Malévola: Dona do Mal - CRÍTICA

O embate entre a popularidade da personagem e a crítica cinematográfica


Em 2014, Malévola chegou aos cinemas com uma proposta diferente: transformar uma das grandes vilãs da Disney, dentro dos contos de fadas, em protagonista de uma história, onde o seu ponto de vista serviria para nos apresentar uma narrativa conhecida de uma forma inovadora.
Acerto realizado e o live action que adaptava a clássica animação A Bela Adormecida do estúdio, arrecadou quase 800 milhões de dólares. E certamente, aos olhos dos produtores uma continuação seria inevitável, já que no seu elenco, o principal nome é o de Angelina Jolie!
Contudo, nem a popularidade da personagem, tão pouco o carisma da atriz conseguem salvar esta produção de um desastre, mas espere um minuto... a intenção aqui é ser um clássico cinematográfico ou apenas divertir?

Aurora se tornou a rainha dos Moors, e tenta ajudar de todas as formas o povo que a acolheu. Até que um dia Phillip a pede em casamento, e após aceitar, a jovem rainha tem a difícil tarefa de convencer sua madrinha, Malévola de ir ao jantar em celebração ao noivado. Porém, quando as coisas não saem como esperado e o rei acaba sendo alvo de uma maldição, Malévola é acusada do ataque e isso a colocará em meio a uma guerra envolvendo o futuro de Autora e o seu passado mágico.

Joachim Rønning é quem comanda a produção, evocando todo o arsenal fantástico que o estúdio possui. O diretor utiliza de planos abertos para mostrar a grandiosidade dos cenários e do emprego dos efeitos visuais. Alinhado a um design de produção que cria ambientações, figurinos e criaturas repletos de detalhes, texturas e formas, é um deslumbre quando passamos pelo reino de Moors, adentramos as terras dos humanos, vemos os interiores do castelo e o local onde vivem os Seres das Trevas.
Desta forma, o comando também traz esse mesmo sentimento para as sequências de ação, aproveitando para dar vivacidade e dinamismo ao uso de armas, magias e explosões que preenchem o céu, criando um colorido único. Logicamente, o trabalho de fotografia demonstra uma precisão sem igual, ao utilizar o cenário diurno ao seu favor, usando de tons quentes, como vermelho, para ocupar a tela. Logo, por mais que haja um esforço visual, o mesmo não pode se dizer dos momentos de conduzir os atores, tornando certos diálogos e acontecimentos extremamente controversos e cansativos.

Este é um problema da narrativa!
O roteiro procurar apresentar ainda mais novos pontos a história já conhecida e que já tinha sido contada de uma forma diferente. O que torna tudo um misto de informações que não fazem qualquer sentido, ignorando até o desenvolvimento dos personagens.
Se no primeiro filme Malévola entende o seu papel ao lado de Aurora, aqui em pouco mais de vinte minutos, a história trata de apagar da memória da protagonista tudo o que foi vivenciado anteriormente, trazendo a tela algumas nuances que já receberam resolução no longa anterior. Sendo assim, ao introduzir o subtítulo "Dona do Mal", o papel da protagonista se resume no de repetir discursos, gestos e até mesmo ações que já conhecemos. Tudo isso por conta de um plano arquitetado que nada impulsiona a história ou tem algum sentido plausível de acontecer.
Essa mistura de informações novas com a tentativa de manter o arquétipo de vilã, não possui qualquer fundamentação. Principalmente pelo fato de que a personagem título deixou a alcunha há um certo tempo, dentro e fora do contexto da obra.
E ao entregar parte da mitologia em torno da mesma, a trama novamente decide utilizar de recursos fáceis para justificar momentos futuros, que na verdade apenas demonstram a falta de criatividade dos roteiristas, apoiados ao clássico momento "deus ex machina".


Contudo, se formos realmente analisar 'Dona do Mal' através de todas as teorias cinematográficas ou pelo simples de fato de criticar como se fosse uma obra cult, perdemos todo o sentimento de diversão que a produção se propõem. 
Por mais que os furos de roteiro existam e a direção seja apenas genérica, o grande público estará interessado na forma como Malévola encara os humanos novamente, se o casamento irá ocorrer, quem são as criaturas idênticas a protagonista, quais são as reais intenções da rainha, a batalha que ocorre de forma megalomaníaca e o quão interessante são os seres que habitam aqueles reinos. 
Dissecar uma obra como esta pelo simples fato de demonstrar quais os termos da sétima arte são conhecidos pelo crítico, o nível de profissionalismo do diretor e seu currículo ou o quanto a história não conseguiu entregar uma nova etapa da construção da psiquê do anti-herói que se coloca numa posição de perda enquanto descobre segredos que servem para o seu desenvolvimento na jornada proposta, é total perda de tempo! É criar um embate entre a popularidade da personagem principal e a crítica cinematográfica que jamais irá dar o braço a torcer que riu em diversas situações, de forma ignorante. 

Malévola: Dona do Mal não tem a mesma capacidade de encantamento que o primeiro longa, mas serve para acrescentar detalhes novos a uma história que aparentemente se resumia a uma princesa que adormeceu após uma maldição. Com uma direção que demonstra toda a grandiosidade dos recursos que possui, criando cenas deslumbrantes visualmente, a forma de conduzir se faz genérica e até mesmo repetitiva em algumas sequências.
O grande poder que a Disney possui vai sendo demonstrado a cada novo live action, pois suas histórias se fazem presentes na vida do público há muito tempo, por isso, mesmo que o ponto de vista mude, que o vilão se redima e o mocinho expresse que não é tão bonzinho assim, a magia sempre irá povoar a tela e a sala de cinema. Pois é isso que move a sétima arte, magia.
Ora, ora, se tem uma conclusão que este filme nos pode fazer chegar é que nem tudo que está sendo exibido serve para análise comportamental. É apenas aquele momento de se deixar levar pela diversão. 
Agora, pode deixar o crítico respirar!

Nota para quem quer apenas curtir o filme: 4/5 (Ótimo)
Nota para quem precisa de análise cinematográfica apurada: 1,5/5 (É... Existe)
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