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Carnival Row: 1ª Temporada - CRÍTICA

Quando o fantástico esquece o carisma


Histórias fantásticas que envolvem humanos e criaturas mágicas estão presentes há muito tempo dentro da cultura pop. De elfos, anões, hobbits à bruxos, basiliscos e dementadores, conhecemos diversas criaturas capazes de realizar feitos incríveis. Desta vez, entramos no universo das fadas, desolado por uma guerra, rejeitado pelos humanos. Porém o que poderia ser uma grande aventura, se torna um enfadonho jogo de investigação que até remete a Sherlock Holmes, apesar de não saber dosar mistério, fantasia e romance, sem o mesmo carisma dessa e de outras narrativas que vão além do habitual, comum e humano!

O reino das fadas passou por uma terrível guerra. Os humanos, auxiliaram no combate porém, com suas terras devastadas, as criaturas decidem se juntar as pessoas para então viver sua vida normal. Quando Vignette chega ao continente para entender o que ocorreu com alguém do seu passado, ela descobre muito mais sobre o desaparecimento, ao mesmo tempo algo muito ruim está acontecendo com as criaturas mágicas, colocando seu caminho e do detetive Philo mais perto de um real perigo.

Dirigida por Thor Freudenthal, Jon Amiel, Anna Foerster e Andy Goddarda, série está com todos os episódios disponíveis no Amazon Prime e de acordo com a empresa, é sua produção de maior orçamento.
Certamente, neste quesito, Carnival Row sabe o que faz! Utiliza bem os efeitos digitais, as texturas, maquiagem, criando realmente um ambiente mágico, fantástico e crível. Desde o estilo vitoriano, referências a uma Londres do início da era do maquinário elétrico à um steampunk empregado em cada canto da cidade, visualmente a produção consegue imergir o espectador ao universo criado através das roupas, maquiagem, cenários e objetos apresentados. 
A direção enfatiza o aspecto técnico em todos os momentos, com tomadas que focam as expressões em meio as próteses, para mostrar a capacidade de dar vida àquele universo através dos seus personagens. Em outro ponto, a fotografia que mescla entre os tons escuros e coloridos, cria uma atmosfera de bucólica, triste e de real perigo em diversos momentos. Logo o ritmo da série se baseia em explicar o que houve no passado dos protagonistas e o quanto isso influencia em suas atitudes atuais, o que rende momentos de ação bem executados por entre becos, telhados e corredores escuros. O clima de mistério é criado assim que a história vai ganhando força, apesar da demora para que isso ocorra!


Esse é o problema que encontramos em uma narrativa que por mais se preocupe em contar a história das fadas, dos faunos, centauros e outras criaturas que habitam aquele local, não gera uma real profundidade.
O discurso presente faz alusão a forma discriminatória da realidade do dia a dia, principalmente quando os humanos precisam lidar com os seres mais de perto, como no caso dos irmãos que se tornam vizinhos de um fauno rico. Contudo, cada sequência se torna superficial, acompanhada de diálogos previsíveis e que as vezes soam sem convencimento. Grande parte disso se dá na forma arrastada em que os pontos e elementos que darão ritmo a trama principal são apresentados, a história que está no plot demora cerca de cinco episódios para que finalmente venha ganhar forma, por conta disso, até que cheguemos nesse instante, as cenas são preenchidas por um romance que não convence, situações de perigo inexistentes, conflitos que parecem sair de novelas da televisão aberta, além de várias sequências de sexo que estão ali mais para mostrar que a produção pode fazer o mesmo que Game of Thrones, só que com fadas.
Desta forma, a construção do universo se faz insípida e nada atrativa até o momento que os perigos contra as criaturas mágicas finalmente se fazem aparecer.

Carnival Row é uma produção assertiva em seus aspectos técnicos, que sabe como encontrar uma forma criativa de apresentar cada ser mágico, seja através dos efeitos visuais ou da maquiagem, porém o que sobra de dedicação aqui, falta na hora de realmente conduzir a história. 
A trama não tem força ou elementos que realmente venham prender o espectador, beirando uma previsibilidade incômoda no que seriam os grandes mistérios de sua narrativa, que demora a encontrar o ritmo adequado para desenvolver tudo o que se propôs desde o início.
Ao final, a série é fantasiosa visualmente, mas ao tentar conquistar uma leva de fãs, acostumados com outras sagas fantásticas da cultura pop, não possui carisma o suficiente, e é nesse quesito que uma boa história com criaturas mágicas precisa se manter, pois cativar o público é algo que a magia já faz antes mesmo de virar série. Neste caso falta deslumbre e sobra uma tentativa apática de aventura, dentro de um universo que não sabe ao certo o que realmente quer gerar para conquistar a imaginação de quem está assistindo. Ou seja, nem toda fada tem seu brilho!
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