A Pequena Suíça - CRÍTICA

Uma comédia simples sobre origens


Uma boa comédia é aquela consegue arrancar risadas de seu público com situações que se aproximem de sua vivência ou extrapolem o absurdo. O cinema, nos últimos anos, não tem sido palco de boas produções nesse gênero. Pouquíssimos acertos, poucas histórias que realmente consigam fazer jus a graça necessária e atuações que não se encaixam direito no que é proposto. Assim chegamos a essa produção espanhola que brinca com as origens de seu país, ou melhor, de um pequeno vilarejo com a intenção de contar uma narrativa que consiga divertir. E de um jeito diferenciado, não é que conseguem arrancar algumas risadas.

Tellería é um vilarejo que há anos tenta comprovar ser de origem Basca. Porém, um acordo do governo espanhol acaba frustrando os planos da localidade, o que deixa a população frustrada pois muitos não se enxergam como espanhóis. Então, com a chegada de Gorka e Yolanda na cidade, tudo muda, pois a jovem acaba sofrendo um acidente na igreja local e descobrindo a tumba escondida do filho de Guilherme Tell. O que pode fazer com que Tellería pertença a Suíça, mas tudo isso, irá trazer muita complicação para todos da cidade.

Kepa Sojo dirige e assina roteiro da produção espanhola de uma maneira muito simples para tentar arrancar risos de seu público. 
Apostando no aspecto caricato e exagerado de seu elenco, o diretor vai criando em sua história situações que explore esse aspecto, o que torna tudo um exercício de não se levar a sério em nenhum momento, mesmo que trate de um assunto delicado, o que são as questões separatistas na Espanha.
Não há maiores novidades em seu comando da câmera, tudo é feito com muita normalidade ao posicionar e capturar os momentos de seus atores, contudo, é interessante perceber que existe uma dedicação nos detalhes, na construção de certas sequências. Principalmente naquelas onde a população precisa demonstrar que está disposta a se tornar suíça, o que rende momentos engraçados e altamente constrangedores.


Esse embaraço fica nítido a medida que a história vai se desenvolvendo.
Até o final do primeiro ato o filme é promissor ao contar uma narrativa diferente de qualquer outra apresentada, mas ao tentar repetir fórmulas conhecidas de comédias realizadas de uma maneira desleixada, o roteiro se perde no que realmente quer contar.
Em um momento as questões históricas são levadas a sério, questionadas e colocadas em xeque por todos. Logo, tudo se torna uma grande piada contada por um "tio do pavê espanhol" e isso abre precedente para a comédia gráfica, com direito a balde de água que cai na protagonista, soco filmado de um jeito amador, triângulo amaroso que do nada ganha mais dois participantes que aparentemente foram inseridos na história pois não havia química em nenhuma das possibilidades de casal do protagonista, e números musicais que não fazem sentido, apenas ocupam parte da película para tentar chegar aos noventa minutos.
Ou seja, o material que poderia ser interessante e original, se torna um "mais do mesmo" que não se leva a sério, porém de um nível que não quer realmente fazer com que pelo menos algum momento da trama dê certo! Sem contar a gama de atores e seus arcos que não precisavam estar lá!

A Pequena Suíça é uma comédia simples sobre a origem e como isso pode afetar uma população, entretanto essa análise mais profunda é apenas um jeito de tentar dar um pouco de base a um material que acaba esquecendo de fazer um trabalho pelo menos assertivo. 
O que poderia ter sido uma história carregada de personalidade se preocupa mais em criar situações embaraçosas e que se tornam incoerentes a cada novo corte de cena, deixando a trama completamente sem sentido, contendo pouquíssimo momentos que irão arrancar risadas.
Se tudo isso tinha intenção se ser uma sátira política sobre problemas de separação e independência política, há uma grande falha no produto final, pois todo e qualquer texto que vai por essa vertente carrega um elemento importante para justificar o que está sendo demonstrado, e que aqui não foi apresentado: O Humor inteligente.

Nota: 1,5/5 (É... Existe)
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