1917 - CRÍTICA

Uma ópera bélica imersiva


Retratar os horrores das Grandes Guerras que devastaram o mundo ao longo da história sempre resulta em produções que conseguem fazer com que o público adentre os cenários de conflito.
Desta vez, sob o comando de Sam Mendes, somos levados para dentro da 1ª Guerra Mundial, acompanhando diretamente um acontecimento, baseado em fatos reais, ao mesmo tempo que ininterruptamente a câmera não deixa com que as ações sumam da tela. 
Logo, esse plano sequência com mais de duas horas de duração transforma o cinema numa aula de história imersiva e repleta de tensão, onde é praticamente impossível tirar os olhos da tela.
Então, evite tomar refrigerante em excesso antes da sessão!

Em 1917, no auge da 1ª Primeira Guerra Mundial, dois soldados britânicos são designados para levarem uma carta com ordens importantes para os outros companheiros do exército. Para isso, é necessário atravessar todo flanco alemão, enfrentando não apenas os soldados que ainda possam estar no local, mas todos os percalços que podem colocar suas vidas em risco e a continuidade do conflito!

Sam Mendes (Beleza Americana, 007: Operação Skyfall) é quem está a frente da produção entregando ao espectador uma experiência que coloca todos os sentidos em compasso com os acontecimentos em tela.
A câmera, usada de maneira assertiva, realiza do trabalho de entregar um plano-sequência que consegue transpor todos os momentos impactantes, terríveis e de perigo que os campos de batalha da época possuíam. Auxiliado por uma trilha sonora que consegue estabelecer uma tensão nos minutos iniciais da película, a medida que vamos avançando junto dos soldados, as novas descobertas e lugares onde percorrem se tornam motivo para que qualquer problema possa acontecer, prejudicando a jornada de ambos.
O diretor então faz com sua câmera ininterrupta faça mais do que simplesmente acompanhar os protagonistas, ele torna essa visão próxima, como se fosse a presença do espectador, estabelecendo um ritmo onde o suspense e o medo tomam conta de toda experiência, levando quem assiste a até mesmo questionar se a missão será cumprida!
Da mesma forma, a fotografia ajuda na recriação de paisagens deslumbrantes, a dar uma luminosidade aterradora as construções e fundamentar a dicotomia existente entre conflito e calmaria! E isso vai desde uma fazenda abandonada que aparenta solitude até um breve instante musicado em uma floresta!
É perceptível o cuidado de transpor da maneira mais fiel possível a realidade dos conflitos! Logo, quando necessário a violência gráfica surge, com o auxílio da maquiagem para transformar atores em vítimas de uma guerra.


Esperança é uma coisa perigosa
A narrativa de 1917 é simples, porém se encaixa perfeitamente dentro da proposta.
Dois amigos que lutam em uma guerra que parece não ter fim, precisam atravessar o território inimigo levando uma mensagem que poderá salvar o seu exército de uma armadilha. Mas essa simplicidade é justamente o que nos faz criar uma relação de apego e empatia por cada um dos personagens. 
Tanto Blake quanto Will são jovens demais, demonstrando isso não apenas fisicamente, mas através de expressões e ações que vão da coragem por fazerem parte de uma missão à inocência de acreditar e obedecer a tudo que é dito. O olhar de choque e surpresa de ambos ao passo que vão avançado em sua jornada nos faz desejar que tudo aconteça da melhor forma possível para ambos, contudo, por se tratar de filme sobre a guerra, a poesia está justamente no conflito
Esse conflito existe então de maneira interna e externa! Isso se torna evidente quando algumas figuras são encontradas pelo caminho, demonstrando que cada um tem uma razão para estar ali, ou simplesmente se veem sem saída em meio a explosões, mortes e tiroteios intermináveis.
Assim, a técnica em compasso ao texto procura trazer sentimentalismo imerso ao caos, abrindo espaço para que as personagens também encontrem paz em algum momento, mesmo que seja entre trincheiras e bombas que caem!

1917 é um primor técnico atrelado a uma narrativa simples que auxilia a estética estabelecida desde o início. 
Ao recriar os horrores da 1ª Guerra Mundial, o diretor emprega todo esforço para entregar uma experiência sensorial que deixará espectadores tensos na poltrona, desejando que a jornada dos dois soldados seja concluída da melhor maneira possível. 
Hollywood adora filmes com esta temática, principalmente quando é realizado com um personalidade, pois fatos históricos precisam recontados, mostrados e revelados. Nada melhor então que a sétima arte para apresentar uma aula história ininterrupta sobre uma missão pela salvação de muitos. Ficção ou fatos reais não importam nesse momento, pois o ponto fundamental disso tudo é o deslumbre que o cinema é capaz de causar quando obras assim ousam impactar a cada nova cena.
Ou melhor, em um único plano-sequência! 

Nota: 4/5 (Ótimo) 

1917 concorre ao Oscar 2020 nas seguintes categorias:
Melhor Filme
Melhor Fotografia
Melhor Direção
Melhor Roteiro Original
Melhor Mixagem de Som
Melhores Efeitos Visuais
Melhor Direção de Arte
Melhor Edição de Som
Melhor Cabelo e Maquiagem
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