Deixe a Neve Cair - CRÍTICA

O clichê de natal que irá agradar muitas pessoas


Comédias românticas com adolescentes e seus problemas tem sido um dos grandes atrativos oferecidos pela Netflix nos últimos tempos. 
De Barraca do Beijo, Date Perfeito, Crush à Altura e ao Nosso Último Verão permeamos as mesmas histórias praticamente, onde alguém se apaixona, alguém deixa de se apaixonar, alguém assume seu lugar que é devido e assim por diante. De cartas mandadas por engano em Para todos os Garotos que Amei à conquista de alguém impossível em Sierra Burgess é uma Loser, unimos aqui três narrativas distintas em meio ao natal e uma nevasca para mostrar que existe mais do que o clichê pode apresentar, mesmo que isso repita algumas fórmulas, ainda assim é mais divertido que os títulos listados acima. Por isso, Deixe a Neve Cair.

As vidas Julie, Stuart, Addie, Tobie e Angie está para mudar. Seja por conta das decisões do futuro, da carreira sufocante, de um amor não correspondido ou de um sentimento oculto, eles irão perceber que uma nevasca será a principal causa de os unir e possivelmente, alterar a jornada de cada um de uma maneira inesperada. Assim, escolhas, mudanças de comportamento, aceitação, irão permear os arcos que irão os unir em uma festa incrível, nesse feriado pra lá de especial!

Luke Snellin comanda a produção fazendo jus ao material original, escrito por John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle. Se no livro temos três histórias que se conectam ao final, aqui desde o começo, percebemos que existe um lugar comum onde todos os personagens já passaram, e sua conexão é apenas uma consequência do que irão vivenciar.
Aliado a uma fotografia belíssima que evidencia o inverno, os ambientes cobertos de neve e os cenários, a câmera estática facilita a contar a histórias de uma maneira fluida e cativante. Pois o diretor cria e explora as situações do roteiro deixando tudo mais próximo do espectador. Logo, se o menino está apaixonado pela melhor amiga, mas nunca se declarou, as ações são parecidas com as do cotidiano, se uma menina não pode comentar o romance com outra por conta do preconceito, com uma sutileza, é criada uma cena que constrange e entristece.
Essa proximidade com o cotidiano transforma o material exibido em uma jornada sobre pessoas normais em meio a conflitos normais!


A narrativa então aproveita as histórias do livro original para dar a sua própria forma de contar cada um dos acontecimentos. O Expresso Jubileu, O Milagre da Torcida de Natal e O Santo Padroeiro dos Porcos, se tornam um texto único, que vai apresentando os elementos de cada um dos contos, mesmo que não se aprofunde em um ou outro especificamente. Talvez para quem foi leitor o material original algumas mudanças ficaram logo em evidência, porém nada disso afeta a experiência gerada.
Utilizando bem o sentimento da data, cada um dos arcos vai se desenvolvendo através das empatia gerada pelos personagens criando então uma torcida automática por cada um deles. Você quer que Tobie fique com Angie (Kiernan Shipka de O Mundo Sombrio de Sabrina), que Derrie consiga vivenciar o amor com Karry, que Julie entenda a importância de dar um passo mais arriscado na vida e que Addie consiga desapegar de algo que não está ajudando em nada os seus sentimentos. Por mais que os conflitos pareçam exagerados, as atuações nos convencem de que tudo aquilo pode sim ser o causador de muita tristeza na vida de alguém, contudo há sempre possibilidade de mudança. Nem que ela venha na figura de uma nevasca ou de um jovem dj (Jacob Batalon de Homem-Aranha: Longe de Casa), que os leva para uma casa de Waffles onde uma festa se encarrega de unir, separar e reiniciar a jornada dos personagens.
Apesar de tudo fluir com naturalidade, a única história que fica perdida é a de Stuart. Por mais que haja menção do quanto sua vida de artista é turbulenta e cheia de problemas por conta da fama, em nenhum momento isso se torna de fato um motivador para que o personagem conquiste o público, o que fica no caso a cargo de Julie, interpretada por Isabela Merced (Dora e a Cidade Perdida), que conduz diversas vezes os momentos da dupla.

Deixe a Neve Cair é uma grata surpresa em meio a gama de clichês de comédias adolescentes da locadora de vermelha que nada possuem de interessante. Aqui a história além de cativar consegue se aproximar do cotidiano do espectador, com momentos onde certamente a empatia irá transpor a tela. Ao mesmo tempo, o texto se encarrega de fazer uma adaptação digna da narrativa do livro, além de acrescentar elementos interessantes e representativos, como um protagonista negro, um casal homoafetivo e uma protagonista latina.
Desta forma quando pensamos em natal, fica sempre aquele sentimento de quem ama a data e aquele que está mais empolgado pelo banquete realizado, mas se há algo que essa história consegue nos deixar de lição é que há sempre um milagre nos esperando em algum momento da vida, nem que para isso seja necessário desapegar, dizer o que se esconde ou simplesmente aceitar as novas portas que se abrem. E como aqui não podemos contar com a neve caindo, seja você o seu milagre de natal pessoal ou para alguém próximo!

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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