O Escolhido: 1ª Temporada - CRÍTICA



Me agrada muito que as produções brasileiras estejam ganhando destaque, a Netflix como sempre, quebrando barreiras, está conseguindo aos poucos introduzir e até mesmo exportar conteúdo nacional. 3% por exemplo é uma série que fez mais sucesso fora que dentro do Brasil e agora temos mais uma produção nacional, com uma premissa muito interessante, estreando recentemente, O Escolhido.

Criada por Raphael Draccon e Carolina Munhóz, a série é inspirada em outra obra mexicana “Ninõ Santo”, têm seis episódios enxutos e que dá pra maratona em uma tarde de domingo numa boa.

Na história, os três médicos, Lúcia, Damião e Enzo, vividos respectivamente por Paloma Bernardi, Pedro Caetano e Gutto Szuster, são enviados a um vilarejo escondido nas florestas do pantanal. Eles tem a missão de vacinar a pequena população para a prevenção da mutação do zika vírus, porém eles se deparam com fanáticos religiosos que não acreditam nem um pouco na medicina, apenas nos poderes curandeiros de um misterioso líder religioso a quem eles chamam de O Escolhido.


Não dá pra explicar muito bem o nível de constrangimento que O Escolhido nos causa a assistir algumas cenas.
O roteiro é tão mecânico que quase nenhuma fala soa natural na boca dos atores. Fora os muitos deslizes da direção, como nos momentos em que a produção tenta usar flashbacks para contar a história dos personagens, é uma coisa tão fria, tirando totalmente da imersão da história, que não dá pra entender. A série tenta também trazer questões de empoderamento feminino e racismo, porém parece que tudo foi escrito por uma pessoa que nunca sequer teve contato com algum tipo de discriminação.  Ao mesmo tempo que joga essas questões, ela também esquece, ou seja não serve pra nada.
No aspecto técnico, apenas a fotografia salva, a beleza do pantanal está sempre sendo exaltada e também consegue trazer um clima assustador quando precisa.


As atuações também não impressionam nem um pouco!
Não tem ninguém que sustente até o fim o personagem (vamos combinar que o roteiro também não ajuda). Se eu fosse obrigado a salvar alguém, seria Renan Tenca que interpreta O Escolhido e consegue em alguns momentos ser bem assustador e por incrível que pareça fazer soar natural um texto muito esquisito. E ainda em tempo, Tuna Dwek que interpreta a beata Zumira, consegue até a metade da temporada segurar o peso do fanatismo religioso de todo aquele povo.

No final, existe um gancho a lá lenda urbana das agulhas infectadas para uma ainda não confirmada segunda temporada, nada empolgante. A série não entregou nada do que prometeu, apenas um monte de perguntas até então sem respostas, uma trama rasa que tenta demais ser algo profundo a respeito da fé e do fanatismo, mas não passa nem perto de conseguir!
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