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La Casa de Papel: Parte III - CRÍTICA

Não precisava de uma terceira parte, mas já que aconteceu, vamos apreciar


Um plano para ser bem executado precisa de estratégia, inteligência, criatividade e uma equipe que se dedique a realizar o que for necessário para tudo dar certo.
O professor tem esse time, sabe o que fazer, onde fazer e quais os resultados de cada ação. E se da primeira vez tudo saiu como esperado, ou nem tanto, desta vez as consequências serão ainda maiores, pois tudo poderá mudar no primeiro momento que o plano foi colocado em prática.
Para alegria de muitos, La Casa de Papel retornou para uma terceira parte, ainda que demonstrando o aumento no orçamento, em certos momentos não justifica sua sobrevida, e já que está de volta, precisamos falar sobre.

Após o roubo da Casa da Moeda da Espanha, a equipe do Professor, está espalhada pelo mundo, porém, quando Rio é capturado, o grupo precisa se reunir para realizar um plano ainda maior. Desta forma, aliados a novas figuras, os atracadores irão roubar muito mais, isso envolve todo ouro da Espanha além de várias informações do governo. Contudo, nada será tão fácil como aparenta.

Sustentada por uma legião de fãs que se envolveram com as duas primeiras partes, La Casa de Papel retorna para a sua terceira parte, não temporada, com aparência e execução de superprodução.
A direção escolhe uma movimentação diferente das duas primeiras partes, deixando de ser estática para gerar a agilidade necessária para que todos os momentos ganhem o ritmo devido, já que se trata de uma situação de tensão. Sendo assim, essa atmosfera vai sendo construída desde os primeiros instantes da produção, dos preparativos, se estendendo aos acontecimentos no Banco da Espanha e na base de comando do Professor. Fazendo com que todos venham participar das mudanças constantes de sentimentos, sensações e emoções no decorrer deste novo “atraque”. Que parece tão elaborado quanto o primeiro. Já que este roubo é maior, está na hora de usar o orçamento a favor desta narrativa! Por isso sequências em baixo d’água, explosões, ferimentos, ambientações, cenários, ganham uma execução mais dedicada, catártica e grandiosa.
Nisso, a série consegue elevar seus aspectos técnicos, com uma fotografia mais colorida, sem deixar de lado os tons acinzentados para os flashbacks, que surgem para expor que antes mesmo da Casa da Moeda havia outra ideia tão inusitada quanto. E nesse jogo de passado e presente, mais nuances dos personagens já conhecidos surgem em tela, além da participação de um velho conhecido que todos “amaram odiar”. Junte tais aspectos a uma melhora nas cenas de ação, executadas com precisão, controle de câmera e maior engajamento do elenco, que desta vez se coloca com maior postura para o que está ocorrendo (Pois se pararmos para analisar, aquele corre pra lá e pra cá, com uma arma na mão como se fosse brinquedo, não era nada convincente).
Logo toda ação desencadeia uma sucessão de acontecimentos que parecem estar fora de controle, facilitado então pelo jogo de câmera que novamente segue a fórmula das partes anteriores: interior do banco-negociadores-professor.


Tudo isso é sustentado por um roteiro que não se preocupa em repetir certos fatos, pois utiliza tal aspecto a seu favor, justamente para ludibriar o público, como em uma metáfora dos seus personagens, como se aquilo fosse novidade. Temos os acontecimentos de dentro do Banco da Espanha, que sabemos que em certo momento será estragado por alguns personagens, mortes que irão ocorrer como um gancho para a continuidade da trama, ações abruptas que colocarão todos em risco, personagens secundários que surgem para falar o óbvio e a empatia que toda equipe de ladrões recebe a cada movimento, seja ela assertivo ou não.
Esse clichê atrelado ao mais do mesmo é o que dá charme a terceira parte, pois como uma grande novela, a capacidade da narrativa de prender a atenção é algo que dificilmente se repita com outras produções do gênero. E novamente, La Casa de Papel estabelece seu sucesso! 
Ao mesmo tempo, vamos ganhando novas informações sobre certos rostos conhecidos, o passado do Professor é explorado, os anseios de Nairóbi surgem, as preocupações de Denver aparecem, os sentimentos reais de Tóquio extrapolam e o amor não correspondido de Helsinki entristece. Com isso, os novatos também ganham espaço para colocar mais de suas nuances “na mesa”: Palermo é um “novo Berlim” com mais camadas machistas, Estocolmo se torna uma figura de centralidade, Bogotá se torna a força, e Marselha é a inteligência e agilidade necessárias.
Assim, o texto desta terceira parte vai além de uma história de roubo, há todo um discurso político acerca de se contrapor ao sistema imposto, de dar poder a quem vive a margem, aos abusos cometidos por quem tudo comanda e a forma como um grupo pode colocar medo, quando se organiza e demonstra saber como confrontar o que tanto está estabelecido de anos.

Contudo, a série não consegue justificar alguns momentos que poderiam ser condensados. Diálogos altamente expositivos e as reviravoltas que soam mais previsíveis do que justamente uma grande surpresa acontecem constantemente. Com isso, certos personagens se tornam descartáveis como Arturito, que toma atitudes que não condizem com o andamento da trama e Sierra, que assume a postura da vilania, mas que se acaba recebendo uma responsabilidade incoerente dentro do que é estabelecido na história, e até no que se trata da real hierarquia da polícia. Além  da protagonista que narra os fatos, que do nada muda de personalidade antes do desfecho em uma cena que beira o ridículo de embriaguez. Tais situações não ignoram o valor de entretenimento, porém não contribuem para realmente apresentar algo novo na história, que aos três últimos episódios repete a fórmula da segunda parte da série!

La Casa de Papel, Parte 3, é o retorno que irá arrebatar ainda mais os fãs e tornar quem não tinha visto ainda, um aficionado pelos planos do Professor. 
Elevando os aspectos técnicos, com uma produção que utiliza bem o orçamento que tem, aprimorando cenas de ação e movimentação de personagens, a série alcança um novo patamar dentro do próprio universo criado, ainda que se apegue as repetições e didatismo diversas vezes. O que não pode ser ignorado é o quanto a popularização das séries se tornou mais viva a partir desta narrativa, e este é um triunfo que saltou da tela, realizando uma transposição do texto que conduz a produção, quebrando um sistema que até então parecia ser difícil, levando ao alcance de todos uma nova forma de entretenimento. Ou seja, novelão ou não, está dando certo!
Logo, o que nos resta fazer é esperar a quarta parte, pois se há algo que aprendemos ao longo destas três partes é que o Professor está preparado para tudo, mesmo que pareça desesperado e sem recursos, ele sabe o que fazer. E se realmente uma guerra irá ter início, como um bom estrategista, o líder dos atracadores já está com seu pelotão à postos, apenas aguardando as ordens!
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