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Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw - CRÍTICA

Quando você pensa que Velozes e Furiosos está perdendo o jeito, eis que...


O primeiro filme da franquia já possui 18 anos.
Desde os últimos quatro longas, a história deixou de ser apenas uma disputa entre os carros mais velozes, para que a equipe criada por Toretto, ou melhor sua família, pudesse usar seus talentos para salvar o mundo. Seguindo esta mesma narrativa, Hobbs e Shaw saem da sombra dos protagonistas para estrelar sua própria aventura que consegue permear diversos gêneros do cinema, mas acima de tudo, demonstra a despreocupação em parecer sério, abraçando a diversão e o exagero, entre explosões e muito combate.

Quando uma agente do MI6 consegue impedir um vírus de ser roubado por um terrorista, Luke Hobbs e Deckard Shaw são convocados para encontrar a moça e a arma biológica antes que caia em mãos erradas. Porém, os dois agentes acabam sendo alvos de uma organização que está disposta a tudo pelo vírus, os forçando a viajar por diversos lugares até conseguirem salvar o mundo desta nova ameaça.

David Leitch comanda a produção comprovando que é possível continuar a franquia sem a necessidade do clichê familiar de Vin Diesel.
Demonstrando que sabe o que fazer nas sequências de ação, indo da megalomania já presente nos filmes anteriores à momentos de introspecção, há muitas referências no comando da câmera. Dos brucutus da década de oitenta, a ação desenfreada dos anos noventa, Leitch parece escolher uma lente que transita pela galhofa despretensiosa, usando o CGI a seu favor, para criar novas experiências capazes de sustentar o ritmo e fazer com que o espectador fique atento a tudo o que ocorre por mais de cento e vinte minutos.
O diretor utiliza planos longos e abertos quando diálogos começam, algo que dificilmente é uma escolha usual, justamente para demonstrar as paisagens, locações e ambientações, extrapola no slow motion nas cenas de combate, para que os golpes possam ser acompanhados com clareza, além de honrar as películas anteriores com boas e criativas perseguições de carro. Logicamente o uso dos veículos não fica limitado a correr pelas ruas, nesse caso servem como verdadeiros tanques de guerra, atravessando paredes, fazendo curvas altamente perigosas, a ponto de serem içados por correntes com um helicóptero os carregando. O produto final expressa uma familiaridade entre o diretor recém chegado a franquia e ao todo que já foi para os cinemas.


Em sua narrativa, a nova aventura de Velozes e Furiosos consegue manter o que já foi estabelecido, ao mesmo tempo que acrescenta novos elementos para que outras histórias possam ser contadas, dentro e fora do arco principal.
Aqui entendemos o que Luke Hobbs fez antes de se tornar um agente, seu relacionamento com a família e sua origem na Samoa. Já para Deckard, sua relação com a irmã e o quão ligado ao vilão serve para impulsionar ainda mais o roteiro. Por mais que não queira, a produção abraça a ideia de resolução de conflitos, de estabelecer vínculos e dar força para aqueles já existentes.
Por sua vez, o roteiro faz uso da clássica fórmula do conflito cômico entre dois personagens, com diversos momentos de insultos que ganham ainda mais força na comédia se assistido na versão dublada em língua portuguesa. Junte isso a um aspecto que virou marca da franquia: viajar por diversos lugares onde sempre há alguém para ajudar. Pois novamente temos uma ameaça global!
E diferente do que se espera, os agentes estão prontos para enfrentar todo e qualquer conflito, como um time de super-heróis, suas habilidades são ampliadas, principalmente para enfrentar o antagonista, recorrendo então ao que eles tem de melhor, que vão de seus valores à um plano bem elaborado.
Contudo, a mesma história que dá crescimento a dois personagens acaba por fazer inserções que só estão presentes para justificar a continuidade das produções. Como uma personagem que está na Rússia e outro agente da CIA. Ao mesmo tempo, a duração da película acaba perdendo força em um dos momentos que deveria ser um grande trunfo, ao apresentar familiares de um personagem que é interpretado por alguém daquela cultura, mas por conta do clímax, tudo se torna abrupto e não gera qualquer relação natural com o que é demonstrado.

Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw é despretensioso, divertido, dando continuidade aos absurdos já realizados pela franquia nos outros oito filmes anteriores.
Com uma direção que expressa total conhecimento da ação, carregada de personalidade, fazendo referências a outras produções, além de não ir pelo convencional ao realizar o cinema de aventura, o "legado" dos motoristas que salvam o mundo se mantém intacto.
Se para manter a humanidade distante dos perigos mais terríveis algumas pessoas fazem o recrutamento de pessoas superpoderosas, aqui não é deste jeito que funciona. Basta ser bem treinado, dar bons golpes em sequência, ter bons contatos e possuir destreza ao pilotar carros que você será chamado para uma missão altamente perigosa, que certamente fará com que todos os conhecimentos sejam colocados a prova, realizando também uma forte conexão entre os presentes.
Porém o grande trunfo deste longa pode ser também o principal causador de desavenças na família que conduz toda a trama principal: ele comprova que o Vin Diesel não faz falta!

Nota: 4/5 (Ótimo) 
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