Harley Quinn (Animação) - REVIEW

A emancipação de Arlequina começa na animação


Arlequina se tornou uma das personagens mais populares dos últimos tempos. Oriunda das antiga série animada do Batman e logo após adentrando o universo dos quadrinhos, a vilã, ou anti-heroína em alguns casos, foi conquistando cada vez mais espaço nas mídias. Não atoa, que em 2016, com Esquadrão Suicida, Margot Robbie deu vida a parceira do Coringa e em fevereiro deste ano, seu longa ao lado de outras heroínas da DC irá estrear.
Mas o nosso assunto aqui é a série animada que a personagem está estrelando no serviço de streaming da DC Comics e desta vez seu protagonismo se torna um discurso poderoso que aborda de maneira cômica, assertiva e violenta, os caminhos para sair da sombra que de quem nunca se importou com a figura de Harley!
Os dias de reinado do palhaço do crime estão contados!

Arlequina está cansada de seguir as ordens do Coringa e desta vez o relacionamento dos dois acabou! Porém, como ela pode seguir o seu próprio caminho se os demais vilões de Gotham e até mesmo o Homem-Morcego ainda a tratam como uma simples ajudante? Chegou a hora de mostrar do que ela é capaz, até mesmo montando sua própria equipe de vilões, tudo isso com a ajuda de sua fiel amiga, Hera Venenosa!


Harley Quinn até o momento possui oito episódios de no máximo 25 minutos, disponíveis no serviço de streaming da DC Comics (Ou no torrent mais próximo). A produção não é infantil, e este é um ponto que precisamos deixar claro logo de início. Se você espera encontrar algo que lembre as demais obras da editora para televisão, está enganado! Harley Quinn é uma animação adulta e sabe muito bem como trabalhar desta forma. O uso de uma violência gráfica despretensiosa, palavrões, piadas de conotação sexual e cenas no mesmo teor, permeiam a série e isso faz total sentido com a história que quer ser contada.
Aqui encontramos então uma Arlequina que se vê querendo ser individual em sua própria jornada, trilhando um caminho que requer não apenas provar o quanto é capaz de causar maldades maiores que os demais vilões da cidade, mas passar por cima do machismo, preconceito e insinuações constantes de todos que estão a sua volta.
Isso fica evidente a medida que vamos entendendo mais sobre quem foi a personagem, seu passado e até mesmo sua estranha relação com o Coringa. Para isso, a narrativa nos ajuda com episódios específicos para que tais fatos sejam apresentados, como a viagem pela mente de Arlequina ou quando o que seria uma reunião da Liga do Mal, é na verdade um Bar Mitzvá a coloca como centro de todas as situações. A personagem então vai galgando ainda mais protagonismo e deixando com que os demais sejam apenas coadjuvantes de tudo e logicamente, sobram piadas para o Universo da DC, os heróis e seus antagonistas. 
Desta forma, um dos pontos altos da produção é a relação entre Hera Venenosa e Arlequina. Hera é o contraponto, a calma, os pensamentos racionais e por mais que seja uma bandida, possui certas regras de como agir tentando a partir disso ajudar a amiga a se livrar de quem não contribui para o seu crescimento. Já Arlequina é a loucura, o impulso e ao mesmo tempo a ingenuidade de quem ainda não sabe qual caminho seguir, mas quando coloca algo em mente consegue até mesmo criar situações difíceis para o próprio Batman!

Harley Quinn é uma animação que irá divertir, fazer pensar e ao mesmo tempo empolgar para a próxima produção cinematográfica que leva a personagem. Ademais, consegue ser um produto à parte de tudo isso, onde a história contada revela o desejo de uma protagonista em se tornar de fato a principal pessoa da narrativa que escolheu, nem que para isso tenha que quebrar alguns ossos alheios e mandar capangas para o hospital!
Se o Coringa para alguns é o maior vilão de Gotham, a Arlequina veio para tomar este posto, pois o seu foco vai além, passando pelos heróis e deixando todos os demais bandidos no chão de igual forma!
Por isso é melhor o Palhaço do Crime se cuidar, pois seus dias de reinado estão contados!
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