Joias Brutas - CRÍTICA

Adam Sandler merecia estar na categoria de Melhor Ator e podemos comprovar



Azar!
Uma das condições que conseguem tirar qualquer pessoa do rumo na vida! Tentativas e mais tentativas para se conquistar algo, chegando ao final, nada do que foi planejado dá certo! E o personagem de Adam Sandler em Joias Brutas entende muito bem desse caminho, mas antes de adentrarmos tudo o que faz a narrativa trilhar esse caminho, há toda uma construção repleta de personalidade para que a história entregue uma descontrolada corrida em busca por acertos, atrelada uma das atuações mais fortes da temporada. Infelizmente esquecido pelo Oscar!
E isso foi uma questão de azar maior ainda!

Howard Ratner é um joalheiro que precisa pagar diversas dívidas, mas para isso ao se envolver em jogos as coisas vão ficando mais complicadas. E quando uma opala muito rara chega até suas mãos, eis a chance de mudar completamente os rumos que sua vida leva, contudo o caminho até as conquistas não será nada fácil!

Josh Safdie e Benny Safdie estão à frente da produção de uma maneira nada convencional ao contar uma história quase ininterrupta de tentativas na vida. 
Com um estilo livre de movimentação de câmera e nos diálogos, parece que estamos assistindo às conversas do dia a dia, onde se fala quase que de forma "atropelada", entregando várias informações e nuances das personagens em questão. Essa liberdade cênica dá um ritmo a trama que vai ganhando cada vez mais tensão e força à medida que novas situações chegam até o protagonista. Para isso, a atmosfera de suspense surge como uma ferramenta que os diretores conduzem todos os instantes, desde um rápido encontro na rua, até um jantar em família. 
Tudo se torna predisposto a dar muito errado, isso se deve também a montagem do filme, os cortes rápidos que logo abrem espaço para planos mais longos e novamente a sensação de perigo iminente toma conta da tela, deixando então para que Adam Sandler traduza através de sua atuação o que está para ocorrer. 
O ator entrega medo, apreensão, ansiedade e esperança em sua voz, movimentos e olhar. Há sempre um gesto que se repete, pautando então que o seu personagem está tentando modificar algumas coisas de sua vida, porém conseguimos ir da empatia ao total desprezo pelo mesmo em poucos segundos, elevando ainda mais a qualidade da produção.


Eu sou assim!
É assim que eu ganho!
O roteiro então demonstra toda a capacidade do ser humano em tentar reverter situações que sejam impossíveis.
Para isso, a jornada de Howard por apostas, leilões e negociações assumem uma figura de pequenos "vilões" a serem derrotados em um cotidiano onde os problemas se tornam cada vez mais próximos. Um casamento falido, uma relação com outra pessoa que não se sabe onde vai parar, a fraca aproximação para com os filhos e lógico, os credores que surgem querendo o seu dinheiro de qualquer forma. E por mais que protagonista conte com a sorte nisso tudo, o azar assume formas cada vez mais perigosas
Se uma gema precisa ser vendida, o preço final não era o que se esperava.
Se um trato é feito com uma pessoa famosa, o não cumprimento gera consequências terríveis.
E quando tudo parece se resolver, a tensão se torna ainda mais presente, nos fazendo adentrar essa trajetória repleta de imprevisibilidades, com uma atmosfera pautada num suspense palpável, agressivo e mortal.
Pois é normal que venhamos desejar um desfecho otimista, feliz e com a maioria dos problemas resolvidos, contudo a narrativa ainda reserva mais e mais quedas, nos mostrando então que não se trata de uma história que possua algum resquício de otimismo!

Joias Brutas é uma jornada pelas agruras do dia a dia, que levam o ser humano a todas as atitudes possíveis.
Com uma direção que usa do suspense para pautar a sua narrativa, dando uma atmosfera de tensão a quem assiste, a produção ganha ainda mais relevância graças a atuação de seu protagonista que consegue ser uma verdadeira amálgama de todos os sentimentos latentes.
Se injustiças existem, a vida de Howard está repleta de várias, justamente fazendo uma alusão ao seu intérprete, pois se Adam Sandler não foi indicado ao Oscar este ano, talvez o azar presente em seu personagem o tenha perseguido, tal e qual o seus cobradores durante o filme!
Ele merecia estar na categoria de Melhor Ator e a comprovação está aí!

Nota: 4/5 (Ótimo) 
Tecnologia do Blogger.