Rambo: Até o Fim - CRÍTICA

A jornada do cowboy rumo ao horizonte




A franquia Rambo teve seu início no cinema em 1982, onde Stallone se consagrou como a "máquina de matar" e colocar medo nos piores bandidos possíveis.
Quatro filmes depois, sendo o último de 2008, ele está de volta em um dos papéis que fundamentou sua carreira e fez com que muitos o colocassem no hall dos tão conhecidos "brucutus" da sétima arte, aqueles dispostos a tudo para realizar suas missões. E desta vez o clima é de despedida, como uma jornada do antigo cowboy que está pronto para dizer adeus a tudo o que realizou, principalmente quando façanhas em nome de uma vingança pessoal preenchem a tela. É o famoso olho por olho em quase 120 minutos de película.

John Rambo vive na fazenda que foi de seu pai, ao lado de Maria e de sua sobrinha postiça, Gabriela. Ele adestra cavalos e cuida dos afazeres do local, mas ainda assim é assombrado pelos acontecimentos de seu passado. E quando a jovem decide ir atrás de seu pai no México, acaba se envolvendo em um esquema de tráfico de mulheres e prostituição, o que colocará Rambo de volta ao combate, desta vez, muito mais pessoal.

Adrian Grunberg comanda a produção de uma maneira que ao tentar ir para o lado dramático, acaba lembrando que precisa da ação, e nessa ida e vinda, fica complicado entender o resultado.
O diretor escolhe começar o longa com uma certa subjetividade na câmera, o que torna todo o primeiro ato interessante, por mais que tenha um ritmo lento, servindo para contextualizar o que aconteceu com o protagonista nos últimos anos. Logo, esse mesmo controle se torna estático, onde se coloca à disposição dos acontecimentos, perdendo a chance de realmente percorrer as façanhas de seu personagem principal. Desta forma, ao chegarmos no terceiro e derradeiro ato, somos contemplados com um festival de carnificina genuíno de filmes de ação. Tudo mesclando efeitos práticos e computação gráfica, o que torna cada movimento dentro dos túneis interessante e angustiante quando um novo membro é mutilado ou despedaçado. 
Logicamente, essa confusão de como contar essa história se dá também por conta de um roteiro, que ao ser transposto para a tela, apresenta diversas incongruências.


A narrativa então procura apresentar a forma como que Rambo finalmente se religou ao restante da sociedade. Como ele, apesar de todas as situações extremas, encontrou um meio de lidar com seu passado, sempre olhando para o que estava por vir. Porém, como todo e qualquer filme de ação onde a vingança se torna motivação, algo iria atrapalhar, surgindo na figura de Gabriela e dos acontecimentos que cercam a garota.
Por mais que o enredo tente estabelecer para o protagonista uma família, faltam oportunidades para que isso realmente ganhe a profundidade que nos faça assimilar a ideia de que as ações que estão por vir, verdadeiramente se fazem necessárias. E o resultado? Apenas um pretexto para colocar o icônico soldado novamente em combate contra vilões caricatos, estereotipados, carregando uma boa dose xenofóbica por parte do roteiro. 
Sendo assim, nem mesmo a presença de Sylvester Stallone carrega a importância para que a história ganhe formato. Diferente de seu retorno com Rocky, aqui é tudo superficial, bucólico e metafórico em alguns momentos que não servem para quem mata e arranca partes com sua faca.
Entretanto, se ficarmos presos as formas exigentes ou na busca por questionamentos filosóficos, existenciais ou racionais na obra, há uma grande chance de sairmos decepcionados da sessão. O que temos é um festival de ação no melhor estilo anos noventa, onde se atira primeiro, pensando nas consequências somente quando seu inimigo estiver no chão. Por isso, fica estabelecido dois lados da mesma história, o bom e o ruim, do herói que precisa resgatar sua sobrinha, e dos vilões canastrões que só querem a maldade acontecendo. Isso faz do filme algo ruim? Pelo contrário, só demonstra que o público ainda aprecia esse tipo de narrativa, aquela onde claramente temos mocinhos contra bandidos, mesmo que para isso esqueçamos dos traços de humanidade. 
Pois o que importa mesmo é quem Rambo irá ferir!

Rambo - Até o fim é um desfecho que poderia ser chamado de "digno" se realmente ficasse de lado o tempo de dramalhão, e apenas tivéssemos ações desenfreadas para todos os lados. Ainda que a direção tente realizar tal façanha, faltou estabelecer desde o início qual caminho estava disposto a percorrer, principalmente com a câmera.
Ao final, produções como esta nos fazem sair daquele âmbito de cruzar as pernas na poltrona, ajustar o monóculo e procurar nuances, dicotomias, metalinguagens. Talvez este novo capítulo da franquia iniciada em 1982 não sirva para todo mundo, e certamente poderá ser colocado em questão por suas escolhas, pois é um jeito de contar a história do cowboy no fim de sua jornada, rumo ao horizonte, de maneira solitária. Contudo, por parte dos roteiristas fica o esquecimento de que isso funcionava em uma década que muitos querem esquecer, ou dizer que não existiu, e hoje condiz apenas com aquele espectador que ainda insiste em erros semelhantes ao da história aqui descrita.
É o famoso olho por olho, que traz aquela sensação de justiça própria seguida de um pensamento analítico sobre tudo o que Rambo fez! E sendo a história onde o algoz deve morrer para o mocinho se sentir em paz, o papel foi cumprido. 
De um jeito completamente questionável!

Nota: 2,5/5 (Quase lá...)
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