Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco (2019) - CRÍTICA

Uma nova forma de apresentar uma história tão celebrada


Os Cavaleiros do Zodíaco é um fenômeno mundial! Engana-se quem pensa que ele somente fez sucesso em países do ocidente, no oriente, até hoje com as publicações do mangá, a saga de Seiya continua conquistando e mantendo fãs.
Logicamente, esse sucesso seria alvo de ramakes, reboots e das famosas adaptações americanas que assombram o imaginário de muitas pessoas, principalmente aqueles mais criteriosos e desta vez a Netflix apoderou-se do conteúdo das histórias de Kurumada para dar a sua versão, que tem produção da Toei. Algumas mudanças realizadas, uma animação bastante cartunesca apesar dos traços orientais e o que é melhor, sem enrolação. Isso quer dizer que esses novos Cavaleiros funcionaram?

Sempre que o mundo se vê em perigo, Atena ressurge, acompanhada de seus Cavaleiros para proteger a humanidade. Porém, uma nova ameaça se aproxima, algo que vem tanto do Santurário quanto de um novo inimigo que está disposto a usar o poder das armaduras para destruir os deuses. Sendo assim, um grupo de jovens foi enviado ao redor do mundo para treinar e se tornar os defensores da deusa reencarnada em Saori Kido.

Produzida pela Netflix em parceria com a Toei Animation, os seis primeiros episódios desta nova série consegue condensar boa parte do arco inicial da história de origem, ao mesmo tempo que suas mudanças não prejudicam as versões anteriores.
Ao optar por criar tudo em CGI a série consegue explorar além dos detalhes do traço oriental, atrelando texturas, profundidade, colorido e luminosidade conhecidas de outras produções norte-americanas que usam da computação gráfica para da vida a suas personagens. Personagens estas que mantém as características e detalhes conhecidos, seja em suas armaduras, cabelo e elementos que compõem demais particularidades nesse novo estilo de animação de Cavaleiros (Apesar de já termos uma versão em CGI dos mesmos).
Ao mesmo tempo as lutas ganham maior agilidade, saem os diálogos demorados, os momentos de flashback intermináveis, para dar espaço aos acontecimentos de forma fluida, sem enrolação, o que contribui para o ritmo da trama, já que praticamente mais de 30 episódios da versão da década de oitenta foram transformadas em uma temporada que não chega a ter dez capítulos. O que torna a experiência rápida, indolor, justamente para aquele que se vê pronto para lançar seus comentários do quanto essa nova versão está "estragando sua infância"!


Utilizando essa declaração o tanto quanto pífia, Os Cavaleiros do Zodíaco de 2019 não irá estragar ou destruir a infância de ninguém. Primeiro, se trata de uma adaptação/remake de algo que também é uma versão do material original. Segundo, a escolha da linguagem, da forma da história ser contada e do desenrolar dos fatos, comprova que este é um desenho para uma geração que pouco contato teve com a história de Saori, Seiya, Shiryu, Hyoga, Ikki e Shun. Um jeito diferente de apresentar uma narrativa para um público diferente.
Desta forma, a trama se concentra em apresentar a personalidade, as ambições e motivações dos personagens sem se prender a detalhes que poderiam delongar certos acontecimentos, fazendo com que em poucos diálogos venhamos a entender o que Seiya deseja, qual o pensamento de Hyoga, o que pretende Shiryu e o porque de Shun estar lutando. Esta última, que agora se tornou uma mulher, foi alvo de inúmeras críticas e até mesmo comentários homofóbicos de maneira velada (Sim, aquela sua frase: "Então continua a mesma coisa", seguida de um risinho, só demonstra a capacidade do nerd continuar sendo preconceituoso) demonstra nuances do personagem que desconhecíamos, até mesmo de seu treinamento iniciado por seu irmão, o que justifica inúmeras de suas atitudes.
Junte isso a um texto simples, até mesmo didático diversas vezes, utilizando da exposição para realizar conexões e ganchos para uma história tão conhecida por sua vastidão de detalhes, mas também por sua capacidade de enrolar espectador e leitor. 

Isso quer dizer que esses novos Cavaleiros funcionaram?
Sim, mas não para quem precisa dos fatos ocorrendo de igual forma a série clássica, que precisa dos dubladores antigos, que está preso a nostalgia e a memória afetiva. Tudo isso é ótimo para podermos celebrar algo que faz parte da nossa construção cultural, porém se torna ao mesmo tempo um arsenal de comentários e falas de descaracterizam a importância de um público diferente ter contato com uma história que já fez parte de outras jornadas, e que agora, sendo contada de um jeito peculiar, não irá prejudicar as lembranças, simplesmente trará a possibilidade de escolher qual versão acompanhar. Esta mania imatura de críticas infundadas, sem base só fomenta ainda mais que o ambiente da cultura pop ao invés de agregar pessoas, quer manter o aspecto "grupo fechado de quinta série", contudo, a cada dia mais, produtoras, editoras, serviços de streaming, rompem com essa mesquinharia, mostrando que há espaço para todos, em todas as aventuras!

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco da Netflix é uma nova forma de apresentar os textos de Kurumada para quem ainda não teve contato com as sagas dos guerreiros de Atena, ou por não ter idade, estava afastado das outras produções devido a violência. 
Aqui, há espaço para novos e antigos admiradores, que irão ver uma mescla dos traços orientais com a textura e escolha de um design ocidental, o que deixa tudo mais cartunesco e colorido. Da mesma forma, ao escolher otimizar o tempo, condensando situações e expondo outras, a narrativa explora bem o início de tudo, dando o contexto assertivo e preparando para a continuidade da série.
Porém, se ao final de tudo você ainda mantém o discurso da "infância destruída", "de uma Cavaleira ser representada de forma errada", ou do "Trocaram meu dublador", não há problema, existem lugares específicos para estes tipos de comentários, aquele mesmo onde se encontra o passado, o pensamento retrógrado e alguns que não descobriram o real significado da palavra "Adaptação"!
Assim, entre o choro e a reclamação do Nerd Velho, os meteoros de pégaso ainda continuam sendo disparados e fazendo sucesso!
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