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Sintonia: 1ª Temporada - CRÍTICA


Mais uma produção brasileira entra no catálogo da Netflix, dessa vez Sintonia chega pra mostrar a realidade do universo dos jovens de “quebrada”. De uma forma tão natural e verdadeira, a série consegue mostrar a vida dessas pessoas que tem tão pouca visibilidade no mainstreaming e que quando tem, se torna uma representatividade vazia e estereotipada, mas será que Sintonia consegue fugir disso?

Criação do aclamado produtor audiovisual de funk Kondzilla e Felipe Braga, Guilherme Moraes Quintella, Sintonia vai abordar as histórias de três amigos de infância moradores da periferia de São Paulo, Doni (MC JottaPê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros). A partir disso, a série vai retratar muito bem como é a vida de um jovem na favela, explorando o mundo do crime, drogas, festas, álcool e até mesmo a igreja, e como tudo isso está interligado.

Sintonia consegue ser um retrato muito bem feito a respeito da realidade da periferia, chegando ser em alguns momentos até documental. 
Além da narrativa seguir as três histórias principais, aliás muito bem construídas, o roteiro em si já dá um show. Diálogos que mergulham no dialeto da periferia, fazendo com que o espectador se sinta parte daquele universo por alguns minutos, mesmo até quando não conseguem entender 100% do que está sendo dito.


Falando de imersão na realidade periférica, quando somos apresentados mais profundamente a história de Nando, conseguimos enxergar com muita clareza como funciona o universo do crime. Aqui é a minha única crítica negativa a série, por mais que ela estivesse sendo fiel no que é a vida de um jovem "no movimento", ainda sim é possível notar uma certa romantização naquilo tudo. A forma com que Nando, mesmo ciente de todos os perigos, tem uma vontade muito grande de crescer e se tornar alguém importante naquele ambiente não é em nenhum momento mostrado como algo negativo. Outro problema, é a questão racial nesse caso: o único dos protagonistas que é negro é o que está envolvido com o mundo do crime e o pior ele QUER isso.

Já Doni, representa algo mais fantasioso. 
A vontade do jovem em ser uma estrela do funk vai de encontro a muitas barreiras, até ele compreender que nada disso vai ser fácil. O funk é um dos pontos de mais destaque para a série e talvez seja por isso que nessa linha narrativa a produção se sinta mais confortável em contar uma história. Como funciona a indústria musical do funk para um jovem aspirante, seus prós e contras, é um grande acerto da obra.


Outro lado muito interesse e que me pegou de surpresa foi o aprofundamento da questão religiosa. Dá pra imaginar? A gente vê tráfico de drogas, indústria do funk e religiosidade caminhando juntos dentro de uma história e o melhor funcionando perfeitamente juntos. 
Sob o ponto de vista de Rita, nós conseguimos mergulhar nesse universo, e percebemos como o discurso religioso pode ser sedutor, em determinados contextos e ao mesmo tempo, por debaixo dos panos ser algo extremamente ensaiado.

Mesmo com alguns problemas para acertar no futuro (espero que tenha um futuro pra essa série) Sintonia consegue ser uma das melhores produções brasileiras do catálogo da netflix, se não a melhor! É densa no nível certo, gostosa de assistir, com críticas bem acertadas. 
Sintonia tem o DNA brasileiro exposto de forma brilhante em cada episódio!
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