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Homem-Aranha: Longe de Casa - CRÍTICA

Um herói que se constrói sem perder a essência do que é: um jovem


Os eventos de "Guerra Infinita" e de "Ultimato" serão sentidos ainda nos próximos anos dentro do Universo Cinematográfico Marvel, não apenas nos detalhes a nível de roteiro, mas em toda a proposta de se compartilhar acontecimentos, personagens e decisões. 
Homem-Aranha talvez seja o vingador que vivencie essas consequências de uma maneira mais próxima da vida "real", porém isso não configura algo sem os perigos e os problemas que o Teioso precisa enfrentar. Desta forma, chegamos ao segundo filme da parceria Marvel-Sony com o herói e de uma maneira empolgante, divertida, tocando naquele sentimento que está presente desde o último estalar de dedos, temos um avanço maior na jornada de Peter Parker.

O Homem-Aranha continua sendo o amigão da vizinhança, porém, Peter irá sair de férias com seus colegas de escola. Enquanto o mundo precisa se reestrutura, o jovem herói quer apenas conquistar a garota que ele gosta. Entretanto, quando vários seres de outra dimensão surgem, sendo combatidos por um novo vigilante, chamado Mysterio, o Homem-Aranha precisa dar uma pausa no descanso e se aliar a Nicky Fury para enfrentar este novo perigo.

Jon Watts retorna a direção do filme de uma produção que tem o Cabeça de Teia como protagonista, e desta vez há personalidade, escolhas inovadoras e muitas surpresas em seu controle de câmera. 
Desde acompanhar os movimentos realizados pelo herói, até criar uma atmosfera de filme de "férias oitentista", o diretor se coloca em ação para proporcionar uma visão que justamente aproxime o espectador de todos os momentos da trama, juntando isso a um time cômico assertivo, participações que acrescentam a trama e uma condução de atores para que novas camadas de suas personagens sejam demonstradas.
Quando é necessário que o Homem-Aranha seja espetacular em sua habilidades, o vemos saltar de formas diferentes, passar por entre obstáculos, cair, balançar, com um senso de velocidade que não prejudica a percepção de quem está acompanhando, do contrário, conseguir ver corretamente o que está acontecendo, mesmo através das substituições e emprego do CGI. Mas o grande ponto do trabalho realizado por Watts é dar a Mysterio sequências tão hipnotizantes quanto as do protagonista. Utilizando os efeitos visuais a seu favor, os poderes deste personagens ganham proporções, tamanho, comprimento, somem, aparecem, se expandem, criando lugares, cenários, pessoas e situações que colocam o Peter Parker em pleno deslumbre, efeito causado também nos espectadores da sessão. Assim, empregando os recursos de forma precisa, nesta produção é possível perceber o cuidado em tornar cada acontecimento mais próximo aos quadrinhos, não apenas com as referências, contudo revelando a capacidade que existe para que a sétima arte realize adaptações que carreguem toda a essência da nona arte.


O roteiro utiliza também esses elementos a seu favor, justamente para estabelecer dúvida e valor interno no mesmo jogo dicotômico.
A morte de Tony Stark, uma figura mentora para Peter, contribui para o descobrimento de novas nuances da personalidade do garoto, que se vê inúmeras vezes perdido, já que suas principais, ou grandes ações, partiram e um comando de terceiros. Porém, quando é preciso enfrentar ameaças globais sozinho? Esse sentimento de responsabilidade jogada de forma abrupta permeia vários campos da vida do Homem-Aranha, interfere em sua casa, amizades, futuro relacionamento, levando até mesmo, ao antigo dilema de ser Heróis ou apenas um jovem normal que deseja aproveitar suas férias.
É nesse momento que a narrativa une essas personas em apenas uma, a que vimos em outras produções, só que desta vez entendendo e encontrando o seu lugar, não como um Vingador, ou o garoto que o Stark ajudou, mas como o Homem-Aranha que conhecemos. 
Desta forma, heroísmo é o que encontramos em tela, expresso de diferentes formas, que vai sendo construído com ajuda de outros personagens, como se cada um tivesse um parte dessa nova figura que está para ser montada, e poderá alcançar, realizar e ajudar outros lugares, além do seu bairro. Logo, história e direção entregam o que pode ser considerado os melhores segundos e terceiros atos de um filme de super-herói, principalmente se fizermos comparação as franquias anteriores que levaram o nome do Aranha.
Todavia 'Longe de Casa' não acerta em todo tempo!
O primeiro ato parece engasgado, sem força, apesar das piadas e explicações sobre o que está ocorrendo no mundo, falta ânimo para o que está por vir. Por mais que saibamos onde os personagens irão estar na próxima cena, há uma escassez de espírito de aventura nessas sequências. Logicamente se recuperando a seguir, mas há todo um retrabalho de estabelecer novamente a atenção para a tela.

E se formos falar de atenção, dois nomes aqui se estabelecem para que esta seja considerada uma continuação digna de Homem-Aranha!
Tom Holland é o Teioso definitivo, muito além de suas habilidades físicas, encontramos veracidade e sentimento quando está em ação, ou entendendo o que precisa fazer para continuar sua caminhada nessa trilha de heroísmo. Entregando cenas emocionantes, divertidas, engraçadas, carregadas de um carisma que seus antecessores não haviam demonstrado.
Jake Gyllenhaal nos faz entender o porquê de ser um dos melhores atores da atualidade. O seu Mysterio é cativante, inteligente, com um poder de convencimento que conseguiria manipular qualquer um a sua volta. Quando precisa entrar em ação, há todo um empenho, mas encontramos isso em grande escala quando começa a discursar, elevando o texto de seu personagem, além de proporcionar um vilão tão bom quanto Thanos, Homem-Púrpura, Loki e Killmonger.

Homem-Aranha: Longe de Casa é um presente para os fãs dos quadrinhos do Cabeça de Teia, ao mesmo tempo que abraça aqueles que estão imersos nesse universo de filmes da Marvel por tanto anos, para que venham se tranquilizar quanto o futuro que ainda não foi estabelecido como um todo. Com uma direção exímia, que eleva as cenas de ação do Teioso, proporciona um embate visualmente espetacular com um vilão, encontramos aqui uma das melhores produções do estúdio, principalmente do herói que a protagoniza.
Se Marvel flertou com o Multiverso, brincou com a localização de personagens e apresentou revelações catastróficas (Fique até o final, as duas cenas pós-créditos são importantes), isso faz parte daquele velho esquema de movimentar as peças para que o tabuleiro se reorganize para as próximas aventuras, sejam elas na Terra, no espaço ou em outra dimensão. 
O que realmente importa é que a presença do Homem-Aranha é fundamental, respondendo até mesmo a pergunta que é feita pelo próprio roteiro acerca da necessidade de um novo Homem de Ferro. O tempo de Tony Stark já passou, somos gratos por tudo o que ele fez, está na hora do Amigão da Vizinhança ser aquele que podemos contar na necessidade.
Um herói em toda sua verdadeira essência!

Nota: 4,5/5 (Sensacional)
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