos homens. A primeira faixa que merece ser destacada é “AHH OOP!”, parceria entre o quarteto e a cantora eSNA. A letra comunica-se diretamente com o público masculino, realizando um alerta a respeito de questões como assédio e consentimento. Algumas frases da música se destacam, como “just look, don’t touch” — “apenas olhe, não toque” — e “gotta respect the girl” — “[você] deve respeitar a garota” — , que deixam claro que os homens devem respeitar os limites femininos durante uma aproximação.





Enquanto a letra de “AHH OOP!” estabelece uma conversa entre as integrante do Mamamoo e o público masculino, a letra de outro single lançado pelo grupo, “Yes I Am”, traça um diálogo direto com o público feminino. A faixa aborda um tema bastante comum ao cotidiano feminino: os padrões estéticos estabelecidos pela sociedade e a forma como estes afetam tanto a saúde física quanto a saúde psicológica das mulheres. Ao longo da faixa, o público feminino é apresentado a um eu-lírico confiante, que, mesmo consciente de que está fora dos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade sul-coreana, ainda é capaz de cultivar o amor próprio. As integrantes, a todo momento, falam a respeito de si mesmas, mas são capazes de atingir ao público de maneira geral. Por que as mulheres precisam se preocupar com questões como peso ou vestir-se da forma como a sociedade espera que elas se vistam? Por que as mulheres precisam estar sempre maquiadas para sair? Por que uma mulher coreana deve ter um rosto fino e pálpebras duplas quando pode amar a si mesma com seu rosto arredondado e suas pálpebras simples? Esses são os questionamentos levantados pelo MAMAMOO nessa música!




CLC • No Oh No - Engana-se aquele que acredita que girlgroups que seguem o conceito fofo possuem apenas letras açucaradas e repletas de clichês sobre relacionamentos amorosos. As meninas do CLC trouxeram à tona um assunto de grande importância — o assédio contra menores de idade — nas letras de uma das suas músicas, “No Oh No”. O eu-lírico da faixa é apresentado como uma garota jovem, aparentemente menor de idade, que estabelece um diálogo com um personagem fictício do sexo masculino. Ao longo da faixa, podemos perceber que o eu-lírico resiste às investidas do seu interlocutor e deixa claro que, apesar de sua aparência madura para sua idade, ainda não se sente pronta para se envolver em um relacionamento amoroso e deseja que as investidas cessem.




Os vídeos com temáticas que fortalecem e exaltam a força feminina têm se tornado algo bastante frequente no cenário do K-Pop, e que bom que isso está acontecendo. Daí você me pergunta: tá, mas porque a música pop sul-coreana precisa tanto do feminismo? Constantemente, os fãs que acompanham de perto os lançamentos dos grupos femininos percebem o quanto o machismo está presente nas emissoras de televisão e entidades responsáveis pela avaliação do conteúdo para a exibição na televisão. Vários girlgroups foram obrigados a fazer alterações em suas coreografias, letras ou figurinos por conta da censura, que os avaliou como “sensuais demais” para serem televisionados. Grupos como AOA e EXID foram obrigados a mudar suas coreografias por causa dos movimentos considerados insinuantes demais. E até mesmo Dal Shabet, nos anos em que fazia conceito fofo, recebeu críticas por fazer um conceito infantilizado demais, que estaria estimulando a pedofilia. Recentemente, Solar (Mamamoo) foi obrigada a trocar de figurino durante as promoções de “Starry Night” porque a roupa estaria expondo muita pele. Enquanto isso, boygroups usam roupas com transparências ou expõe seus corpos normalmente. E Irene (Red Velvet) está sendo atacada por “fãs” masculinos por ter lido um livro feminista.

Precisa explicar mais? Acho que não, né?
Antes de ir deixo um presentinho pra vocês. 
Outras duas músicas icônicas sobre empoderamento feminino. Segurem os forninhos:

SNSD – YOU THINK - Injusto falar de empoderamento feminino e não citar as rainhas do K-Pop. Melhor do que ninguém, as garotas do Girls Generation (SNSD) sabem como dar um chega pra lá com estilo nos boys que se acham a última coca-cola do deserto. You Think é a prova disso.




AILEE – I WILL SHOW YOU - Ailee, a nossa Beyoncé coreana, é um outro grande exemplo de empoderamento feminino e também ensina que garotas não precisam de relacionamento tóxico disfarçado de conto de fadas para serem felizes. Amor próprio já basta.





Isso é tudo por hoje. Não deixem de comentar, e até semana que vem! ;*



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