Frozen II - CRÍTICA

Como toda boa jornada sempre há amadurecimento



Frozen se tornou umas das animações mais celebradas da história do cinema.
Com uma trilha sonora que fixou na mente de adultos e crianças, além de uma história que quebrou diversos paradigmas das narrativas sobre princesas, o longa arrebatou uma legião de fãs, fazendo com que uma continuação fosse esperada com muita ansiedade.
Então, seis anos após o primeiro filme, enfim Frozen 2 está entre nós, trazendo canções empolgantes, novos personagens e uma história que expande ainda mais o universo já criado para contar as aventuras de Elsa e Anna, porém, como toda boa jornada o amadurecimento chega de alguma forma, seja unindo ou separando!
Pronto para deixar o "Let it Go" pra trás?

Elsa está inquieta pois algo a está chamando para além de Arendelle. E quando a magia da rainha de gelo entra em contato com outros elementos é necessário partir em uma aventura onde o passado de seus pais também fará parte importante dos novos caminhos a serem percorridos e decisões importantes irão precisar ser tomadas pelas duas irmãs.

Jennifer Lee e Chris Buck dirigem a produção que dá continuidade a história de Anna e Elsa, ao lado de Olaf e Kristoff, acrescentando novos elementos sem perder a linha narrativa estabelecida no original. Um dos grandes destaques desta continuação é justamente o design de produção aplicado junto aos efeitos visuais que deixam tudo ainda mais espetacular visualmente. 
Detalhes são possíveis de serem notados de forma espantosa como fios de cabelo, marcas na pele, ambientações grandiosas, fotografia realista e uma paleta de cores que consegue ir dos tons quentes aos frios sem perder a beleza. Além disso, a movimentação dos personagens ganha ainda maior fluidez, principalmente em suas sequências musicais, que novamente carregam grande parte da emoção dos momentos do longa. 
A direção então escolhe dar ainda mais ênfase nas personagens de maneira que cada uma, em seus instantes importantes, ganham planos longos, abertos, realizados para mostrar não apenas os detalhes técnicos, mas a capacidade se contar uma história tão boa quanto a primeira.

Há memórias no lugar onde o vento encontrar o mar!
Lembre disso ao me chamar.
...Vou me achar!


Desta forma a narrativa faz de Anna e Elsa mais do que protagonistas de um "conto de fadas", as torna verdadeiras escritoras de um novo rumo a ser tomado a partir dos acontecimentos deste longa. Se no primeiro Elsa precisava aprender aceitar quem era para então todos aprenderem também a respeitar a diferença de seus poderes, aqui a rainha lida com fatos do passado importantes para finalmente encontrar o seu lugar em meio a tudo que a magia lhe proporcionou! Ao mesmo tempo, sua irmã, preocupada com tudo o que pode acontecer, assume um papel de amadurecimento, tendo que lidar com os sentimentos próprios e uma nova posição diante do povo de Arendelle.
Nessa construção, o texto coloca as personagens um passo à frente das demais princesas do estúdio, pois ambas agora não estão apreensivas com questões próprias ou com o amor, existe um todo muito maior que se coloca como principal motivador para os acontecimentos, perigos e novos desafios. Logicamente, a história não perde o seu bom humor por conta de Olaf e Kristoff, tanto em seus instantes musicais quanto nas piadas referenciais.
Ademais, o roteiro cria então uma jornada de crescimento em diversos âmbitos da personalidade de cada protagonista, fazendo com que coragem, força, determinação e entrega se tornem presentes nas escolhas a serem feitas. E tudo isso envolto de muita magia!
Contudo, o longa pode não agradar o público tão apegado ao original e um dos pontos serão as canções, em quantidade maior, mas sem aquela capacidade de fixar de maneira quase que automática na mente de quem assiste, tornando alguns momentos desnecessários, ainda que engraçados.

Frozen 2 é uma continuação tão boa quanto o original, principalmente por contar uma história que eleva o nível daquilo que conhecemos das "princesas Disney"!
Com uma direção que transforma o longa em um espetáculo visualmente esplêndido, atrelando fotografia, design e computação gráfica, a nova história amplia o universo apresentado, trazendo possibilidades de novas nuances serem contadas em outras produções.
Elsa e Anna se tornaram não apenas as melhores protagonistas, mas aquelas que possuem tanto original quanto continuação de seu longa-metragem com uma qualidade que se mantém em alto nível, além de crescerem tanto em relevância quanto em camadas, fundamentando ainda mais a referência que já são dentro e fora do cinema.
Para quem esperava um "Livre Estou" é bom se acostumar com "Vem Mostrar", pois o frio não é mais desafio, mas um elemento importante de uma narrativa onde a magia empodera, encoraja e amadurece! 

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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