Luta por Justiça - CRÍTICA

Um filme necessário, importante & arrebatador



Uma produção que traz como cenário grandes julgamentos sempre rende momentos emocionantes na sala de cinema. Principalmente quando a legenda surge explicando que tudo aquilo é "baseado em fatos reais"
Logo, para dar vida ao caso de Walter McMillian, um homem negro acusado em 1987 de ter matado uma jovem branca no Alabama, há muito mais do que simplesmente situações piegas e que extrapolem os sentimentos. Encontramos um discurso importante para os dias atuais e que levanta questões a serem debatidas, tudo isso pautado em ótimas performances de Michael B. Jordan e Jamie Foxx, nos levando a entender como funciona o sistema que cerca a justiça, a forma como pessoas negras são tratadas e como culturalmente o racismo se torna tão intrínseco a ponto de condenar quem sequer estava no local onde um crime ocorreu!
Prepare o coração ao entrar na sessão desta obra!

Walter McMillian é um prisioneiro aguardando a sentença no corredor da morte. Diversos advogados já passaram pelo seu caso, até que Bryan Stevenson assume o lugar como representante do acusado. Logo, uma jornada em busca de provas e testemunhas começa, fazendo com que o jovem advogado consiga as evidências necessárias que comprovam a inocência de seu cliente, o levando então a uma batalha maior que não será apenas dentro dos tribunais, mas envolvendo o sistema judicial norte-americano.

Destin Cretton dirige e também assina o roteiro do longa que trata de abordar as questões raciais, do sistema prisional e da justiça americana sob o olhar de quem vive a margem da sociedade.
A direção se preocupa em todo tempo criar um paralelo entre duas realidades distintas, ainda que vivendo na mesma cidade. A câmera faz questão de reproduzir tomadas onde o que muda é apenas o cenário, porém o trabalho de transição serve justamente para que sejamos impactados pela diferença cultural e social do ambiente em questão.
Ao mesmo tempo, a escolha de posicionamento a cada cena se torna completamente imersiva, indo da forma estática até o subjetivo, deixando com que ganhe liberdade nos momentos finais quando estamos dentro do tribunal. Isso faz com que atmosfera da produção ganhe um clima de tensão a medida que a história vai apresentando novas informações através do protagonista, fazendo com que o ritmo jamais perca fluidez, levando o espectador a ficar atento a tela de uma maneira arrebatadora. Logicamente, o trabalho de direção dos atores é exímio, dando a Michael B. Jordan uma presença cativante, forte e ao mesmo tempo vulnerável. Rendendo ao ator cenas de emoção extrema, impossíveis de conter as lágrimas. 
Da mesma forma, Jamie Foxx nos entrega uma atuação coesa para com a situação do personagem, nos levando a um misto de emoções do começo ao fim da película. 
Tudo isso se dá também pela forma como o roteiro é construído, facilitando o trabalho de conduzir a trama no caminho adequado até o clímax!


Não importa como você trate uma pessoa branca. Nem que diga: "bom dia, boa tarde ou boa noite"! Pois se eles puderem te acusar sem provas, sem digitais, eles farão!
Quando pesquisamos sobre o caso de Walter McMillian e como ele foi acusado sem ao menos existirem provas ou testemunhas que pudessem ser ouvidas, passamos a entender muito mais que a história da produção quer nos mostrar. 
Todo o contexto de como pessoas negras são tratadas nos Estados Unidos veem à tona para revelar como o racismo e o preconceito se tornam muitas vezes o combustível para que pessoas inocentes sejam alvo das condenações, prisões, em alguns casos, à pena de morte!
O texto, por sua vez, não quer pautar apenas por esse ângulo, muito menos se tornar panfletário de uma maneira banal, pois ao entendermos como os interesses políticos também se tornam evidentes, encontra-se uma maneira de revelar que o sistema judiciário também envereda por caminho distante daquilo que deveria se basear, a justiça.
Para isso, a figura de Bryan se torna essencial, como um bastião daquilo que deve ser defendido diante de um tribunal e ao passo que são reveladas a situações para que sua defesa seja montada, a história vai capturando cada vez mais a empatia do espectador. Tal empatia que pode levar qualquer um às lágrimas, principalmente quando estamos vendo as consequências do corredor da morte, acompanhada da trilha de “The Old Rugged Cross” (A Mensagem da Cruz) e da manifestação de "adeus" dos presos, ou quando as tentativas do jovem advogado batem de frente com interesses particulares do estado em questão.
Ao final, a produção abre a possibilidade de inúmeras discussões que vão desde o racismo que culturalmente se faz presente na sociedade até a forma como as investigações criminais ocorrem, tornando esta uma das melhores obras de 2020.

Luta por Justiça é necessário, importante e arrebatador!
Com uma direção que sabe como trabalhar o roteiro a seu favor, a história ganha nuances de diversos gêneros, nos trazendo uma catarse emocional a medida que a narrativa vai encontrando forma e nos levando a pensar em tudo o que nos cerca. Logicamente, as performances de Michael B. Jordan e Jamie Foxx fecham esse pacote cinematográfico de extrema competência.
Ao sair da sala de cinema, certamente, por pelo menos cinco minutos, você ficará pensando em tudo o que viu. E se for ainda mais contemplativo, irá relembrar casos que aconteceram recentemente no Brasil, nas histórias noticiadas e nos discursos em palanques.
Pois lutas diárias por justiça ocorrem, algumas conhecidas, outras nem tanto e existem aquelas que ainda queremos saber o que aconteceu, e se um filme nos gera a capacidade de questionar tudo isso, façamos do seu discurso também algo a ser reproduzido!

Nota: 5/5 (F*D@ PR% CAR@LH*)
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