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Universo Anime - Review

Mas afinal, o que é anime?


A pergunta inicial do texto pode ser facilmente respondida por aquele que já acompanhou e acompanha diferentes histórias adaptadas dos mangás.
Os "desenhos japoneses" conquistaram inúmeros fãs ao redor do mundo, para quem o questionamento do começo se torna quase obsoleto. Contudo para muitas pessoas, que estão descobrindo esse tipo de produção, explicar como aquelas animações conseguem ir do sentimental ao violento pode parecer estranho. Logo, o documentário lançado pela Netflix tenta trazer um pouco de luz a mente daqueles que estão assistindo animes pela primeira vez, além de fazer propaganda de seu próprio catálogo. É a famosa venda casada, e esta veio direto do Japão.

O documentário acompanha Tania Nolan tentando explicar o que é o anime, sua popularidade e as pessoas envolvidas em projetos que conseguem capturar uma legião de fãs. Desde os animadores e roteiristas, a quem canta a trilha sonora, a produção percorre diversos lugares do Japão para mostrar como a cultura das animações vai além do que se vê em tela.

Alex Burunova dirige o longa documental de uma maneira cativante, dinâmica e informal.
Os cortes são feitos com transições animadas, jogo de câmera em trezentos e sessenta graus, montagem que faz referência a obra do entrevistado, trazendo um produto visualmente diferente de outros do mesmo gênero já lançados.
É interessante que a informalidade acaba conquistando cada pessoa que precisa falar do seu processo criação, a forma como conduz uma equipe ou a preparação para subir no palco, aliando isso a pessoas que realmente conhecem do assunto, o ritmo da produção se torna ágil, indo de um ponto a outro se enrolação, ao mesmo tempo que vai inserindo a cada nova transição trechos dos animes citados, o que gera total curiosidade no espectador.
Logo, entrevistando Shinji Aramaki, Kôzô Morishita e Yoko Takahashi, criadores de produções conhecidas como Castlevania, Aggretsuko e Kengan Ashura, entendemos parte das inspirações, pensamentos, ideias que cada um desses artistas desenvolvem para o seu material em particular. O que vai de experiências pessoais até momentos quem se está no banheiro.
Junte isso com a busca por transmitir como são os fãs dos animes, principalmente no Japão. 
A forma como a cultura e as subculturas criadas pelas produções, torna o documentário mais pessoal e próximo de quem o acompanha. 
Um dos pontos altos é quando se dá a oportunidade para que dois aficionados pelas animações possam entrevistar diretores, entrar em estúdios, conhecendo de perto como funciona a elaboração, um sonho que muitos gostariam de realizar. 
Entretanto há um problema nesta produção.

Ou melhor dois!
Primeiramente, é a velha "síndrome de colonizador", que em certos momentos faz com que certas falas da narradora pareçam desmerecer ou realizar chacota do que ela mesma se propôs a pesquisar. Ok, há um ajuste ao final do filme, mas que não justifica certos comentários tendenciosos. Ao mesmo tempo, o fato de ser uma produção da Netflix,  acaba abordando apenas aquilo que a empresa tem realizado nesse âmbito, deixando de lado pessoas, estúdios e um histórico cultural na produção de animes no Japão. Logicamente que se fosse para realizar esse tipo de narrativa, a gigante do streaming seguiria por outro caminho, mas quando você se coloca para responder uma questão tão ampla, referências a grandes nomes da animação japonesa mereciam ao menos uma citação.

Universo Anime é um documentário que se apresenta com uma estética diferente, com uma montagem e narrativa que faz jus ao tema escolhido, brincando diversas vezes com o jogo de cena e transições, fazendo referência as produções citadas, se torna atrativo para todo aquele que gostaria de ao menos entender o que é um anime! Porém, a produção perde força quando apenas cita "obras da casa", deixando de lado um real histórico das animações japoneses e seu contexto, apesar de apresentar a cultura dos fãs, faltou realmente contar o que levou os animes à popularidade atual.
Ao final, por vários minutos, o documentário se assemelha aquele "gringo" que vai a um país diferente do seu, tipo no Brasil, bebe caipirinha, samba desajeitado, tenta jogar futebol. Aparentemente divertido, simpático, entretanto falta conhecer a cultura de maneira mais profunda e real, o que o leva a diversas situações constrangedoras. 
Não que isso aconteça em Universo Anime, mas ao final soou mais como um grande comercial do que a Netflix está fazendo! Deu até pra ouvir o barulho de caixa registradora!
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