Dolittle (2020) - CRÍTICA

Aventura repleta de desafios não sustenta roteiro apático



Dr. Dolittle é uma figura que já ganhou outras duas versões no cinema. Uma de 1967, com mais de duas horas de duração e números musicais, e a mais conhecida, com Eddie Murphy em 1998, com aquele tom de humor conhecido do astro do cinema, que rendeu uma continuação direta e outras que não fizeram o mesmo sucesso!
Agora, essa persona que sabe falar com animais e os cuida com muito carinho, se encontra na presença carismática de Robert Downey Jr., que apesar de carregar consigo a popularidade dos filmes da Marvel, não apresenta algo de novo a essa história, que infelizmente entrega uma aventura repleta de possibilidades fantástica, mas não possui a capacidade de capturar a simpatia do público!

Dr. Dolittle vive em um refúgio para diversas espécies de animais, porém ele se encontra afastado de tudo e todos, por conta de uma grande perda. Só que ao saber que a rainha Victoria se encontra doente e o seu lar pode estar ameaçado, o médico dos bichos parte em uma viagem pelos mares mais perigosos à procura de uma cura que possa salvar vossa majestade e o local que tanta ama!

Stephen Gaghan dirige a produção, tentando mesclar o tom vitoriano do clássico de 1967 com o lado cômico do filme de 1998. Contudo, não consegue se aproximar de nenhum desses!
Por mais que os momentos onde Dolittle interage com os animais sejam um exercício grande no comando para atuação de seu protagonista, tudo aqui soa como uma aventura genérica, previsível e sem qualquer momento de real deslumbre.
As ameaças não são tão maldosas assim, os desafios são vencidos com rapidez e o ritmo se torna um inimigo total da produção. No primeiro ato há todo um esforço para mostrar as habilidade do Doutor, mas logo caímos em diálogos nada inteligentes, atuações caricatas e um emprego dos efeitos visuais que beiram o amadorismo. Principalmente quando precisa dar o complemento nas poucas sequências de ação.
Aliás, quando adentra o aspecto aventureiro o filme até ganha um ar interessante, porém que se deixa desvanecer graças a uma problemática que logo de início já entrega o culpado, a razão e a motivação.
Logicamente existe todo um esforço para dar vida as criaturas, principalmente nas dublagens através das performances de Tom Holland, Emma Thompson, John Cena, Octavia Spencer e Selena Gomez. E fica na figura de Robert Downey Jr. a difícil tarefa de dar força maior a uma história tão simplória. O ator consegue capturar a atenção com os trejeitos e forma excêntrica de agir, mas lhe falta humor para tornar tudo ainda mais aceitável!
Entretanto esse é um problema também narrativo!

Não temos escolha, ao não ser embarcar nessa jornada.
A história se baseia em dar ao personagem principal um ar de explorador maior do que o de médico em si. 
Para isso, ao colocar em uma jornada pela vida da rainha da Inglaterra, Dolittle se torna uma figura que transmite conhecimento através de suas ações na hora de ajudar os animais e de ensinar seu "aprendiz", que o relaciona de volta com o mundo humano.
Todavia essa construção do texto não carrega o peso necessário para se sustentar até o final da produção. A perda do protagonista se torna esquecível a medida que o filme avança, a relação com um personagem mais jovem e curioso não possui nada de novo e a solução para o conflito inicial ocorre de forma rápida, fazendo com que sua revelação seja cercada de uma previsibilidade quase incômoda, devido ao início da obra, onde temos a clara interpretação de quem possa estar fazendo aquilo.
Ao mesmo tempo, o humor se perde em piadas que não se encaixam, falas regadas a um discurso clichê e situações de cômicas que estão mais atreladas aos animais, fazendo com que o protagonista não pareça confortável com a situação. Essa nova versão de Dolittle ao tentar encantar com os inúmeros animais e um elenco estrelado emprestando as vozes, se esquece da originalidade e da personalidade que poderiam ser elementos importantes para contar essa nova aventura de uma maneira ainda mais peculiar!

Dolittle (2020) é uma aventura interessante, mas que se perde ao não conseguir ser encantadora o suficiente e tão pouco engraçada na medida certa.
Com uma direção genérica, onde o roteiro é um "mais do mesmo" de outras histórias, até mesmo das outras versões do protagonista, a produção vale mais pela presença de Robert Downey Jr., do que por sua construção em si!
Se o médico/explorador que consegue falar com os animais ainda é uma figura que rende boas histórias aos olhos de Hollywood, esta aqui não é demonstração mais correta disso, principalmente porque basear tudo o que ocorre no carisma e popularidade do seu protagonista, foi uma escolha nada assertiva! 
Entre grunhidos, cacarejos, latidos, Dolittle se torna tão esquecível quanto o nome que está na frente do santuário do doutor!

Nota: 2/5 (Regular)
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