Jojo Rabbit - CRÍTICA

Uma sátira necessária nos dias de hoje


A Segunda Guerra Mundial é até hoje fonte de inspiração para inúmeras obras na sétima arte. 
Desde os dramas mais intensos até as obras de terror onde encontramos zumbis nazistas, os fatos surgem em tela para retratar parte de acontecimentos que não podem ser esquecidos. E permear esse caminho entre a seriedade e a comédia não é fácil, ainda mais se tratando de um dos momentos mais tristes da história da. 
Contudo, Taika Waititi consegue através de uma forma lúdica, passando pela crítica, chegando à emoção, contar uma narrativa onde em meio ao caos é possível encontrar esperança para que um dia se possa andar livremente pela rua sendo quem você é.
Neste caso, dançar!

Jojo é um garoto alemão que desenvolveu um fanatismo pelo nazismo, a ponto de ter como amigo imaginário a própria figura nefasta de Adolf Hitler. Após um incidente em um acampamento para jovens recrutas do exército, ele passa a realizar trabalhos pelo partido nazista. Até que um dia descobre que sua mãe esconde no sótão de sua casa, uma jovem judia, com quem agora Jojo começa a se relacionar, colocando em questionamento tudo aquilo que aprendeu sobre a guerra.

Taika Waititi é quem dirige a produção, adaptada da obra literária 'O Céu que nos Oprime' de Christine Leunens, porém deixando o drama de lado, e se apoiando mais no satírico para contar sua história sobre fanatismo e mudança de pensamento.
O diretor mescla muito bem a inocência com a servidão imediata de alguns personagens para elevar o tom cômico em momentos que ao mesmo tempo, conseguem chocar o público. Principalmente pela forma como é entregue a veracidade dos fatos. Parra isso, o trabalho de design de produção, figurinos e fotografia ganha força, demonstrando então duas faces do mesmo local. Quando estamos na casa de Jojo, há um colorido, a fotografia é clara, aconchegante, com tons quentes por todo lado, porém, ao sairmos pela cidade ou adentramos o salão do escritório nazista, o cinza, as cores fechadas e a atmosfera que beira o fúnebre toma conta da tela. Esse jogo imagético vai se tornando uma peça fundamental da direção de Taika, que consegue ir da emoção à comédia com um controle excepcional. Sem deixar cair ao pastiche e muito menos se tornar um dramalhão desenfreado. 
Logicamente a presença de Scarlett Johansson é fundamental para isso. A postura grandiosa mesclada com uma doçura, fazem com que os momentos onde Jojo (Roman Griffin Davis) e ela entram conflito sobre os acontecimentos ao redor, se tornem agridoces para o espectador. 
E isso seja o grande trunfo de quem comanda a obra, um gosto sútil com notas amargas para fazer com que todos pensem no que está sendo tratado!

Eles nunca vencerão.
Amor é a coisa mais forte do mundo!
Juntamos isso ao roteiro, também elaborado por Taika Waititi, que usa da sátira para então adentrar os pensamentos de quem assiste, nos lembrando da gravidade através obediência cega alemã no período da segunda guerra. 
Para isso, a narrativa vai revelando (de uma maneira tragicômica) como pensava o partido nazista, as formas de convencimento e a maneira como falavam sobre os judeus e os demais inimigos. Chegando a soar como um "telefone sem fio", onde as informações apenas ganhavam cada vez mais nuances grotescas, sem base alguma com a realidade (qualquer semelhança com os seguidores do atual presidente do Brasil não é mera coincidência). E neste contraponto, a personagem de Rosie, mãe de Jojo é fundamental para ir aos poucos quebrando o discurso de ódio tão arraigado na vida do filho. Contudo, no que poderia ser o momento de maior embate entre os dois, ela demonstra através do carinho, da simplicidade e fatos concretos, que todo totalitarismo uma hora chega ao fim. Seja do partido que está governando o país, seja no filho que ainda não consegue amarrar os sapatos sozinho, mas acha que pode lançar granadas.
Ademais, a construção cômica vai ganhando força, principalmente na presença de Adolf Hitler, que quando começa discursar solta inúmeras verborragias, sem qualquer fundamentação, para tentar impor aquilo que aos seus olhos é o correto, porém para alguns essa brincadeira textual possa até mesmo minorar a figura anômala conhecida e suas intenções. Eis então uma linha de pensamento preocupante em certos momentos da película.

Jojo Rabbit é uma sátira importante para os dias atuais, principalmente quando o nazismo serve de inspiração para declarações ou se torna um atrativo para que pessoas se baseiem como força de impostar o seu discurso. 
Com uma direção que consegue criar uma atmosfera repleta de dualidade, atrelado ao seu texto cômico, impulsiona crítica a cerca desse movimento político tão odioso e suas formas de ação. Revelando o quão acéfalos eram aqueles que seguiam cegamente o regime. 
E quando chegamos ao desfecho, em meio as lágrimas que caem entendemos a importância de acreditar na liberdade, na mudança e principalmente, nos fatos como eles realmente são. 
Pois quando o totalitarismo acaba, só resta celebrar com a melhor dança possível e isto a história sempre se encarrega de promover!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)

Jojo Rabbit concorre a seguintes categorias do Oscar 2020:

Melhor Filme
Melhor Atriz Coadjuvante - Scarlett Johansson
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Figurino
Melhor Direção de Arte
Melhor Montagem
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