Drácula (2020): 1ª Temporada - CRÍTICA

Bram Stoker é mais do que o material base para essa produção


Drácula já foi representado diversas vezes na cultura pop. De livros à séries, de filmes à jogos de RPG e vídeo-games, o senhor da Valáquia teve suas histórias contadas de diferentes formas. 
E desta vez, mergulhando ainda mais em seu material de origem, somos entregues a uma produção que procura trazer o maior de todos os vampiros em sua essência. Seu charme, sua capacidade de persuasão e logicamente, as vítimas que farão sua história ainda mais perturbadora.
Assim, a Netflix entrega uma obra em três episódios que se esforça em honrar a criatura mítica além de apresentar nuances desconhecidas!
Porque sangue é vidas!

Um advogado é interrogado por uma freira sobre sua estadia no castelo do Conde Drácula. A medida que a conversa se desenrola passamos a conhecer o estranho que lá habita, suas intenções e o que realmente ele é. Logo, Drácula parte em uma jornada em busca de novas vítimas, ao mesmo tempo que seus segredos podem ser revelados!

Dirigida por Jonny CampbellDamon ThomasPaul McGuigan, a série foi criada pela dupla de Sherlock, Mark Gatiss e Steven Moffat, que utiliza dos elementos clássicos de Drácula para dar sua própria versão a um ser que já conhecemos.
Desde o começo a ambientação serve para nos fazer adentrar ainda mais aos domínios do conde. Para isso a fotografia e o design de produção criam ambientes que no jogo de luz se tornam espaçosos, ao mesmo tempo claustrofóbicos gerando então a tensão necessária a medida que a narrativa vai ganhando as nuances fantásticas esperadas. Desta forma, a direção de cada episódio realiza um trabalho que até possui um toque de gore, porém não excessivo, principalmente por se tratar de uma produção para televisão. A violência gráfica existe e se deve muito também ao trabalho de maquiagem, que é empregado com maestria dando um senso de aversão as criaturas que surgem no decorrer da temporada.
Logo, quando é necessário, os diretores sabem como atrelar estes elementos a presença imponente de Claes Bang. O ator entrega toda sedução, austeridade, força e onipresença de seu Drácula, criando então uma nova interpretação para o personagem, se distanciando de qualquer semelhança com outrem, ainda que em alguns momentos possa gerar um sentimento nostálgico. De igual modo, Dolly Wells é a contrapartida de Drácula, entregando duas personagens que se tornam uma única força antagônica à presença do ser das trevas, gerando então diálogos capazes de capturar a atenção de qualquer um.


E tudo isso graças a uma narrativa que consegue construir ao longo de três episódios, com mais de 90 minutos, mais do que se espera de Drácula.
Nós conhecemos a lenda, os poderes, as fraquezas, contudo ainda não sabemos como isso tudo funciona. Existem nuances, ideias vagas e até mesmo questionamentos, porém ninguém chegou tão perto. Até mesmo o próprio Drácula. Por isso, o roteiro trata o seu protagonista com toda megalomania de sua personalidade em cena e ao mesmo tempo vai empregando vulnerabilidade, dúvidas e desconhecimento a cada novo confronto entre bem e o mal. Ainda que não existe de forma definida o que é bom e o que é ruim aqui! (Assista para entender)
Com isso, os dois primeiros episódios tratam de fomentar ainda mais a lenda, os contos, a besta que se alimenta de sangue para então entregar em um episódio final, arriscado e corajoso, o desfecho que completa um ciclo justamente sobre aquilo que tanto se tentava desvendar: como isso tudo funciona para o Conde Drácula?
Entretanto, não espere repostas entregues em uma bandeja de prata, é necessário coletar as informações ao longo da produção, juntar as peças e se deixar guiar pelo vampiro!

Drácula da Netflix abre o 2020 das séries com maestria, mesclando elementos do terror, suspense, fantasia, agregando ainda mais ao clássico da literatura e ao personagem tão conhecido.
Com um roteiro e direção que trabalham em conjunto para entregar uma obra assertiva nos detalhes técnicos e surpreendente ao desenvolver seu enredo, certamente esta pode ser considerada uma das melhores adaptações do que Bram Stoker escreveu certa vez.
Por fim, a temporada curta, porém eficaz, poderá causar uma certa estranheza em seu encerramento, deixando espectadores perplexos, outros irritados, mas então volte ao primeiro momento, ao primeiro instante em que viu o Conde, e deixe que Drácula o conduza. 
Só não é possível garantir vida após isso! E fica a dualidade nessa última frase também!
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