O Grito (2020) - CRÍTICA

O terror que não sustenta o terror



Atualmente a nova "mania" hollywoodiana é tentar reciclar franquias através de reboots que necessariamente não reiniciam a série, mas percorrem um outro caminho sem ignorar o que foi feito antes, e em poucos casos, até melhorando. 
O Grito teve seu primeiro filme lançado nos anos 2000, sendo refeito em 2002 e ganhando uma versão norte-americana em 2004. Ao longo dos anos, a saga dos fantasmas amaldiçoados teve um total nove produções, além de uma onde enfrentam outra entidade japonesa, aquela dos filmes O Chamado.
Assim, na tentativa de criar uma nova gama de espectadores, a produção de 2020 evoca os elementos presentes na série, referencia a primeira obra ocidental, optando por uma estética assertiva, mas acaba esquecendo justamente do essencial para realmente dar certo, causar o terror que se propõem.

Em uma cidade do interior, uma família foi brutalmente assassinada em uma casa e desde então o caso se tornou um grande mistério para as autoridades. Até uma nova detetive começa a investigar uma ligação entre este crime e novos acontecimentos envolvendo outros moradores da casa. Logo, a policial irá descobrir que há muito mais que uma semelhança, há uma maldição que começou no Japão e que agora precisa ser detida antes que mais pessoas sejam mortas.

Nicolas Pesce dirige a nova produção que tem como produtor, um nome conhecido do gênero do terror, Sam Raimi
O diretor escolhe contar sua história de uma maneira interessante e até mesmo presente em outros filmes da franquia, indo e voltando no tempo para contextualizar o que ocorreu e o que está prestes a acontecer com quem adentra o local amaldiçoado. E de um jeito eficaz essa montagem dá um ritmo que instiga o espectador criando uma atmosfera de suspense e mistério, por mais que já saibamos do que se trata, a visão pelo ponto de vista da protagonista deixa tudo com um ar de novidade, o que garante uma longevidade para a ideia de Pesce ao percorrer uma estética nada linear ao contar sua narrativa. 
Entretanto, por mais que essa construção seja interessante não há sustentação quando falamos de empregar o terror da forma como deve ser. As sequências de susto são previsíveis, a movimentação de câmera não é nada inventiva e a utilização da trilha sonora serve apenas para aumentar o volume quando algum rosto medonho surge em tela. Desta forma, por mais que haja personalidade ao se contar a história, tudo isso se perde em momentos onde nada é novidade, é como se fosse uma grande reciclagem dos filmes anteriores, só que em outro contexto, cenário e personagens que nada de cativantes possuem.

É como se nesse lugar as paredes que separam esse mundo do próximo não existissem.
Assim, a narrativa segue o mesmo padrão dos outros filmes da franquia.
Existe uma maldição numa casa!
Quem entra acaba sendo alvo da maldição!
Uma série de manifestações sobrenaturais começam a ocorrer.
Então a pessoa morre!
Logicamente, isso não é o que ocorre com a protagonista (Andrea Riseborough), a detetive Muldoon, que possui um plot interessante e convincente à medida que a história vai ganhando forma. 
De certa forma, a elaboração das pistas, as leituras dos casos anteriores, transformam esses momentos da personagem na visão do espectador, dando ao roteiro um estilo interessante de desenvolvimento (Como a utilização do nome da manifestação fantasma em japonês e a forma de tudo acontecer), porém acaba se perdendo por conta das fracas inserções de terror. 
É como se o texto estivesse focado em criar uma atmosfera onde o medo estivesse mais presente no âmbito psicológico, contudo ao se tratar de um terror franquiado, era necessário utilizar cada vez mais os elementos dos outros 'O Grito', logo perdemos toda a criatividade que se tenta fomentar nos mais de 90 minutos de exibição. Chegando então a um clímax inconsistente e que termina de massacrar ainda mais as particularidades nos dois minutos finais da produção!

O Grito (2020) ao tentar ser um terror para uma nova geração acaba usando os acontecimentos passados para ditar sua forma de criar a atmosfera de medo, perdendo então a chance de ser um fôlego novo para a franquia. Por mais que o diretor tenha criatividade ao construir a história, as inserções das sequências de pavor não funcionam como esperado, tornando esse novo capítulo um "mais do mesmo" desnecessário.
Este é um claro exemplo onde uma boa ideia acaba encontrando uma ação mal empregada, talvez não seja culpa da direção, ou do roteiro e sim da própria vontade de refazer um sucesso que não se encaixa nas expectativas atuais.
Na verdade, está na hora de Hollywood aprender a não mexer mais com o que é dos outros, porque de maldições, já bastam essas versões de filmes!

Nota: 2/5 (Regular)
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