A Comunidade LGBTQ+ e o K-Pop - ESPECIAL


Annyeonghaseyo pessoas!

O post de hoje vai ser um tanto quanto longo, mais que qualquer outro que eu já tenha escrito aqui. E tudo isso para falarmos de quê? Sim, da comunidade LGBTQ+ dentro do K-pop. E porque razão eu decidi falar sobre isso hoje? Bom, está claro que estamos vivendo uma reviravolta nos últimos tempos e como comunicadora, me corrói por dentro ver o quanto as pessoas espalham ódio pelas outras pelo simples fato delas serem, agirem ou pensarem diferente – e quando digo isso, me refiro a todos os grupos que constantemente são discriminados, atacados e diminuídos por apenas ser quem nasceram para ser -.

Hoje, estou citando a comunidade LGBTQ+ mas esse texto poderia facilmente ser aplicado a qualquer outra comunidade que tem o seu direito e o seu orgulho ferido por pessoas que nem ao menos se dão ao trabalho de se informar antes de sair falando besteira por aí.

Desabafos à parte, vamos ao que interessa, no texto de hoje, eu vim comentar um pouco sobre como é a realidade da comunidade LGBTQ+ num país tão conservador e cheio de dedos como a Coréia do Sul. E para ilustrar isso, vou usar exemplos de celebridades e idols K-pop que deram suas caras a tapa, passando por cima de tudo e todos para serem eles mesmos.

Prepara a pipoca e vem comigo!



Antes de chegarmos ao ápice deste texto e falarmos sobre o tema central, vamos fazer um passeio por alguns pontos importantes da cultura asiática, para então entendermos como a homossexualidade está inserida neste meio e como ela é tratada dentro desses países tão conservadores como a nossa querida Coréia.

O Tabu Coreano

A Coréia do Sul, assim como a maioria dos países asiáticos, é muito conservadora e tradicional. Uma vez que tudo que não é habitual da cultura deles é taxada como algo imposto pela cultura estrangeira. Sendo assim, muitos coreanos dizem que a homossexualidade não existia na Coreia e que foi trazida pelos estrangeiros. Essa, porém é uma visão muito leiga e equivocada.

Há relatos de que no Hwarang, grupo de elite formado por homens da Dinastia Silla, havia relações entre os guerreiros. Já na Dinastia Joseon, a existência do grupo de performances Namsadang fortificou ainda mais a ideia de homossexualidade na Coreia, onde esse grupo de jovens que se vestiam de mulheres e tiravam sarro dos nobres apresentavam-se para aldeões. Embora as danças e atuações rendessem um bom dinheiro para eles, a principal atividade era a prostituição, com homens das aldeias.

Inclusive há um dorama muito bom – de mesmo nome – que conta a história da criação desse grupo de elite. Obviamente, algumas coisas foram modificadas - ou estão presentes de formas muito subliminares -, mas dá para se ter uma noção de como as coisas eram na época. Em breve terá review aqui para vocês.

Diferente do que muitos tentam afirmar, a homossexualidade não é algo trazido da cultura ocidental 'branca', sempre houve homossexualidade em todas as culturas, é simplesmente impossível afirmar o contrário. Não só na Ásia, mas muitos países da África afirmam a mesma coisa, mais de 30 países punem homossexuais, alguns são penas leves, e pelos menos 14 com pena de morte, por isso nos últimos anos começou uma grande migração de gays africanos na América a fim de escapar da opressão de seus países natais.

Homossexualidade não é doença, nem distúrbio, nem construção social, simplesmente, é algo natural como qualquer parte do corpo, já nasce com a pessoa.


A Cultura do Afeto na Ásia


Mesmo que você não conheça ou não se interesse tão a fundo pelo assunto você já deve ter notado, só de ver os filmes, séries ou reportagens sobre países asiáticos que por lá, as pessoas não tem a cultura de afeto físico como no ocidente. Aqui no Brasil, por exemplo, é comum pessoas sem relações íntimas se cumprimentarem com dois beijos e um abraço, para franceses e latinos isso é comum também, mas para norte-americanos, europeus, asiáticos, etc, é um costume 'estranho' e desconfortável. Assim como nos demais países da Ásia, na Coréia do Sul também é estranho ter contato físico com desconhecidos, esses atos são restritos apenas para pessoas extremamente íntimas. É nesse momento que entra a tal ‘cultura do afeto’...

As pessoas que são mais íntimas, fazem questão de ter contato físico para demonstrar o quanto são próximas, por exemplo, se você tem um amigo, mas ele não te abraça, significa que ele ainda não te considera um amigo íntimo (ou nem considera amigo). Pelo fato dos asiáticos serem muito tímidos, fazer boas amizades é um pouco mais demorado e é exatamente por esse motivo que as amizades verdadeiras são consideradas muito valiosas na cultura asiática. E devido à cultura ser muito conservadora e machista, é raro ver amizades entre pessoas de sexos diferentes, pois a maioria não acredita ser possível existir amizade entre homens e mulheres. Motivo pelo qual a amizade entre homens é tão valorizada: puro conceito machista.

Esse é um dos motivos também para vermos tantos idols sempre juntos, se abraçando e demonstrando afeto: para passar a imagem de amigos íntimos e unidos.  Quando na real, a gente sabe que não funciona exatamente assim, não é mesmo?


Os Flower Boys e Ulzzangs

O padrão de beleza 'flower boy' é muito popular na Coréia, basicamente consiste em um cara de rosto jovial (cara de adolescente), rosto 'delicado' (andrógeno), geralmente com franja, etc. Esse padrão veio dos animes e dos idols japoneses, é claro.

Os Animes/Mangás japoneses e os Manhwas coreanos fazem muito sucesso na Coréia, assim como no resto da Ásia, não apenas entre os adolescentes, mas o público asiático em geral gosta muito de histórias em quadrinhos. A aparência exótica desses personagens influencia os jovens asiáticos, muitos pintam os cabelos ou fazem cirurgias para ficarem iguais aos personagens. Nos últimos 20 anos o visual dos animes foi incorporado à aparência dos  idols japoneses, e posteriormente, foi adotado no k-pop, onde os idols masculinos tentam parecer com os personagens de shoujo (mangás para pré ou adolescentes, em ênfase, garotas), enquanto as idols femininas tentam parecer com personagens de shonen (mangás destinados á garotos). Isso fica muito óbvio a partir do momento em que você vê as comparações entre os idols coreanos e personagens de animes, mangás e manhwas.





Já os ulzzangs são uma extensão mais exagerada do padrão de beleza inspirado nos animes, e tanto garotas quanto garotos podem ser ulzzangs, que significa 'rosto bonito'. Basicamente, esse padrão é uma mistura do visual inspirado em animes e a moda japonesa Gyaru, só que um pouco mais leve.

 A maioria dos ulzzangs segue o mesmo padrão facial: olhos grandes (maquiagem e lentes), nariz fino e pequeno, lábios pequenos, rosto pequeno em formato de "V", pele muito clara, bochechas redondas (nem todos). Basicamente um visual tentando imitar algo 'fofo', de aspecto 'jovial', 'puro', 'inocente'. As fotos deles geralmente são carregadas de photoshop e filtro branco (whitewhashing), sem contar que muitos dos /das ulzzangs já fizeram cirurgias plásticas, o que torna esse padrão extremamente irrealista.




Toda via, esses padrões estão sendo lentamente substituídos pelo kit 'coreano que gosta de hip hop', aba reta, calças apertadas nas pernas e soltas no meio, cabelo curto, tatuagens, marra de pegador, regata branca, etc.


Influencia da Moda e Androgenia


Os artistas musicais sempre foram influenciados pela moda e muitos até criam novas tendências. Isto não é diferente na Ásia, porém, a influência da moda no pop asiático é muito mais profunda que no pop ocidental, uma vez que em geral os asiáticos são muito interessados em moda, e os coreanos(as) ainda mais que os outros. O fato de o mercado musical asiático ser muito mais agitado e mais diversificado que o americano, acaba obrigando os artistas a criarem novos estilos para chamar atenção do público. Então basicamente, o pop asiático (coreano, japonês, chinês, tailandês, etc) tem muita influência da moda para chamar atenção do público, e como a tendencia mundial das passarelas nos últimos anos tem sido a Androginia, o pop asiático em geral aderiu.

Alguns artistas do k-pop são modelos profissionais ou são chamados para desfilar ocasionalmente. Grupos como BIGBANG e o extinto 2NE1 são garotos(as) propaganda de marcas famosas como Chrome Hearts e ADIDAS.



O Fanservice

O fanservice uma atitude normalmente voltada para sexualidade, feita pelos artistas para chamar atenção (lê-se: agradar os fãs). Essa cultura está relacionada diretamente aos animes japoneses, que são muito populares nos países asiáticos. Um bom exemplo são as bandas de rock antigo, onde os membros se beijavam, ou a famosa cena do VMA de 2003 onde as cantoras Madonna, Britney Spears e Christina Aguilera se beijam. E no k-pop também é bem comum ver cantores do mesmo sexo se beijando, ou fazendo atos relacionados à sexualidade, isso pode não estar exatamente relacionado com a orientação sexual deles, é apenas marketing (muito forçado, mas é). 

O fanservice é geralmente mais "pesado" nos boys groups, já que eles têm mais fãs garotas (adolescentes). Muitas pessoas confundem o fanservice achando que se trata exclusivamente de algo sexual e homossexual, o que nem sempre é verdade. Pois o fanservice é tudo aquilo que agrada os fãs, e pode ser desde uma roupa apertada e decotada, à coreografias sensuais, ou simplesmente alguma atitude (aegyo também é considerado fanservice).

 Existe claro, um fanservice ligado à homossexualidade, cantores, atores, ou personagens de filme e animes que são do mesmo sexo tendo contato físico e troca de carinho. Entretanto, esse aspecto nem sempre está ligado à orientação sexual, mas sim a cultura do afeto como já foi citado aqui.

Como vocês já bem devem saber a maioria dos fãs de k-pop são garotas jovens, principalmente na Coréia, onde está presente o público alvo, a quantidade de fãs 'garotos' é ainda menor. Os girl groups são os que mais têm fãs masculinos, porém dificilmente, isso é atribuído a sexualidade, já que a maioria assiste só para satisfazer seus fetiches. Por exemplo, os caras que estão cumprindo o serviço militar obrigatório não podem ir para casa ou ter encontros, então muitos deles vivem assistindo vídeo de girl groups.

O k-pop explora muito os fetiches da cultura pop asiáticas (principalmente da japonesa), o mais comum é o fetiche das/dos colegiais (estudantes adolescentes), é muito comum ver os idols usando uniformes escolares muito mais curtos e apertados que os normais. Obviamente pela cultura machista, os maiores 'alvos' dos fetiches são as mulheres. Abaixo temos mais alguns exemplos dos tipos de fetiches explorados dentro da indústria pop coreana.

"Empregada sexy" com vestidos coloridos

Cabaré

Cheerleader (líder de torcida)


A mudança está a caminho...

Enfim chegamos a parte do texto onde vamos finalmente tratar do assunto central deste post que é a comunidade LGBTQ+ dentro da indústria k-pop. A falta de familiaridade é parte da razão pela qual a Coréia do Sul pode ser um lugar difícil para pessoas que sejam consideradas 'diferentes'. Por isso é necessária a inclusão de gays, lésbicas, trans, etc, na mídia, para promover a afeição entre pessoas de diferentes estilos de vida, já que muitas pessoas acham que gays vivem em 'um mundo à parte'.

Infelizmente a pressão social na Coréia (assim como em muitos países) é tanta que alguns acabam não aguentando e desistindo de viver. Foi o caso da atriz transexual Jang Chae-won que cometeu suicídio devido a pressão da mídia e da sociedade coreana por ser homossexual e transexual e o modelo Kim Ji-hu que também cometeu suicídio pela pressão por ser homossexual. A representatividade LGBTQ+ já está dando seus passos na mídia coreana, e temos alguns exemplos para ilustrar esse avanço, que apesar de pequeno já é bem significativo.




Hong Seok-cheon, era ator muito conhecido quando, em 2000, gerou considerável controvérsia no país, ao assumir ser homossexual. Após isso perdeu todos os seus trabalhos na TV. Ficou conhecido como a primeira celebridade abertamente gay da Coreia. Desde então ele abriu vários bares e restaurantes, todos abertos e amigáveis ao público LGBT.

Em 2004, ele ingressou no Partido Trabalhista Democrático e foi selecionado pela revista Time como o herói asiático do ano. Hong também continuou a aparecer regularmente em talk shows, especialmente Yeo Yoo Man Man, em que ele apareceu junto com seus pais e discutiu sua vida desde que assumiu sua orientação sexual. Atuando de forma sábia, Hong estrelou Puzzle (2006) ea  peça de teatro A Midsummer Night's Dream (2009). Ele também fundou o shopping Ne2Nom em 2007 e tornou-se professor na Universidade Nacional de Artes da Coréia (ensinando Broadcast Content Production em 2010 e Fashion Arts em 2011).

Em 2008, ele apresentou o seu próprio talk show, Coming Out, que apresentava questões homossexuais. Apesar do persistente conservadorismo da sociedade coreana, Hong superou a desaprovação pública inicial e gradualmente ganhou aceitação mais popular, especialmente entre a geração mais jovem, em parte por causa de seu ativismo na luta por direitos LGBT. De pequenos trabalhos e aparições, ele agora apresenta shows na televisão a cabo e tem apoio considerável através das redes sociais.




Lee Kyung-eun, mais conhecida como Harisu, é uma cantora pop, modelo e atriz transsexual sul-coreana. Sua história de vida é bem singular, pois apesar de ter nascido do sexo masculino, desde de sua infância sempre se afirmou como sendo do gênero feminino, tendo se tornando a primeira artista transsexual de destaque na sociedade sul-coreana. Em 2002, tornou-se a segunda pessoa a ter a sua mudança de gênero reconhecida legalmente na Coreia do Sul. Seu nome artístico é uma adaptação da frase inglesa "hot issue".

No início de 2001, Harisu ganhou certa atenção da mídia quando protagonizou um comercial de uma empresa de cosméticos. No mesmo ano, sua vida foi objeto de um documentário produzido pela emissora coreana de televisão KBS. Ainda em 2001, ela lançou seu primeiro álbum "Temptation". Em 2002, lança seu álbum de maior sucesso "Liar", seguido por "Foxy Lady" (2004), "Harisu" (2006) e "Summer" (2006). 

Desde sua estréia em 2001, Harisu expressou consistentemente o desejo de se casar e ter uma família própria. Em 2005, ela começou a namorar Micky Jung (nome real Jung Yong-jin), um rapper que ela conheceu on-line. Jung, que tinha sido um membro do grupo de dança EQ durante a década de 1990, mais tarde se juntou Harisu da empresa de gestão e trabalhou em seu quarto e quinto álbuns. O casal se separou brevemente em 2006, mas se reuniram depois que Jung a viu namorando outro homem em um programa de TV. Rumores de que os dois se casassem começaram a circular em novembro de 2006 e uma data para o casamento foi anunciada em fevereiro, após reuniões entre suas respectivas famílias. Harisu e Jung estrelaram em um reality show na rede de TV a cabo Mnet mostrando suas vidas diárias e preparativos para o seu casamento, mas o casal foi submetido a duras críticas de internautas.

Em 19 de maio de 2007, Harisu e Jung se casaram no Central City Millennium Hall no distrito Seocho-gu de Seul. A cerimônia foi presidida pela âncora da KBS, Shin Young-il, e oficiada por Kim Suk-kwon, um professor da Universidade Dong-A que havia realizado a cirurgia de mudança de sexo de Harisu na década de 1990. O casal fez a lua-de-mel na ilha tailandesa de Ko Samui e começou sua vida de casado na casa da família Harisu em Nonhyun-dong, no distrito de Gangnam-gu em Seul. O casal disse que planeja adotar quatro filhos, embora a notícia tenha provocado uma reação pública mista. Uma pesquisa da Mnet revelou que 69% dos 1.300 respondentes estavam a favor da decisão de Harisu de adotar, enquanto que em uma pesquisa semelhante por Daum, 58% dos 8.094 respondentes estavam contra a ideia.

Apesar da duras criticas e pressão, a repercussão do sucesso na carreira e vida pessoal da Harisu se tornou um símbolo de esperança para outros gays e trans na Coreia do Sul.



A força e a luta de Harisu inspiraram muitas pessoas, especialmente um quarteto de mulheres trans, que acabou se tornando o primeiro grupo transgênero de K-Pop, o LADY. Desde o princípio as integrantes citavam a artista como sua fonte de inspiração e demonstravam a grande admiração por ela. O grupo já se desfez (2005 – 2007), porém deixou sua marca registrada na história da música popular sul-coreana, e com certeza ainda é motivo de orgulho para a comunidade LGBT da Coreia do Sul. Confiram o videoclipe de “Atenttion”.




O casamento do diretor Kim Jho Gwang-soo ficou conhecido sendo o primeiro casamento de pessoas do mesmo sexo na Coreia, apesar de ser apenas simbólico já que o ato permanece ilegal no país asiático conservador. A cerimonia acontece em setembro de 2013. Não, você não leu errado, foi em 2013 mesmo, ainda foi mais cedo que o Japão, pois de acordo com o site da CNN, o primeiro casamento em pessoas do mesmo sexo foi entre duas lésbica em 2015.

Vestido de branco, Kim Jho Gwang-soo e seu parceiro por nove anos, Kim Seung-hwan, encenaram uma cerimônia em um palco com vista para um riacho, com um coro e vários artistas realizando um tributo musical.

 “É importante que sejamos ou não um casal legalmente ligado, mas o que é mais importante, queremos que as pessoas saibam que os gays também podem se casar na nossa sociedade".

Centenas de pessoas participaram da cerimônia de duas horas, apelidada de "Kim Jho Gwang-soo e Kim Seung-hwan's Righteous Wedding", que contou com os parceiros lendo seus votos e cantando uma canção para ilustrar sua história de amor.

Kim dirigiu um punhado de filmes bem recebidos por audiências domésticas e saiu em 2005 durante uma exibição. Ele co-fundou uma empresa de produção "Rainbow Factory" com seu parceiro que é especialista em filmes LGBT.

O casal disse que eles usariam os tradicionais presentes de dinheiro de casamento que receberam para lançar um centro para questões LGBT.




O Girl group Mercury estreou em março 2016, originalmente tinha 3 membros, mas atualmente tem 4. Esse grupo porém tem um diferencial, uma de suas integrantes é uma modelo transgênero. 

A modelo, atriz e cantora Choi HanBit, passou por uma cirurgia de mudança de sexo em 2006. Em função desse fato, o grupo ganhou bastante destaque nos sites de notícia internacionais sobre a cultura coreana. Além disso, fãs internacionais de K-Pop, inclusive os brasileiros, estão dando bastante apoio ao grupo através das redes sociais!

Em 2009, Choi HanBit participou do programa Korea’s Next Top Model, Cycle 3, onde concorreu com mais de 1.200 participantes. Neste programa, ela chegou ao Top 10 de modelos e ganhou bastante atenção do público. Após sua saída do programa, Choi HanBit apareceu em uma série de programas de televisão e manifestou o desejo de se tornar uma atriz. Além disso, ainda antes de estrear com o grupo Mercury, HanBit lançou um álbum solo chamado Not my Style, em 2015.


Direitos LBGTQ e Festival Queer

Na Coréia do Sul não há leis que reconheçam casais do mesmo sexo e lhes dê os mesmos direitos dos casais heterossexuais, ou que apenas os protejam. Ainda sim, a comunidade LGBTQ+ coreana trabalha duro para conquistar seus direitos.

Um exemplo disso é o “Queer Festival” fundado nos anos 2000. Essa foi uma das formas que a comunidade LGBTQ+ encontrou de celebrar seu orgulho e protestar contra a homofobia. É basicamente como a Parada do Orgulho LGBT aqui no Brasil.

Como forma de proteger os participantes e evitar ataques fora do festival é pedido a todos os fotógrafos que desfoquem os rostos em suas fotografias e também é pedido o uso de óculos e máscaras faciais.

Apesar de vários protestos anti-gay, o evento seguiu anualmente, e a 10 ª edição do festival em 2010 que foi realizada na área de Jongno de Seul, contou com a participação de representantes de várias ONGs coreanas, incluindo Baram Sory (o Grupo de Direitos Humanos dos Gays) a Fundação Lésbica Coreana, o Centro de Aconselhamento Lésbico na Coreia do Sul, o Womenlink coreano, Outeen, Unninetwork e Butchway 2010 Estúdio. Infelizmente o desfile foi proibido em 2015. Isso atraiu a atenção internacional para o evento, com a maior parte dele sendo crítico do progresso alcançado com relação aos direitos LGBT na Coréia do Sul.

Foi liberado novamente em 2016 batendo recorde de participantes, mais de 50 mil pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, juntamente com os seus apoiadores apareceram no Seoul Plaza para demonstrar seu orgulho e lutar contra a homofobia.

Suporte

Em uma sociedade que evita as pessoas gays devido a uma infinidade de razões, pode ser difícil viver confortavelmente ou encontrar a paz dentro de si mesmo. Felizmente, a Coréia oferece uma infinidade de grupos de apoio que atendem à cultura gay em sua própria maneira original. Não só há um orgulho gay anual, mas também há um divertido arco-íris percorrendo as ruas de Itaewon, mini concertos de apoio à consciência, grupos no Facebook e o grupo de apoio 'Pais de Crianças LGBT'.
               
'Pais de Crianças LGBT ' é um grupo de mães que andam durante eventos LGBTQ dando abraços e compartilhando o amor com os homossexuais da Coréia. É bastante emocionante ver várias pessoas irromperem em lágrimas ao receber um abraço quente de uma ahjumma dizendo que vai amá-los incondicionalmente.  – Clique aqui para ver o vídeo.

Saunas e outros locais exclusivos para o público LGBT

Além da várias boates destinadas ao público LGBT, incluindo algumas de propriedade do Hong Seok-cheon, existem vários outros lugares destinados ao público gay que são geralmente identificados com bandeiras de arco-íris, como a famosa área "Homo Hill" em Itaewon, que contém bares, cabarés, clubes, karaokês, e outros locais destinados ao público gay, muito frequentado por estrangeiros e por soldados coreanos.

Um blog chamado Korean Expose explora a sauna a partir da perspectiva de um homem gay vivendo em Seul, compartilhando suas experiências em uma dessas saunas. Ele explica que as toalhas são amarradas ao corpo dos frequentadores de forma estratégica, para apontar a passividade. E acontecem atos sexuais, apenas quando se é consentido, muitas vezes resultando em uma grande orgia. Uma vez que a diversão está terminada, os clientes voltam para o chuveiro, vestem seus ternos ou roupas modernas e discretamente desaparecem de volta para as luzes movimentadas da Coréia do Sul heterossexual.

Como já foi dito no início desse texto, a homossexualidade existe em todas as partes do mundo, e é impossível negar isso, por mais que países conservadores como a Coréia tentem mascarar nós sabemos que existe. – vide os casos citados acima. –

A indústria do k-pop muitas vezes (na maioria delas) é maldosa, e abusiva com os idols que gerenciam – proibindo-os até por contrato de ter um relacionamento afetivo com quaisquer pessoas (seja hetero ou não), como aconteceu com E’dawan & Hyuna ex-contratados da CUBE, que acabaram sendo expulsos da empresa depois de terem assumido publicamente seu relacionamento. Imaginem então o que não fazem quando se refere à sexualidade deles?

Por mais que eu ame e admire a cultura oriental e seja fã de k-pop e doramas é impossível fechar os olhos para esse tipo de coisa que, querendo ou não afeta até mesmo quem não vive lá, como nós, os fãs internacionais. A Coréia, assim como muitos países – principalmente os asiáticos – ainda tem muito que aprender em relação não apenas ao livre arbítrio e aceitação das pessoas pelo que elas são, mas em muitos outros aspectos e eu espero que façam isso logo! 

Apesar do texto enorme ainda ficaram muitas coisas por falar, quem sabe um dia, num outro post eu não venha comentar sobre os K-idols que apoiam a causa LGBTQ+, por exemplo? Vocês gostariam disso?

Para finalizar deixo aqui uma pequena lista com MVs de K-Pop com temática LGBT é só clicar e assistir!

Brown Eyed GirlsAbracadabra: Em 2010, o tema gay não era algo que você realmente veria envolvido no K-Pop. No entanto, a deusa GaIn introduzia lentamente tais idéias sensuais através da coreografia de "Abracadabra".

Cheetah's My Number: Não necessariamente é um MV com conceito gay elaborado, mas definitivamente exibe alguns dançarinos drag queens. As pessoas podem não gostar, mas é simplesmente outra parte da cultura e moda gay. Isso mostra que os gays também estão construindo uma forte presença na mídia ao invés de ser um acessório, especialmente porque eles tiveram tempo para brilhar por conta própria no MV.

K.Will – Please Don’t: Esse é o MV de temática gay mais popular no K-Pop. O interessante do vídeo é que parece ser mais um clichê de amor-hetero não correspondido, mas então no final apresenta o interesse homossexual em um plot twist inesperado. O MV não glamorizou a homossexualidade como uma cultura sexual ou fetichizada como nos casos citados a cima, mas na verdade como seres humanos que valorizam relacionamentos sérios com o amor verdadeiro.

Nell – The Day Before: De longe um dos MVs com temática LGBT mais tristes. Primeiro - este MV tem várias interpretações, mas está fortemente ligada ao suicídio e à homossexualidade. O MV retrata a gravação do suicídio de um homem que seu "possível" interesse romântico encontra. Enquanto ele assiste ao vídeo, está revivendo os cenários onde antes o seu amante se envenenou, como se estivesse lá, sendo guiado através de cada conversa e testemunhando a depressão de seus amigos, como ele estava impotente em salvá-lo do que "ele não podia reconhecer". A letra "é tão difícil de descobrir" e "não poderia viver assim" está se referindo a ser fechado e reprimido. Ele está apaixonado e não poderia lidar com o fato de não ser aceito na sociedade ou ser rejeitado por aquele que ama. – PESADO!

Holland – Neverland: Holland é o primeiro cantor de K-Pop assumidamente LGBT. Seu debut em 2018 fala abertamente sobre sua sexualidade e seu desejo de escapar para um lugar melhor, onde pode ser livre. O nome não poderia ser mais significativo – Neverland. Causando muito barulho em sua estreia, no clipe podemos ver o amor entre dois garotos e uma cena de beijo entre eles.


Texto de Apoio: Hallyu Town
Tecnologia do Blogger.