Predadores Assassinos - CRÍTICA

Recriando o medo que a natureza pode causar


Em 1975, Tubarão redefiniu o medo por algo que não se pode controlar.
Tanto espectadores quanto as demais pessoas, criaram um pavor acerca de entrar na água em qualquer local, seja na praia, num lago ou rio, devido ao perigo que a criatura principal do filme conseguiu gerar e até hoje, a trilha sonora clássica é sinônimo de ameaça.
Os anos passam, e através das mãos de Sam Raimi e Alexandre Aja, somos novamente imersos a uma atmosfera onde o terror em uma casa não está em acontecimentos sobrenaturais, mas na força da natureza manifestada de duas formas. 
E uma delas, é capaz de caçar, arrancar membros e assustar qualquer um!

Haley é uma jovem que em meio a uma tempestade decide ir até onde o pai mora, pois o mesmo não responde as ligações e precisa deixar o local imediatamente.
Ao chegar na casa ela se depara com um perigo inimaginável na figura de jacarés, que encurralaram seu pai no porão. Agora, a jovem precisa lutar pela sobrevivência, tanto contra os animais famintos, quanto da tempestade que está deixando a casa inteira, aos poucos, debaixo d'água.

Alexandre Aja comanda a produção, que conta com a mão de Sam Raimi, para dar ajudar a construir essa obra que se apoia nos clássicos elementos do terror e suspense.
O diretor escolhe nos mostrar logo de início os riscos que a protagonista irá correr, primeiramente, indo até seu pai em meio a uma tormenta que está devastando a cidade. Segundo, com os jacarés, que mesclam entre os efeitos práticos e digitais, gerando uma credibilidade natural a cada movimentação e ataque.
Para isso, Aja se debruça no que já é conhecido do cinema do gênero, criando situações claustrofóbicas dentro da casa, o medo da inundação a medida que vemos o volume de água aumentar, os jumpscares que encaixam corretamente para dar ainda mais tensão a atmosfera de perigo iminente e as tentativas de resgate que se frustram.
E quanto é necessário partir para a violência gráfica, o diretor executa um trabalho assertivo.
Desta forma, aos poucos os répteis vão fazendo suas vítimas, num festival de sangue na água, membros arrancados e embates que certamente serão desiguais para os humanos. Logo, fica evidente a demonstração tanto no texto quanto através da câmera que os personagens estão lidando com forças da natureza que o homem não possui capacidade de enfrentar de igual para igual.


Por isso, a narrativa cria um vínculo logo de cara com o espectador, para demonstrar que é possível torcer para aquelas pessoas que estão ali a mercê de jacarés famintos.
Todo o enredo entrega elementos do relacionamento da filha com o pai e o motivo de se afastarem, e como todo e qualquer clichê de Hollywood, uma situação extrema os coloca para então acertar o que é necessário em suas vidas. Contudo, engana-se quem pensa que este é mais um "terror com animais". Existe aqui não apenas uma carga dramática, mas uma real sensação de perigo, já que as ameaças estão em dobro, as vezes até triplo, durante a evolução da narrativa.
E a cada novo momento onde o próximo passo é busca por ajuda, o ambiente criado gera em quem assiste aquela tensão de ficar na ponta da poltrona do cinema, esperando que algo aconteça e quando acontece, apesar previsibilidade, você torce para que ali reste um sobrevivente para contar a história. Ou pelo menos a "Final Girl", que neste caso, faz de Kaya Scodelario uma nova membro no hall das mocinhas sobreviventes a assassinos e monstros (e bichos?). Quando é necessário a protagonista grita, se assusta, luta e convence em cada cena onde é levada ao extremo, o que deixa toda a experiência ainda mais angustiante.

Predadores Assassinos é uma grata surpresa que entra para o seleto grupo de filmes onde as ameaças são conhecidas do homem, até o momento em que ele é o alvo.
Com uma direção que se apoia aos elementos clássicos do terror e suspense, cumpre o prometido, a medida que cria uma atmosfera de ameaça e enclausuramento a cada nova sequência em que é necessário lutar pela sobrevivência.
Se Tubarão nos lembrou do medo de entrar no mar, agora, ficará o receio de se estar em casa e do nada um animal selvagem surgir, pronto para tentar devorar quem estiver no caminho. Por isso, a produção deixa um velho alerta, nada de jogar no vaso do banheiro aquele bichinho do seu filho, vai que um dia, em meio a uma tempestade, ele volta para se vingar.
Não que isso aconteça, mas todo cuidado é pouco e uma mordida de jacaré gera uma pressão de 1.678 kg, ou seja, dói até os dentes, literalmente!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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