Yesterday - CRÍTICA

Um mundo sem os Beatles é impossível 


A fama sempre esteve entre os desejos de qualquer pessoa que se coloca na trajetória de qualquer tipo de arte.
Gravar um disco, ver as pessoas cantando suas músicas, estádios lotados, situações que podem acontecer quando uma banda consegue emplacar um sucesso atrás do outro. E se desta vez, ao invés de um grupo, um único rapaz conquistasse todo esse prestígio? Danny Boyle, em sua capacidade de contar histórias únicas, nos faz permear um caminho sobre fama, amor e talento, mudando a história que conhecemos, aliado a uma trilha sonora que fará os fãs dos garotos de Liverpool sair cantando, temos uma produção repleta de bons sentimentos ao final da sessão. Algo que as músicas dos Beatles sempre conseguiram!

Jack é um jovem músico sem sorte. Suas apresentações não atraem muitas pessoas, tirando os seus amigos e sua agente, Ellie. Em um certo dia, o rapaz sofre um acidente no exato momento em que um acontecimento mundial faz com que Os Beatles deixem de existir. Nenhum registro ou menção, mas apenas Jack lembra da banda e de suas músicas. Logo, surge a chance de fazer sucesso usando sucessos do grupo inglês, porém nem tudo é fama e conquistas!

Danny Boyle comanda a produção apoiado a uma trilha sonora empolgante e um romance que por mais que pareça clichê se constrói de maneira assertiva.
O diretor utiliza bem do aspecto fantástico para criar transições criativas e coloridas com os nomes da cidades que são percorridas, da mesma forma que transforma a sequência da descoberta da inexistência dos Beatles em um momento digno de qualquer filme de ficção científica. 
Usando de uma câmera que cria planos abertos, longos e logo cortando para o impacto das situações visualmente no rosto do protagonista, torna o trabalho do direção um verdadeiro clipe musical estendido. E as sequências onde as canções são entoadas conseguem emocionar, empolgar e trazer aquele sentimento de paz a cada nota!
Ainda neste aspecto, a trama vai se construindo de maneira coesa a medida que comédia, drama e aventura ganham espaço em cada nova cena. Por mais que a princípio a história possa parecer simples, a construção da trama traça suas próprias regras dentro do que é fantasioso nesse universo, contudo esses elementos orbitam o contexto principal, sem exageros, ou didatismos, fazendo com que surpresas aconteçam, principalmente para quem é fã dos Beatles.


A narrativa por sua vez consegue criar uma jornada onde a fama pode que acontecer de uma hora pra outra, mesmo que isso traga o afastamento daquilo que realmente importa. Ao mesmo tempo, o texto apresenta possibilidades para aquilo que seria um mundo sem conhecimento algum do que foi a "Beatlemania", ou seja, como os jovens, adolescentes, consumidores de música, reagiriam aos clássicos da banda sendo mostrados pela primeira vez. 
Isso fica evidente quando uma reunião é feita para definir o conceito do primeiro disco de Jack, onde os nomes dos álbuns icônicos dos garotos de Liverpool viram piada no pensamento dos publicitários da geração Millennial ou uma das letras é modificada, por simplesmente ser mais adequada para arrebatar uma geração de fãs. Nesse jogo de hipertexto onde notoriedade pode virar uma jornada solitária e exaustiva, entra em cena um romance, que possui um contexto conhecido de diversas histórias. O jovem que conhece a moça há muito tempo, ambos se gostam, todos sabem, mas os dois ainda não criaram coragem para fazer com que tudo aconteça. Clichê? Sim, porém aqui, é um "mais do mesmo" divertido, empolgante, embalado a uma trilha sonora que ajuda a contar a história, até mesmo contextualizando certas ações do protagonista diante desse mundo novo que lhe foi apresentado. Ademais, tais canções se tornam o fio condutor para inúmeras exposições da personalidade, características e anseios dos personagens, fazendo com que "Let i Be", "Yesterday", "In My Life" tragam ao espectador a memória sonora de quem foram os Beatles para música e o desejo de ao sair da sessão, encontrar a playlist mais rápida para continuar o show!

Yesterday é aquele clichê romântico atrelado a musical que transforma a experiência imagética num grande espetáculo celebrativo do amor, do talento e das escolhas que fazemos para viver algo que realmente importa. 
Com uma direção que sabe dosar comédia, fantasia, romance e drama, alinhado a uma trilha sonora que eleva ainda mais o ritmo e a narrativa criada, para demonstrar que o público muda, a forma de alcance também, mas sucessos permanecem ainda fazendo o mesmo efeito ontem e hoje, a produção é puro encantamento sonoro! 
Ao final, o longa de Danny Boyle comprova algo que há muito se faz e sabe, que música e cinema andam juntas para gerar no espectador aquele sentimento que afaga o coração, que estabelece boas memórias e empolga, principalmente quando se trata das canções dos Beatles. 
Se um mundo sem a banda de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr era impossível de ser imaginada, eis que temos um exemplo de uma realidade assim, principalmente demonstrando que toda a fama agregada nem sempre é o suficiente para preencher o espaço na vida que na verdade pode estar reservado para um grande amor, uma aventura simples ou uma playlist que trará um pouco mais de afeto.

Nota: 4/5 (Ótimo)
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