Zumbilândia: Atire Duas Vezes - CRÍTICA

As regras podem não te salvar, mas certamente te farão rir



Filmes de zumbis são um dos poucos casos de um subgênero do terror que consegue se manter forte, por mais que existam produções não tão boas. Podemos dedicar esse sucesso ao incrível trabalho que realizado por George A. Romero no final da década de sessenta ao transformar a então nova mitologia das criaturas famintas por carne humana, em algo que conseguiu ganhar ainda mais continuidade com o passar dos anos na indústria cinematográfica. 
Assim, se em 2009 Zumbilândia conseguiu trazer o humor escrachado e sem a pretensão de se levar a sério em uma narrativa, em 2019, eles retornam para contar uma história muito semelhante, simplesmente pra nos dizer o que aqueles personagens estão fazendo atualmente. 
E isso basta? Sim e diverte também!

Columbus, Tallahassee, Wichita e Little Rock continuam suas vidas em Zumbilândia, o que envolve muita matança, até conseguirem se instalar no que sobrou da Casa Branca. Porém quando as garotas do grupo decidem seguir caminhos diferentes, tudo se torna uma nova jornada que resultará na descoberta de uma nova "raça" de zumbis muito mais fortes que os comuns. Ao mesmo tempo que novas regras serão criadas e as conhecidas precisarão ser colocadas em prática para sobreviver às novas ameaças!

Ruben Fleischer comanda a produção dez anos depois do primeiro filme, fazendo de sua terra cheia de mortos-vivos mais um grande cenário para piadas, aventura e violência gráfica.
O diretor utiliza a estética do filme original ao seu favor, principalmente usando a narração de Columbus como um momento para recapitular tudo o que ocorreu e até mesmo para justificar uma continuação para essa história, mesmo que não haja a pretensão de se justificativa. 
Logo ele aproveita para iniciar com uma sequência em câmera lenta onde os movimentos exaltam os ataques, tiros e a ação pela sobrevivência. Ao mesmo tempo que utiliza planos sequência para gerar aquela agilidade e expectativa em quem assiste para que os personagens permaneçam em segurança.
Junte isso ao timing cômico que aqui trabalha a interação dos personagens em um novo cenário, sem perder os instantes para que a graça venha acontecer; Seja num diálogo no shopping, a não aceitação do modelo de um veículo ou até mesmo quando alguém se torna zumbi ao seu lado e tenta devorar a sua cara! Para isso, a direção também lança mão de um asqueroso jeito de acrescentar efeitos práticos e digitais quando membros são arrancados, explodidos ou vomitados no decorrer das fugas, brigas e ataques.


A trama por sua vez é praticamente uma repetição do que já vimos na obra original e em outras do subgênero do terror. Mas aqui é Zumbilândia, então nada é tão sistemático assim.
O texto procura estabelecer dois conflitos básicos, um envolvendo uma espécie de paternidade super-protetora e o outro com um relacionamento que se torna cada vez mais sufocante. Desta forma, o roteiro pega esses elementos para dar ritmo e desenvolvimento a história que logo se torna um clássico road movie, onde temos os momentos de descobertas, perigos, conflitos e até mesmo, paixão. O interessante aqui é a forma como a narrativa faz piada consigo mesma e a outros ícones da cultura pop como O Exterminador do Futuro, Madrugada dos Mortos, Os Simpsons e The Walking Dead, com direito a história em quadrinhos que parece muito realista!
Ademais, esse tom cômico adentra aos esteriótipos dos personagens que não se incomodam em parecer o que realmente aparentam, como a garota burra, o rapaz despreocupado e usuário de drogas e uma dupla que referencia diretamente os protagonistas, com direito a conflito de ideias e realizações.
Ou seja, por mais que soe como um "mais do mesmo", a despretensão do roteiro cativa e faz gargalhar aquele que apenas queria saber o que houve com aquele quarteto de sobreviventes que formam uma família disfuncional em meio ao caos!

Zumbilândia: Atire Duas Vezes não se preocupa em querer ser maior que o primeiro pois o foco está em estabelecer o que aconteceu aos protagonistas e novamente arrancar risadas em meio a um mundo cheio de criaturas que podem devorar humanos.
A direção sabe como explorar esses elementos, usando-os ao seu favor para fazer deste "terrir" (terror e comédia juntos) uma sequência louvável, com boas sequências de ação e situações que extraem o melhor do seu elenco, principalmente quando usam o humor a seu favor.
Se o apocalipse zumbi já foi representado no cinema diversas vezes, aqui encontramos uma de suas melhores formas. Os perigos estão em toda parte, em categorias diferentes e até mesmo podem evoluir, porém se você seguir as regras direitinho poderá se salvar, ou pelo menos manter um breve momento de felicidade. 
E se nada disso der certo é bom lembrar de atirar duas vezes! Só para garantir!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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