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She-Ra e as Princesas do Poder: 2ª e 3ª Temporadas - CRÍTICA

Pela honra de Grayskull


Remakes de desenhos famosos tendem a passar por crivo muito cruel de quem em outra época acompanhou aquela história. 
O valor agregado do passado a obra, que leva consigo memórias afetivas, pode prejudicar a percepção dos espectadores mais saudosistas e produzir comentários que não condizem com a produção em questão. She-Ra foi alvo de muitos comentários, contudo, após sua primeira temporada reapresentando a história de Adora, agora é o momento para ampliar o universo, acrescentar novos elementos e fazer com que tudo se torne ainda mais fantástico, renovando aspectos conhecidos, sem perder o que foi feito anteriormente. Ou seja, honrar Grayskull é uma prioridade!

She-Ra segue lutando ao lado das princesas para deter o avanço da Horda. Porém, Hordak dá a Felina a liderança de seus exércitos, o que colocará Adora frente a frente em batalha com sua velha amiga. Assim, ao mesmo tempo que lugares de Etéria vão sendo libertados, a tecnologia dos Primeiros começa a ser decifrada e usada contra a Rebelião. Junto a isso, o passado da guerreira mais poderosa de Greyskull começa a ser revelado, o que mostrará que os perigos também serão maiores.

A segunda temporada, com sete episódios e a terceira, com seis, conseguem manter a qualidade do traço e do colorido estabelecido no primeiro ano.
O design segue com a mesma linha de ambientações, objetos e elementos que surgem em tela, dando continuidade as linhas retangulares, cubicas e fazendo referência ao desenho original, principalmente ao demonstrar as tecnologias, que parecem antiquadas, o que não permite datar a narrativa. 
Logo, a escolha por aumentar as sequências de ação, faz com que a cada episódio venhamos a estar envolvidos com o uso constante dos poderes de She-Ra e das demais princesas, dentro de suas habilidades específicas, criando situações que empolgam dando a movimentação adequada ao desenho. O que fica ainda mais evidente na terceira temporada! 
Aqui há um aumento na qualidade gráfica, atrelando efeitos em 2D e 3D em pontos específicos, o que torna tudo ainda mais bonito visualmente, as cores ganham novas texturas e a luminosidade consegue distinguir os lados divergentes de um mesmo conflito. Isso também se achega aos novos personagens que vão surgindo, trazendo personalidade no visual e que se estende aos acontecimentos que a história vai apresentando.


A narrativa continua fazendo da personagem principal uma força não apenas física, mas de consciência através de atitudes de heroísmo e da descoberta de quem é.
O passado de Adora vai ganhando forma a medida que vamos adentrando a história de Etéria, She-Ra e a batalha interminável contra a Horda. Desta forma, a guerreira aprende ainda mais com seus poderes, suas responsabilidades e escolhas que precisam ser feitas a medida que a guerra continua e novos aliados surgem. Ademais, personagens como Cintilante e Arqueiro também são levados a receber novos detalhes de suas personalidades. A princesa aprende mais sobre a magia que utiliza, a história de sua família e o envolvimento com Sombria. Já para o jovem soldado, fica um dos melhores episódios que quebra um paradigma apresentando seus pais como um casal homoafetivo, ao mesmo tempo que todo o contexto do filho contando quem é de verdade, se torna uma verdadeira alegoria sobre "sair do armário"!
Logicamente, o tom infantil sobressai durante a trama, contudo de forma eficaz diversos assuntos se tornam importantes para serem discutidos como o preconceito, a amizade, confiança, empoderamento. 
Assim, a segunda temporada funciona para acrescentar mais elementos que fazem o conflito principal entre mocinhos e vilões o que é atualmente, colocando de cada lado novos pontos que poderão ser questionados em todo tempo, culminando então no terceiro ano da série. Este se encarrega de adentrar ainda mais no passado de She-Ra e de Hordak, revelando suas origens, mas sem entregar tudo de uma vez, o que reservará surpresas para o futuro. E se engana que todo colorido da série trará sempre um desfecho positivo, como em toda guerra, perdas ocorrem, e nessa história, personagens importantes também acabam perdendo a vida para que outros consigam continuar a luta!

She-Ra e as Princesas do Poder, em sua segunda e terceira temporada, mantém a qualidade do desenho, tanto no traço, quanto no colorido, na luminosidade, agregando efeitos de computação gráfica que fazem do desenho algo nitidamente belo. Ao mesmo tempo, a história vai ganhando novas nuances, explicando o passado, sem precisar cair no didatismo ou previsibilidade, o que mantém a esperança de um certo irmão aparecer em algum ponto desta narrativa.
Se She-Ra no início foi tratada com desconfiança pelos seus fãs mais antigos, fica estabelecido aqui que a nova produção consegue não apenas honrar o material original, mas ampliar ainda mais uma história, construindo uma jornada heroica que não se prende em apenas ter boas sequências de luta. Os valores estão presentes no texto e ensinamentos que são importantes para o público de hoje e de ontem. Ao final, a série comprova que alterar o design, etnias, gêneros, de nada valeria se uma boa história não fosse contada, e isso está longe de acontecer aqui. Por isso, para todo aquele que na década de oitenta vivenciou o desenho original, fica estabelecido que o remake daquilo que você tanto amava tem qualidade suficiente para atrair um novo público, ainda mais fiel, que certamente será agraciado por aqueles que irão gritar pelos poderes e pela honra de Grayskull!
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