Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco - Parte II - CRÍTICA

E a batalha das doze casa é iminente


Para os mais saudosistas, a nova versão de Cavaleiros do Zodíaco é praticamente uma afronta a toda a sua memória afetiva, aos momentos da infância e principalmente ao espírito que o anime transmitia na antiga tv Manchete. Mas deixando de lado esse pensamento tão ultrapassado e repleto de argumentos que não sustentam uma afirmação, a nova versão da produção japonesa, famosa no brasil na década de 90, chegou a sua segunda parte na Netflix, mostrando que sua capacidade de enxugar fatos e ir para onde se deve na narrativa é excepcional! Sem enrolações, sem diálogos estendidos e sem a famoso apelo por vocativos (aqueles momentos que eles ficam sem parar chamando o nome de cada um), tudo aqui é fluido e direto ao ponto!
Para desespero do nerd saudosista!

Após enfrentarem Ikki de Fênix, os cavaleiros de bronze são resgatados da explosão do vulcão! Porém, o que parecia ser um breve instante de paz, logo é interrompido pelos cavaleiros de prata, que por ordens do Santuário, devem matar os defensores de Atena e principalmente, a jovem que se diz a deusa da guerra. Para isso, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya irão combater essas novas ameaças apesar de um perigo maior estar se aproximando!

Corrigir os erros do roteiro original parece que se tornou o trabalho da nova versão de Cavaleiros do Zodíaco criada pela Netflix. A cada parte liberada vemos que a empresa de streaming, além de se preocupar com o material base está fazendo um trabalho de otimizar tempo, acontecimentos e aparições para dar um ritmo mais interessante. 
Essa escolha faz com que os momentos sejam mais ágeis e dinâmicos, pautadas pelo o que é necessário ser dito e mostrado. 
Não encontramos aqui aquelas falas que não parecem ter fim ou as repetições de informações constantemente, algo é dito, algo é feito e seguimos o caminho ao lado dos Cavaleiros. Ponto.
Isso torna a produção um atrativo maior, tanto para os mais novos (que pouco tiveram contato ou nada conhecem dos defensores de Atena), quando para os que já são fãs da franquia. Pois os elementos clássicos estão lá, nada sofreu uma mudança tão desesperadora a ponto de causar maiores manifestações contrárias ao desenho.
Ademais, o design de produção em compasso a computação gráfica é um show à parte! As armaduras ganham ranhuras e rachaduras pós batalhas, permanecendo assim ao longo dos episódios. Demonstrando que realmente houve danos para cada um, da mesma forma, quando somos apresentados aos Cavaleiros de Ouro, a qualidade técnica se eleva, deixando aquele desejo de "quero mais" no espectador. Algo que certamente será suprido na próxima parte do anime!


Entretanto, essa "otimização" de ritmo perde força quando se trata de desenvolvimento de personagens. Nessa segunda parte pouco vimos de Shun, Hyoga e Shiryu. Logicamente, Seiya é o protagonista, e desta vez recebendo o título de líder pelos demais, mas há um esquecimento total dos demais cavaleiros, sendo que sua primeira aparição nesse retorno dos episódios, acontece de maneira tão abrupta, que se o espectador piscar, perdeu o que aconteceu e até a explicação de onde estavam. E isso deixa de lado nuances que poderiam ser tratadas. 
O crescimento das personalidades dos cavaleiros se dá apenas para um, os demais orbitam esse jogo textual como se esperassem o momento de realizar algo, mas acontecendo de forma tão automática, que mesmo que Shun derrote dois adversários e Shiryu tire a visão, os coadjuvantes cada vez mais se tornam apenas figuras para compor o cenário!

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco - Parte II, da Netflix, continua cumprindo bem o seu papel de utilizar o material original para dar um novo ritmo para uma história clássica dos animes e mangás. Com uma produção que eleva a parte técnica a cada nova gama de episódios, visualmente tudo aqui é bonito, atrativo e mesmo aquilo que aparece rápido, já gera aquela vontade de querer um pouco mais. Contudo, o dinamismo da história pode acabar por ofuscar certos personagens, os deixando com meras aparições que nada acrescentam a trama, perdendo então sequências que poderiam ser ainda mais emblemáticas nessa nova versão.
Ao final, sabemos que a batalha das doze casas se aproxima e assim chegamos ao ápice de um dos arcos mais sensacionais de Cavaleiros do Zodíaco! Até porque, quando Leão e Virgem surgem já causa um certo arrepio, mas não tanto quanto a breve demonstração de poder de Gêmeos!
Não entendeu? Vai lá assistir!
Tecnologia do Blogger.