Mês do Terror: A Bruxa

O mal está nos detalhes


Histórias sobre bruxas são contadas até hoje. 
Como elas usam de seus poderes para enfeitiçar os outros e assim conseguir algo pra continuarem vivas, jovens e até mesmo, imortais. E houve um período na história da humanidade onde pessoas, principalmente mulheres, eram acusadas de ocultismo e logo, mortas por estarem praticando bruxaria, sendo que a maioria apenas pensava à frente de seu tempo a cerca dos costumes, regras e exigências.
Assim, Robert Eggers cria em sua história sobre essa figura mágica um terror que vai do oculto ao psicológico, da crença ao pagão para nos lembrar que as vezes o mal que tanto tememos, está em detalhes que nós mesmos criamos.

Situado no período de colonização dos EUA, a produção mostra a trajetória de uma família de imigrantes extremamente religiosos que é expulsa de sua colônia, sendo obrigado a conviver com o ainda desconhecido novo mundo. Isso irá despertar inúmeras desconfianças além de colocar sua fé em contrapartida há algo que está a sua volta!

Robert Eggers é quem dirige a película, produzida por brasileiros, criando aquela atmosfera onde o medo e o espanto não estão apegados em susto que irão fazer o espectador pular em sua cadeira, aqui tudo é realizado para que se espere que algo aconteça, na verdade ocorre, mas não do jeito clássico e até mesmo clichê das obras do gênero de terror mais populares.
Para isso, a câmera escolhida acompanha os movimentos dos personagens, expressões, reações a tudo o que ocorre torando situações simples do dia a dia em sequências onde a tensão era saltar a tela e tomar conta de quem assiste. Tudo isso, alinhado a fotografia que ressalta as sombras, o tom cinza e frio, cria uma aura de que a qualquer momento alguma ameaça irá surgir ou ato irá desencadear um conflito ou algum mal para a família. Junte isso a trilha sonora que contribui para que o pavor comece a surgir desde os momentos iniciais, nos levando cativos a cada nova mudança de cena.


Desta forma, a história se torna uma verdadeira jornada entre o extremismo religioso, a autopunição e a medo por algo que não se sabe ao certo de onde vem.
Aos poucos os sinais dos elementos sobrenaturais vão sendo colocados, tornando ainda mais imersiva cada nova conversa, interação ou simplesmente observação daquela realidade. O terror então se torna mais sensitivo do que realmente visual. Para isso é como se tudo se tornasse um grande mistério a ser decifrado onde nos questionamos o que ali realmente está possuído por algo maldoso. Seria um membro da família? O Local onde chegaram? Ou um dos animais?
O pavor estabelecido é o suficiente para trazer então velhos (ou não) questionamentos acerca das crenças que nos rodeiam e o quanto elas são capazes se tornar as pessoas cegas e até mesmo sugestionáveis a qualquer tipo de doutrinação, onde caminhos novos ao serem apresentados são aceitos pelo simples sentimento de liberdade. Sendo ela benigna ou maligna!

A Bruxa é um terror que constrói sua atmosfera de terror a partir daquilo que se questiona, acredita e entende de fé, vida e jornada.
Com uma direção que foge dos clássicos elementos do gênero, para dar um tom enigmático, ao mesmo tempo macabro, pautado no medo do desconhecido, a produção se faz uma obra completa para aqueles que gostam de histórias que não se deixam abraçar os clichês e constroem suas próprias direções a partir de escolhas capazes de manter a atenção de quem assiste.
Se o terror que nos faz saltar da cadeira ainda é o mais apreciado pelo grande público, obras como esta modificam a percepção, aumentam a expectativa e quanto entregam o verdadeiro horror, fazem de uma forma onde o mal se torna até mesmo libertador.
E isso pode entrar ou não naquelas velhas histórias sobre bruxas! 

Segunda-feira que vem, nosso especial do Mês do terror acaba!
E vamos terminar em grande estilo com o mestre do gênero George A. Romero e o seu A Noite dos Mortos-Vivos de 1968!
Não perca!
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