Batman: A Piada Mortal - Review

O embate derradeiro do cavaleiro das trevas e do palhaço do crime


“Há sempre loucura...”.
Coringa em um de seus discursos ao comissário Gordon faz essa afirmação a cerca da humanidade, e certamente a loucura não esteja apenas nos atos do palhaço do crime, há sempre loucura quando se trata do relacionamento com outras pessoas, principalmente aquelas vestidas de morcego. E se analisarmos o mundo é regido por figuras loucas em determinados momentos. Pessoas com um poder tão descontrolado de realizar façanhas que suas falas soam como piadas desconfortáveis e desta forma, na animação que adapta o texto de Alan Moore, a mortalidade se encontra nas mãos de quem ri enquanto tudo se torna um caos!

A Piada Mortal é a nova animação da DC, que traz as telas uma das histórias mais icônicas, polêmicas e enigmáticas do homem-morcego.
Começamos com um prólogo onde a Batgirl tenta entender qual é o relacionamento que possui com o Cavaleiro das Trevas, e como suas atitudes como heroína podem causar consequências que talvez não possa lidar. Assim, descobrirmos que novamente o Coringa escapou, e a solta ele planeja algo insano e mais profundo contra os vigilantes de Gotham. Ou talvez esteja apenas querendo se fazer entendido.

O roteirista Brian Azzarello criou um prólogo interessante para fundamentar o crescimento de Barbara para tudo que estaria por vir. Apresentado é os pensamentos, as dúvidas e até mesmo os desejos que a ajudante do Cavaleiro das Trevas possui diante dos atos de maldade, que por muitas vezes poderiam ser resolvidos de uma forma imediata, porém por conta de quem é sua figura de "comando", é necessário esperar para dar o próximo passo.
A partir dos 30 minutos, a animação se torna um presente aos amantes da obra de Alan Moore e tudo está lá. Desde os pingos de chuva que atingem a poça, o formato do capuz do Batman, o passar de mão no rosto de quem estava fingindo ser o Coringa, todos os elementos, momentos e sequência se fazem presentes! Não é mais um longa animado, é uma homenagem a uma de várias obras importantes para literatura dos quadrinhos que transporta as páginas com maestria, mantendo o tom adulto e denso, para outra mídia.
Por essa razão, a escolha dos atores para a dublagem não poderia ser mais assertiva. Principalmente quando falamos de Mark Hamill! O ator que incorporou o criminoso mais famoso de Gotham outras cinco vezes conhece muito bem o quê, quando e como fazer para tornar sua voz ainda mais emblemática quando o Coringa precisar traçar seu caminho através de monólogos e até mesmo, cantar. Existe um convencimento extremo a cada frase proferida, altamente assustador.


E talvez esse convencimento seja o principal discurso em A Piada Mortal, tantos anos de lutas pelas ruas da cidade do Homem-Morcego, tantas coisas já haviam ocorrido, que talvez o palhaço do crime apenas quisesse mostrar ao Batman que tudo aquilo não passava da boa e velha loucura humana sendo demonstrada. Esta demonstração também permeia os caminhos de Bárbara, que demonstra ao herói o que deve ser feito prontamente quando o perigo se torna ainda mais letal.
Desta forma, a grande piada é que tudo aquilo continuaria, e continuaria, como incessante show de comédia que é reprisado e todos conhecem as falas. Pois apenas um dos lados do relacionamento percebeu que o ponto em que a insanidade total já havia atingido todas as ações e suas consequências são absolutamente destrutivas.

A Piada Mortal não é aquela história engraçada que você pode contar rapidamente aos seus amigos. É um arco profundo e obscuro do limite entre sanidade e loucura, justiça e vingança, riso e morte. Com uma animação que adapta de maneira fiel as páginas dos quadrinhos, com uma qualidade técnica impecável e um elenco de dublagem que encorpora cada personagem assertivamente, temos então uma das melhores obras da DC Comics em desenho animado.
Há sempre loucura! E talvez as risadas que ouvimos quando o longa vai chegando ao fim seja porque finalmente houve o convencimento. Algo que já havíamos encontrado, pois convencidos estávamos de que essa é uma excelente obra, com uma excelente piada contada!
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