(Des)Encanto: Parte II - CRÍTICA

Bean é a princesa tão disfuncional quanto suas piadas


Dividir uma obra em duas partes pode ser um grande risco principalmente quando se precisa apelar para dois aspectos importantes, o tempo entre os blocos narrativos e a empatia do púbico.
Nesse caso, Matt Groening, criador de Os Simpsons, tenta resgatar ou trazer ainda mais referências para comprovar que seu (Des)Encanto é uma série relevante dentro do cenário humorístico, porém quando esbarra nos elementos citados logo acima, sobram situações repetitivas e faltam oportunidades para que o espectador realmente se interesse pela história.
Ou seja, nem sempre essa jogada de separar uma temporada funciona!

Bean agora está com sua mãe, porém ainda se sente culpada por deixar Elfo morrer. Enquanto isso, seu pai, o rei Zog, se vê em um reino onde todas as pessoas foram transformadas em pedra. Logo, a princesa irá perceber que o caminho que percorre não é o mais adequado e os perigos irão se tornar familiares, e para se salvar, primeiro deverá fazer o amigo falecido retornar a vida, nem que para isso tenham que ir até o inferno, com a ajuda de Luci.

O retorno para essa segunda parte da temporada mantém a qualidade técnica, mas sem a mesma dedicação no que se trata de uma narrativa que realmente nos faça querer continuar assistindo depois do primeiro episódio.
Novamente, a mescla entre 2D e 3D consegue dar um ao traço uma vivacidade e agilidade que combina corretamente com o tom de aventura. Ao mesmo tempo, a forma como a fotografia brinca com cenários, luz, sombra, coloridos de determinados personagens e locais, estabelece na série aquela atmosfera de conto de fadas em que alguma coisa pode dar errado a qualquer momento.
Além disso, o trabalho de dublagem, principalmente o nacional, continua sendo o ponto alto da trama. Ao inserir gírias e expressões dos memes que conhecemos no Brasil, a narrativa ganha maior qualidade, ainda que não possua tanta expressividade ao analisarmos fora desse âmbito.


Sendo assim, o retorno de (Des)Encanto serve para nos relevar os acontecimentos que serviram de gancho para a parte dois, porém, a cada novo episódio, tudo soa como se já tivéssemos visto o que está sendo mostrado.
As piadas são praticamente as mesmas, as situações, as referências, a forma de relacionar os fatos da Terra dos Sonhos com a sociedade atual, tudo isso já havia sido mostrado na primeira parte. Aqui, ganham alguns aspectos maiores, mas sem profundidade, assim como novos personagens que somente passam pela trama sem deixar nada que comprove sua participação como relevante.
A quebra em duas partes faz com que fique claro os problemas que história já demonstrava, inconsistência de personalidades, subtramas que nada acrescentam e um gancho que somente aparece para novamente colocar a protagonista junto de outra personagem. Simplesmente ao sair do ponto A, damos uma volta por todo alfabeto, e retornamos ao mesmo ponto A. Sem crescimento, desenvolvimento ou carisma.

(Des)Encanto, parte dois, continua com sua qualidade técnica, contudo esquece de dar a esta nova leva de episódios um aspecto importante, o humor. Por mais que o desenho seja executado com assertividade e criatividade, principalmente quando se mescla computação gráfica, com o traço tradicional, a narrativa não sustenta os mistérios, perigos e caminhos por onde a produção deseja percorrer.
Ao final, Bean é uma princesa que se faz tão disfuncional em sua própria história quanto suas piadas, pelo simples fato de não apresentar nenhuma nova camada que nos faça querer continuar assistindo a obra. Ela bebe demais! Ela briga! Ela maquina! Ela está despreocupada com tudo! Sim, tudo isso já tínhamos visto, e quando finalmente algo novo pode fazer com que a trama ganhe força e saia da inércia, a temporada chega ao final!
Isso sim é um verdadeiro desencanto! 
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