Irmandade: 1ª Temporada - CRÍTCA


É impressionante como o sistema carcerário fascina tanto as pessoas, de certa forma chega até romantizar a vida dentro de um presídio. Irmandade por outro lado vai fazer você repensar em tudo isso, precisa ter um estômago forte pra encarar os oito episódios dessa super série de Pedro Morelli.

Na série Seu Jorge interpreta Edson, um homem que está preso a 20 anos por porte de drogas e que agora é o líder de uma super facção criminosa, sua irmã Cristina (Naruna Costa) que é advogada, tenta ajudá-lo, mas no meio do caminho seu plano dá errado e ela acaba sendo coagida a ter que escolher entre ir para a cadeia também ou se infiltrar na facção e ser uma informante da polícia.


Irmandade é um thriller muito tenso e dramático, e principalmente em seu visual. Nunca se viu tanta qualidade cinematográfica em séries como atualmente e Irmandade chega pra mostrar que as produções brasileiras não estão de fora. A fotografia impecável da produção, obra da produtora O2 Filmes, conseguem nos fazer ter uma profunda imersão no que estamos assistindo, as cores são fortes e a locação perfeitamente desagradável. Não dá pra sentir mais nada que asco da situação que aquelas pessoas vivem.

Isso também se dá muito pelas atuações, até mesmo da figuração que realmente encarna a vivência de um presidiário e todas as suas dificuldades. Seu Jorge como co-protagonista também entrega muita verdade, seu personagem sempre carrancudo desperta muito medo, o que o líder de uma facção criminosa deve realmente respeitar nas pessoas, sempre com um olhar e expressão fria e dura ele segura esse personagem muito bem até o final.


Mas o que se destaca mesmo é o protagonismo feminino. Imaginar uma mulher protagonista de uma série sobre o sistema carcerário masculino, com um personagem tão truculento como Edson de Seu Jorge é até meio esquisito, porém quando vemos Cristina em volta a tantas reviravoltas, sua presença se destaca de forma excelente em meio ao ambiente machista em que está inserida. Naruna Costa carrega muito bem o peso de ser a protagonista de Irmandade, assim como Hermila Guedes que também se destaca como a esposa de Edson que em certos momentos até tomar alguma posição de liderança dentro da facção. As duas carregam a série fácil.


Mas nem tudo é perfeito, Irmandade apesar de tecnicamente irretocável e ter atuações brilhantes, não escapa de cair no mesmo problema de séries longas demais pra história que querem contar. Existem episódios descartáveis na primeira parte da obra que só servem para atrasar e quebrar o clima.

Ainda sim, vale muito a pena assistir Irmandade, se você conseguir ignorar o começo com ritmo mais arrastado, vai sem dúvidas apreciar muito a qualidade da série. 
Uma história crua, verdadeira, jogada bem na sua cara, causando revolta e desromantizando COMPLETAMENTE, o sistema carcerário e o crime organizado.
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