As Panteras (2019) - CRÍTICA

Novas Panteras, para uma nova geração


Década de 70, anos 2000 e agora, mais de quarenta anos depois da primeira aparição dos "Anjos de Charlie", uma nova versão das agentes mais habilidosas do mundo da espionagem chega aos cinemas. Com um dos trios de protagonistas mais diferentes de todos!
E por mais que pareça datado e para alguns, não havia necessidade de mais um filme, o longa comprova sua necessidade dentro de uma tendência cinematográfica importante: Filmes dirigidos por mulheres e que falam justamente sobre elas em diversas situações. E se você ainda está reclamando, bem, Elizabeth Banks, a diretora tem algo a te dizer: “Vocês já tiveram 37 filmes do Homem-Aranha e não estão reclamando!"

Elena é uma cientista que desenvolve um equipamento capaz de gerar energia sustentável! Porém, ao ser alterado, o seu experimento se torna uma arma de destruição em massa e poderá cair em mãos erradas. Assim, cabe as Panteras Sabina e Jane entrarem em ação, ao lado da inventora, antes que a invenção realmente se torne um perigo para a humanidade! Logicamente, com a ajuda da Bosley! 

Elizabeth Banks dirige e roteiriza a produção, que também carrega o nome de Drew Barrymore (Dylan Sanders da versão dos anos 200) como produtora executiva!
A diretora consegue estabelecer boas sequências de ação e espionagem, com direito a jogo cênico que ajuda a confundir não apenas quem está na história em determinado momento, mas também o espectador. Para isso, Banks sabe bem o que extrair de cada uma de suas Panteras, seja o bom estilo de luta de Ella Balinska (Jane), o humor nonsense e sarcástico de Kristen Stewart (Sabina) ou inteligência atrapalhada de Naomi Scott (Elena). Logo, as situações apresentadas gera esse jogo imagético onde cada uma consegue desenvolver suas especialidades e assim, quando juntas, se tornam uma força imbatível. Isso fica evidente nos momentos em que precisam atirar, saltar, cair e escapar de explosões. 
Fugindo do exagero das produções anteriores, este As Panteras se coloca mais "pé no chão" em suas sequências de combate e missões, tornando então a narrativa mais voltada para a espionagem do que necessariamente a força física. Demonstrando então a capacidade das agentes em ir além e estar um passo à frente de seus antagonistas.


A narrativa então coloca As Panteras como uma organização mundial agora! Sai o escritório localizado apenas em uma cidade, entram as agências espalhadas ao redor do globo, cada uma com seus próprios anjos combatentes do crime e os seus Bosleys!
O grande trunfo dessa nova aventura é a de contextualizar a nova realidade da agência Townsend, sem perder as referências aos acontecimentos anteriores, como trio composto por Dylan, Alex e Natalie (As Penteras, 2000) e as precursoras de tudo Sabrina Duncan, Kelly Garrett, Jill Munroe (As Panteras, 1976). Então encontramos figurinos, expressões e meios de comunicação que fazem parte da franquia de muito tempo, além da clássica pose!
O que temos então é um texto que se propõem em expor muito do que a mulher vivencia no dia a dia, no seu ambiente de trabalho, nos relacionamentos e na vida pessoal, a forma como o roteiro então trata tais pontos não se torna panfletário, mas importante para o público que acompanhou as aventuras antigas e aquele que está começando a descobrir quem são os Anjos de Charlie.
Para fundamentar isso, a presença de uma Bosley se torna fundamental, principalmente para entender, de maneira sutil as vezes e com falas pontuais, o que está passando na mente e nas ações de suas agentes, tornando então a dinâmica do trio e de sua chefe direta, umas dos principais atrativos desta nova película.
Porém, há um grave problema na montagem do longa, que acaba por perder força em seu segundo ato, ao mesmo tempo que realiza cortes e encaixa cenas de forma abrupta e fora do tempo devido, sempre se baseando em alguma música da trilha sonora composta de maneira exclusiva. Desta forma, determinadas sequências de ação acabam beirando o amadorismo pela falta de uma coreografia adequada e de um real senso de embate! 

As Panteras (2019) é uma renovação assertiva para franquia, principalmente pela dinâmica cheia de talento e humor do trio protagonista.
Com uma direção que sabe aproveitar e extrair bons momentos de suas atrizes, o roteiro desconexo as vezes, fica em segundo plano graças as boas sequências onde suas habilidades são colocadas em tela para atrair a atenção de seus espectadores.
Se as histórias de ação sempre tiveram seus agentes 007 e Jason Bourne, As Panteras jamais ficaram por baixo. Pois tão perigosas quanto, suas missões sempre causaram aquele sentimento de que elas iriam retornar em algum momento para salvar o dia e comprovar que existe muito mais por trás de uma aparência angelical. O importante agora é que a história realizada por uma mulher, relata o poder que elas possuem, tornando-as então mais um exemplo cinematográfico a ser seguido, dentro do panteão atual de Mulher-Maravilha, Capitã Marvel, Lara Croft, Rey e as Caça-Fantasmas.
Sejam bem-vindas de volta, Panteras! 

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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