Especial: O Mundo dos Boardgames - Ludo Thinking

Hora de conversar com quem entende do assunto!



Uma empresa capixaba liderada por uma designer e uma psicóloga é responsável por ser um expoente no mercado do desenvolvimento de jogos corporativos! Onde a gameficação se torna ferramenta importante para o crescimento no dia a dia do trabalho!
Esta é a  Ludo Thinking!
Especialista em desenvolver estudos no ambiente organizacional no intuito de construir soluções inovadoras, que podem ser: Jogos de tabuleiro, mobile e de computador. Criando jogos para que seus clientes interajam com sua marca. Produzindo experiências de entretenimento que refletem a criatividade e expertise. Pesquisando e utilizando tecnologias avançadas que refletem o compromisso com a inovação e que podem ser solução para as demandas.

As empresárias por trás dessa ideia são:

Renata Machado: Graduada em design gráfico e mestranda em psicologia, ambos pela UFES. Pós graduada no uso de tecnologia na educação. Especialista em jogos pela Melies-SP. Apaixonada por jogos desde a infância e os estuda academicamente há 9 anos.

Anna Barbosa: Formada em Psicologia, especializada em Gestão de Pessoas. Possui 6 anos de experiência na área de desenvolvimento organizacional. Sua paixão pelo mundo acadêmico lhe conferiu por três vezes o Prêmio Ser Humano – ABRH-ES.

Por isso, o nosso especial O Mundo dos Boardgames abre caminho para um bate-papo com essa dupla pra lá de expert na área! Confira:

Geek Guia: Como se dá a paixão de vocês pelos jogos?


Anna: Nós temos duas histórias completamente diferentes!
Meu pai quando eu tinha seis anos fez um jogo pra me ensinar matemática, mas eu cresci numa casa onde o único entretenimento era novela. Onde os jogos pra mim, na época, era uma coisa de "gente desocupada"! 
Mas tudo mudou quando joguei Catan, fiquei muito apaixonada. 
E isso me fez mudar completamente!

Renata: Eu sou gamer de infância, de família, minha mãe me colocava pra jogar!
Meus pais viravam a noite jogando comigo e jogo de tabuleiro fazia parte, quebra-cabeças por exemplo era comum na mesa da sala! Eu lembro que o último que montamos, foi em vinte dias com oito mil peças e isso fazia a gente ficar acordado a madrugada, conversando. 
Eram hobbies nerds que envolviam toda família.
Os primeiros jogos de tabuleiro modernos que comprei foram Carcassonne e Catan, e onde eu comecei colecionar e fiquei encantada! 

Geek Guia: Quais foram os jogos que marcaram a vida de vocês?


Anna: O meu jogo da infância foi gamão, pois foi o jogo que joguei com meu pai! 
Nada mais antigo que gamão!

Renata: Pra mim foi o Scotland Yard. Era o meu preferido. Gostava muito também de Jogo da Vida, mas o único que não curtia era War!

Anna: O Interessante que nunca joguei nenhum jogo que ela disse!

*Risos*

Geek Guia: Como surgiu a ideia da Ludo e como vocês veem a recepção das pessoas dentro dessa proposta de trazer jogos para dentro do ambiente de trabalho?


Renata: A ideia da Ludo é bem engraçada. 
A Anna é psicologa, trabalhava como analista na área RH com treinamentos, e eu sou designer e dava aula no curso de jogos. 
Meu foco sempre foi em jogos, na graduação, nos cursos de pós, no mestrado, os jogos sempre estiveram presentes! Jogos sempre foram a pegada.
Então a Anna reclamava que precisava tornar os treinamentos mais dinâmicos e eu falei: "vamos fazer um jogo" pra que pudesse melhorar esses momentos com os funcionários e que ela podia levar para empresa.

Anna: E foi um sucesso! E todo mundo queria participar. Os funcionários faziam fila para poder participar. Não tinha treinamento pra todo mundo que queria assistir! 
E isso mudou na avaliação de desempenho também!

Renata: Então, as pessoas estavam aprendendo de verdade ao jogar e era um jogo simples, do cenário que eles estavam acostumados, e a gente fez um, dois, três e depois disso a gente decidiu tornar a ideia uma realidade, e a gente juntou pra começar a Ludo.

Anna: Sim, é importante dizer que a gente busca fazer um diferencial com jogos voltados para o treinamento, que a gente não consegue dos jogos de tabuleiro habituais. Que sejam interessantes, elaborados para dar uma experiência do ambiente do trabalho que eles precisam vivenciar. Porque não são gamers! 
Por isso colocamos ao máximo na mecânica o dia a dia, de jogar vivendo o que está no cotidiano da empresa. Tentando também encaixar conteúdo e aprendizado!

Renata: E a gente percebe que o cenário está melhorando. Estamos há três anos e meio nessa batalha e uma palavra ficou famosa dentro da área de RH que é a Gameficação. E as pessoas começaram a diminuir o preconceito com relação a jogo para treinamento.
O que a gente não imaginava é que os tabuleiros seriam nosso carro-chefe! É o que pagas as contas e é o que sai! É o cara a cara, olho no olho, as discussões na mesa geram a experiência necessária. E isso faz com que todo mundo fique no mesmo nível, mas sempre lembrando que quem joga está interagindo e em busca do mesmo objetivo.

Anna: Isso e a gente sai do "jogo pelo jogo"!
Muitas vezes a gente chegou em empresas e as mulheres não participavam, pois achavam que era somente pra homens. Então a gente se viu na ação de mudar o pensamento do publico mostrando que isso pode fazer parte da vida delas também!


Geek Guia: Aproveitando o gancho, vocês são mulheres, empresárias e desenvolvedoras de jogos dentro da cultura pop, quão importante e representativo é isso tudo?


Anna: Eu acho que é super importante e eu não imaginava o quanto isso era forte para algumas mulheres. E isso serve de inspiração para as outras pois estamos numa área majoritariamente masculina. 
E não foi o nosso objetivo inicial, mas acontece da gente ver o impacto.
Sofremos muito preconceito no inicio com gente perguntando quem era o desenvolvedor do projeto, o responsável, o nosso chefe. É muito comum as pessoas perguntarem: Quem foi o homem que desenvolveu isso?

Renata: É comum demais as pessoas questionarem se fomos nós mesmas que desenvolvemos, com coisa do tipo: Foram vocês mesmas que criaram isso? E essa reação a gente tem diversas vezes!
Um exemplo, num determinado edital, tivemos ligar pra lá por conta do cadastro e o atendente questionou quem era o nosso chefe, pois era uma empresa de jogos!
E as vezes até perguntam: Entrei no site de vocês e não achei nenhum homem!
Então, voltando a pergunta, tudo isso faz diferença como desenvolvedoras de jogos, como mulheres, aqui no Espírito Santo, e em outros lugares! 

Anna: A maior representatividade é mostrar que somos capazes de fazer! A gente mostra que temos diversos caminhos, o organizacional, além da diversão. 
As oportunidades estão ai e é preciso realizar algo!

Geek Guia: Vocês foram indicadas ao prêmio da Arcellor Mittal, Mulheres do amanhã. Como foi receber essa notícia?


Renata: A Anna é a rainha do Edital!

*Risos*

Renata: A gente sempre tá inscrita em várias coisas.

Anna: As pessoas não conhecem jogos e quando mostramos uma possibilidade, eu meto a cara nesses editais e mostro o que podemos realizar na área.

Renata: Nós duas fomos finalistas, com trabalhos distintos da Ludo. 
Eu achava que seria uma ou outra, e no final, foram as duas! Foi sensacional!

Anna: E a gente tá indo pra uma linha de empreendedorismo de impacto, que se volte para sociedade, de forma cultural, social. E vimos que é possível gerar impacto através dos jogos! O prêmio nos mostrou isso!

Geek Guia: O que podemos esperar da Ludo nos próximos anos?


Renata: Como eu vim da área de entretenimento, a ideia é ter dois braços na ludo, um de treinamento e um voltado pra entreter. E para isso dependemos da mão de obra de programação, a nossa ideia é poder ter uma estrutura pra isso. 
Nos próximos anos possam sair jogos digitais ao mesmo tempo que realizamos nossos projetos voltados para área de recursos humanos. 
A gente vai andando devagarzinho e tá andando, tendo uma equipe maior fazendo ambos nichos.

Anna: Outra parte que a gente gosta muito é que a gente consiga inserir nas empresas, em que já estamos, mais títulos de jogos de tabuleiro moderno, criando uma ludoteca de RH, que é algo que poderia ajudar.


Geek Guia: Para finalizar, o que os boardgames representam para vocês?


Renata: Eu ia falar um hobby, mas é muito mais!
Vou te contar uma historia, a minha mãe tem a doença do Stephen Hawking, e ela só movimenta os olhos ou usamos uma plaquinha pra nos comunicarmos com ela. 
E ela joga conosco o Black Stories, lógico não na versão de terror, e ainda assim os jogos de tabuleiro então são uma saída de interação. Os jogos estão presentes na minha família, na minha casa, nos meus amigos. É um hobby, é uma paixão, está em todos os espaços!

Anna: É uma possibilidade máxima de interação.
Como eu te falei do meu pai, eu tento fazer pras pessoas o que ele fez por mim, é o que o busco fazer com isso. Como se a minha vida fosse um jogo de tabuleiro cooperativo.
Pra mim é isso, é uma metáfora pra vida, a gente tá jogando junto, ganhando, perdendo.

Renata: Enquanto as pessoas fazem outras coisas, a gente está jogando, reunindo os amigos.

Anna: Viajamos e buscamos locais pra jogar. 
Vamos em luderias e assim conseguimos fazer tudo.
E pra finalizar, as pessoa falam tão mal de jogos, falando dos jovens viciados, mas pra gente é muito saudável, a gente desenvolve as relações, os aspectos cognitivos e vamos além dessa impressão!

Renata: E se você consegue apenas pensar em uma unica mecânica, você está limitado, então por isso a gente vai em busca de coisas novas!
E a gente gosta disso, de conhecer os jogos que as outras pessoas gostam! Interagir mesmo! E vivenciar cada vez mais!

Quer conhecer um pouco mais da Ludo?
Confira aqui o site da empresa e os projetos desenvolvidos!


Semana que vem voltamos com a última parte do nosso especial: O Mundo dos Boardgames! 
Não perca!
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