Brinquedo Assassino (2019) - CRÍTICA

"You are my Buddi, until the end, more than a buddy, you're my best friend..."


Brinquedo Assassino que criou uma figura ludicamente perturbadora nos anos oitenta.
Chucky colocou medo em muita gente que era criança e acabou crescendo com as continuações estranhas, realizadas de qualquer forma que nem um pouco traziam o clima do original.
Passado o tempo, um reboot era quase que inevitável nessa onda que Hollywood se propôs nos últimos anos e desta vez, se distanciando do clássico do terror em sua origem, a nova onda de crimes cometidos por um boneco homicida ganha personalidade, tecnologia e um corte de cabelo discutível.

Andy é um garoto de poucos amigos, vive isolado, principalmente por conta de seu problema de audição. Sua mãe, Karen, trabalha em uma loja que vende diversos produtos de uma empresa chamada Kaslan e percebendo a solidão do filho, ela o presenteia com um Buddi, um boneco dotado de inteligência artificial, último lançamento da companhia, capaz de se conectar a todos os outros equipamentos da casa. Mas sem saber, os protocolos do brinquedo que o impedem de agredir humanos está desativado, o que levará a uma onda de assassinatos tudo em prol da amizade.

Comandado por Lars Klevberg, a nova produção escolhe um caminho diferente para contar a história deste Chucky, demonstrando uma atualização assertiva.
O diretor utiliza de uma câmera que facilita com que os ataques realmente venham fazer sentido, várias vezes optando por criar uma ação furtiva, nas sombras, onde não vemos o agressor, mas sabemos de quem se trata. Ademais, utilizando de animatrônicos e poucos efeitos visuais, a película estabelece sequências de suspense que transformam às mortes em momentos tragicômicos, principalmente baseada na ideia que a narrativa fundamenta acerca dos protocolos desabilitados. O que nos revela a atitude de não se levar a sério como um reboot mais sombrio, realista ou simplesmente que serve para apresentar a figura malvada a um novo público. O importante aqui é estabelecer um caminho próprio que vai do ritmo à montagem da obra.
Junte isso a uma fotografia que explora os ambientes escuros para fazer com que a figura do boneco malvado possa surgir do nada e voltar para sombras carregando sua figura bizarra consigo.
Outro ponto alto do filme, que até mesmo vira piada logo de cara, é a aparência de Chucky, que nada de atrativo possui, entretanto isso mesmo causa uma curiosidade para que as pessoas o levem pra casa.


A narrativa então modifica completamente o que conhecemos da produção oitentista.
Sai o boneco possuído após um ritual de vudu, entra em cena uma inteligência artificial que vai aprendendo com os humanos, mas que não está dotada dos comandos que evitam que machuque outras pessoas, caso perceba que seu principal amigo foi afetado de alguma forma.
Logo, a história faz uma crítica sobre a dependência do ser humano as tecnologias e o quando essas mesmas tendências podem se voltar contra aqueles que aguardam ansiosamente por lançamentos, atualizações e novos gadgets. Isso tudo fica claro quando Chucky percebe que um filme com cenas de assassinato causa riso no seu “amigo”, e pelo fato de sua tecnologia permitir que se conecte aos demais devices da casa ou em outro lugar. O que dá mais possibilidade para as mortes acontecerem. E elas acontecem! Não de um jeito exagerado, mas carregando em si aquele velho e conhecido senso de humor mórbido que nos faz soltar um risinho e logo depois pensar sobre o que estamos assistindo.
Contudo o filme não é só acertos!
Certos elementos são descartados e pouco importam para a continuidade da trama, como a deficiência do protagonista, o relacionamento de mãe e filho que pouco é explorado e até mesmo o quanto a empresa que criou o Buddi realmente se preocupa com os acontecimentos. Ao mesmo tempo, a produção perde a mão no humor, que acaba se sobressaindo em momentos sem necessidade e o terror que fica aquém do que realmente Chuky poderia fazer. O perigo existe, só que não demonstrado em sua totalidade, principalmente quando se enfrenta um boneco de pouco mais de meio metro.

Brinquedo Assassino de 2019 possui personalidade e acerta ao atualizar a origem do boneco homicida.
Estabelecendo um ambiente que possibilita a furtividade e as sequências de ataque, fazendo um uso maior de efeitos práticos do que digitais, a direção ganha em realmente fazer algo que não precisa copiar como um todo o original, apesar de não estabelecer certos elementos narrativos que prejudicam a continuidade da trama e a atrapalham o terceiro ato o deixando morno, principalmente por não decidir se prefere assustar ou rir. Logicamente, isso não diminui os acertos do reboot que se mostra um dos mais satisfatórios e competentes da leva de filmes de terror da década de oitenta que ganharam atualizações. Ao final, Chucky parece ter saído de um episódio de Black Mirror onde a inteligência artificial se torna apegada ao seu dono de tal forma a matar para continuar essa amizade. 
Um relacionamento abusivo high tech regado a sangue e membros decepados!

Nota: 3,5/5 (Muito Bom)
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